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A Terra no caminho entre Marte e o Sol

Entenda como os planetas estão mais próximos e a raridade do evento


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Por Ronaldo Rogério de Freitas Mourão (*)

A distância média da Terra ao Sol é de 150 milhões de km e a distância média de Marte é de 230 milhões de km. Se a Terra e Marte estivessem do mesmo lado em relação ao Sol, ou seja, posicionados de tal modo que os três astros formassem uma linha reta, com a Terra situada no meio, Marte e o Sol estariam em posições opostas no espaço. Este é o motivo pelo qual denominamos tal situação de oposição.

Ao contrário, chamamos conjunção a configuração oposta, que corresponde ao alinhamento Terra-Sol-Marte, no espaço. Na conjunção, para se ter a distância da Terra a Marte, devemos somar as distâncias médias dos dois planetas ao Sol, de modo que neste caso a distância será de 380 milhões de km (150 + 230 = 380). Na oposição será o oposto, devemos subtrair: assim a distância será de 80 milhões de km (230 - 150 = 80).

Estes valores seriam verdadeiros se as órbitas dos dois planetas fossem circulares. Na realidade, ambos descrevem órbitas elípticas. No caso da órbita da Terra, como sua excentricidade é menor, a variação é pouco sensível, ao contrário do que ocorre com Marte. Assim, no periélio (ponto mais próximo do Sol) a distância da Terra ao Sol será da ordem de 147 milhões de km, ao passo que no afélio (ponto mais afastado do Sol) é de cerca de 151 milhões de km.

No caso da órbita de Marte, a diferença é maior: sua distância ao Sol no periélio é de cerca de 203 milhões de km e, no afélio, de cerca de 245 milhões de km. Em conseqüência, podemos concluir que a distância entre a Terra e Marte será de 94 milhões de km (245 - 151 = 94) se a oposição ocorrer no afélio de Marte e 56 milhões de km (203 - 147 = 56) no periélio.

Assim, concluímos que os melhores períodos de observação de Marte são durante as oposições. Como acabamos de verificar, nem todas oposições são igualmente favoráveis, pelo fato de as órbitas dos planetas não serem circulares, mas elípticas. As oposições mais favoráveis (a distância Terra-Marte é quase a mínima) são aquelas em que a região da órbita de Marte corresponde ao seu periélio. Estas oposições, que são conhecidas por oposições periélicas, são os melhores períodos de observação de Marte.

De dois em dois anos temos uma oposição, que sendo periélica cai geralmente nos meses de agosto e setembro, enquanto a oposição afélica se dá nos meses de fevereiro e março. Periodicamente, num ciclo de 15 (ou 17) anos, Marte apresenta-se muito próximo de nós, havendo assim grande facilidade de observar sua superfície.

Distância mínima

Há períodos em que Marte se encontra na distância mínima possível da Terra. Tal fato se realiza muito raramente, quando então a distância Terra-Marte é de 55 milhões de quilômetros, pois quando esta oposição se dá, a distância de Marte ao Sol é de 207 milhões de km e a da Terra ao Sol é de 152 milhões de km. A razão por que todas as oposições periélicas não correspondem à distância mínima entre a Terra e Marte é devida ao movimento de giro das, linhas de ápsides, isto é: ao fato de as linhas que unem os afélios e periélios respectivos serem desiguais, porquanto, sendo o da Terra de 20.936 anos, o de Marte é de 13.777 anos. O alinhamento dos dois periélios ocorre todos os 43.719 anos.

(*) Ronaldo Rogério de Freitas Mourão é pesquisador-titutar do Museu de Astronomia e Ciências Afins, no qual foi fundador e primeiro diretor, e autor de mais de 70 livros, entre outros livros, do "Vai chover no final de semana?" da Edições Unisinos. Consulte a homepage: www.ronaldomourao.com





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