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Saiba o que é o texto dissertativo-argumentativo cobrado na redação do Enem

      
Crédito: Shutterstock.com
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O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) acontece anualmente nos meses de outubro ou novembro. Ao todo são 180 perguntas, divididas em dois dias, que englobam todas as áreas estudadas no Ensino Médio. No primeiro dia de provas são 45 questões de Ciências Humanas e suas Tecnologias e 45 de Linguagens e Códigos e suas Técnologias, além da famosa (e temida) redação.

Mas, por que motivo ela é assim tão temida? A pontuação na redação, assim como nas outras áreas, pode ir de zero a mil, e se o candidato zerar a redação fica impedido de usar a nota do Enem para se inscrever no Sisu (Sistema de Seleção Unificada) e no Prouni (Programa Universidade para Todos).

Pois é, pode parecer difícil, mas a redação do Enem não é nenhum bicho de sete cabeças. Basta interpretar o tema pedido e seguir ao pé da letra a estrutura de um texto dissertativo-argumentativo, a modalidade de texto que é exigida nas normas do exame, segundo a Cartilha de Redação do Enem.


De acordo com o manual, a redação exige dos candidatos a produção de um texto em prosa, do tipo dissertativo-argumentativo, sobre um tema de ordem social, científica, cultural ou política. Mas afinal, o que é um texto dissertativo-argumentativo? Continue lendo este texto e entenda de uma vez por todas!

O que é o texto dissertativo-argumentativo?

É um texto opinativo, que se organiza na defesa de um ponto de vista sobre determinado assunto. A opinião do autor é fundamentada com explicações e argumentos, que têm como objetivo formar a opinião do leitor e tentar convencê-lo de que a ideia defendida é correta. Para isso, é preciso expor e explicar ideias.

É dessa mistura que vem a sua natureza: o texto é argumentativo porque defende uma tese e é dissertativo porque é necessário o uso de uma série de explicações que a justifiquem. O objetivo de quem produz esse tipo de texto — no caso você, é, em última análise, convencer o leitor, mediante a apresentação de razões, evidências, e provas, seguindo um raciocínio coerente e consistente.

De acordo com a professora Lilica Negrão, do cursinho pré-vestibular Oficina do Estudante, essa coerência é muito fácil de ser alcançada, embora o nome pareça bastante assustador.

“O estudante deve se preocupar, basicamente, em oferecer argumentos que se relacionem entre si e, principalmente, pensar naquilo que vai escrever. Ele tem que pensar em uma boa cadeia argumentativa, ficar atento e tomar muito cuidado com aquilo que vai propor, para que as ideias não sejam opostas entre si”, explica.

Qual deve ser a estrutura do texto?

Assim como outras modalidades de redação, esse tipo de texto tem algumas regras que precisam ser seguidas para deixar o texto com a estrutura adequada. Mas não se preocupe, existem boas estratégias para compor cada uma das partes do texto de forma correta, e sem muita dificuldade, confira:

1. Exposição e tese

Para produzir um texto que seja considerado dissertativo-argumentativo, você precisará apresentar uma tese e desenvolver justificativas capazes de comprová-la. A tese é a ideia que você pretende defender durante o seu texto. Para construí-la de forma sólida, você precisará entender bem a proposta, por isso, leia com muita atenção.

A exposição é uma contextualização da sua ideia, que serve para deixar o começo da sua redação mais coeso. Basicamente, você pode descrever uma situação geral, e dentro dela você irá indicar o ponto que pretende defender.

Mas atenção: cuidado para não criar uma ideia ambígua ou tentar defender duas coisas diferentes ao mesmo tempo. Para conseguir argumentar bem você precisa ter clareza sobre o que está escrevendo. Isso nos leva ao segundo ponto, a argumentação.

2. Estratégias de argumentação

O argumento nada mais é do que a justificativa utilizada por você para convencer o leitor a concordar com a tese que você está defendendo. Cada argumento deve responder à pergunta “por quê?” em relação à tese defendida.

As estratégias argumentativas são os recursos utilizados pelo autor para desenvolver os argumentos, de maneira que o leitor se convença sobre o assunto. Elas podem aparecer como exemplos, dados estatísticos, pesquisas, fatos comprováveis, citações ou depoimentos de especialistas, alusões históricas ou ainda comparações entre situações, épocas ou lugares distintos.

Além disso, para deixar a defesa ainda mais forte, você deve trabalhar com contra-argumentos, que nada mais são do que respostas a possíveis argumentos de alguém que esteja discordando da sua tese. Eles servem para mostrar que o texto foi bem pensado e construído, evitam “buracos” e aumentam a coerência.

3. Coerência e coesão

Esses dois pontos não estão em um lugar específico do texto, como os anteriores. Pelo contrário, coerência e coesão precisam estar em todos os lugares.

Vamos entender melhor: um texto coerente é aquele que não se contradiz, todos os argumentos convergem para a mesma direção, e ao ler o texto leitor consegue perceber uma linha de raciocínio do início ao fim.

Já a coesão se refere à organização das ideias. Um texto coeso tem um começo, um meio e um fim, sendo que a ideia desenvolvida no início está ligada à proposta feita no final. As frases e os parágrafos também precisam ser bem ligados e contínuos. Em outras palavras, a coesão evita aquilo que chamamos de “ideias soltas”.

4. Conclusão e proposta de intervenção

Por fim, na última parte da redação do Enem você precisa apresentar uma proposta de intervenção. Depois de construir uma tese em torno de um problema e listar argumentos para convencer o leitor de que ela é real, agora você precisa apontar uma solução.

Para começar a conclusão volte ao início do texto, tente responder a quaisquer perguntas que possam ter ficado em aberto, assim o leitor sentirá que o texto está completo e não deixa questões perdidas.

Depois, partindo do pressuposto de que seus argumentos foram suficientemente convincentes para mostrar que sua tese é válida, apresente uma solução para o problema inicial. Lembre-se de que a solução precisa ser clara e executável, e deve respeitar os direitos humanos.

O que não fazer em um texto dissertativo-argumentativo?

Agora que você já sabe como deve ser a estrutura do texto, vamos falar um pouco sobre o que não fazer.

Para começar, um problema que acontece em muitas redações é a ambiguidade. Seu texto não pode mostrar indecisão, nem tentar defender dois pontos de vista ao mesmo tempo. Para evitar ambiguidade a tese deve ser clara e a argumentação não pode ser contraditória.

Outro caso que acontece muito é a fuga do tema, por isso, cuidado ao citar exemplos e não se prolongue demais em explicações — isso pode acabar tomando muito espaço, e quando você perceber o seu texto estará falando sobre outro assunto.

Tenha muito cuidado com a linguagem informal, evite frases feitas, piadas e trocadilhos. O texto dissertativo-argumentativo pede um tom mais sério e objetivo. Evite generalizações e estereótipos. 

Lembre-se de que é proibido copiar trechos do texto da proposta, e que sua redação precisa ter no mínimo sete linhas e não pode ultrapassar o tamanho máximo disponibilizado na folha. 

Por fim, tenha atenção com as normas da língua portuguesa, incluindo as regras de pontuação.

Como lembra a professora Lilica Negrão, não existe uma fórmula mágica capaz de fazer com que você escreva um texto desse tipo do dia para a noite. “Não dá para simplificar tudo em um truque, a questão é o aluno estar preparado".

"O que ele precisa fazer é ler e escrever muitos textos desse tipo, levar todas as suas redações para correção e ter uma boa introdução, que vai apresentar o tema a ser desenvolvido. O truque é conhecer, na teoria e na prática, as características de um texto dissertativo-argumentativo”, conclui.

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