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Epidemias históricas

Conheça os principais ataques de vírus pelos quais já passou a humanidade


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Por Renata Costa

Embora o estudo dos vírus tenha começado há pouco tempo, a ocorrência de possíveis viroses parece tão antiga quanto a própria humanidade. Especula-se até que algumas pragas descritas nos registros bíblicos tenham sido causadas por estes seres de estrutura simples, constituídos por uma molécula de DNA (ácido desoxirribonucléico) ou RNA (ácido ribonucléico) protegido por uma membrana de proteína.

Ainda que normalmente o ser humano tenha uma convivência razoavelmente pacífica com os vírus comuns - gripe, resfriado e outros causadores de males respiratórios - nem sempre é assim. A virologia começou a ser estudada na década de 30 do século passado, quando um pesquisador inglês conseguiu isolar o vírus da gripe, o influenza, causador de mais de 20 milhões de mortos por uma epidemia logo após a Primeira Guerra Mundial e que entrou para a história com o nome de "gripe espanhola".

"Na época não se acreditava muito em vírus, as pessoas achavam que era obra de bruxaria", brinca o pesquisador do Departamento de Virologia da Fundação Oswaldo Cruz, Fernando do Couto Motta. "Era o momento do boom da bacteriologia, cujos estudos cresciam bastante. Então, para a gripe espanhola, as pessoas também esperavam encontrar uma bactéria", conta.

Voltando no tempo, outras epidemias são hoje reconhecidas como viroses. A varíola, por exemplo, considerada erradicada pela Organização Mundial de Saúde -mas que voltou aos noticiários por supostamente poder ser usada como arma biológica -tem registros que indicam seu surgimento na China mais de mil anos antes de Cristo. Citando um exemplo mais próximo, milhares de índios brasileiros morreram de gripe e outras viroses após a chegada dos europeus, pois não tinham anticorpos desenvolvidos contra estas doenças.

Novos vírus

Por mais que a virologia avance, estima-se que hoje o conhecimento das espécies microbiológicas esteja em apenas 15%, ou seja, o número de vírus desconhecidos é, muito provavelmente, imenso. Por isso nunca é possível saber se a humanidade está livre de surtos como o da SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave), que ficou conhecida como pneumonia asiática. Esta epidemia foi reportada pela primeira vez em fevereiro de 2003, no Vietnam, em um paciente vindo de Hong Kong. Casos foram identificados em outros países asiáticos, nos Estados Unidos e Europa. Acredita-se que a transmissão seja por gotículas (através de tosse ou espirro) ou ainda pelo ar. O causador é um tipo de coronavírus, um grupo de vírus que normalmente são responsáveis por problemas respiratórios comuns.

A Sars, que surgiu em 2003, fez centenas de mortos e se acalmou -este ano menos de 100 casos foram notificados. O mesmo acontece com muitas outras epidemias. Não é à toa, portanto, que a palavra epidemia denomine justamente as doenças que surgem em um lugar e rapidamente atingem um grande número de pessoas. Segundo o livro "A história e suas epidemias -a convivência do homem com os microorganismos", do médico infectologista Stefan Cunha Ujvari, publicado pela Editora Senac, foi o grego Hipócrates quem utilizou a palavra pela primeira vez, relacionando a doenças febris que surgiam de repente numa população. O livro conta a curiosa origem da palavra. "Epidemos era um termo empregado pelos gregos em referência aos indivíduos que não moravam nas cidades, mas que simplesmente permaneciam algum tempo e depois partiam" (pág. 24). O médico grego estabeleceu a comparação entre este termo e as doenças infecciosas que chegavam a uma região e depois iam embora.ÿ

A origem dos vírus humanos ainda não é amplamente conhecida, mas acredita-se que sejam oriundos dos animais. Desta forma, os filmes hollywoodianos que retratam epidemias e colocam grupos de pesquisadores no meio da selva para justificar o início destas não são tão irreais.

O vírus Ebola, por exemplo, surgiu na década de 70 no Zaire, espalhou-se por outros países africanos e resultou em mais de 400 mortes até 1996. De onde ele surgiu, não se sabe, mas sua ação no organismo humano, causando febre hemorrágica, é extremamente rápida e mata em poucos dias.

"Quando se devasta uma floresta, se entra em contato com novas espécies animais e pode estar expondo o ser humano a novos vírus. Um vírus vegetal não vai ser replicado por uma célula de animal. E tampouco o de um mamífero será replicado em uma célula de peixe", explica Motta. Quando o contato é com primatas ou mamíferos em geral, o risco de o homem contrair um vírus é muito maior. "Como esses tipos virais jamais foram descritos, ninguém sabe o que podem nos causar", explica Motta.

Um exemplo disso é a Aids, que segundo se acredita, é o vírus SIV (vírus da imunodeficiência em símios) de primatas que sofreu mutação e, embora inócuo nos animais, causa estrago no sistema imunológico humano. O próprio influenza, causador da gripe, é originalmente de aves selvagens e migratórias que o carregam para os diferentes países aonde vão. Ou mesmo a SARS que, provavelmente, segundo os cientistas, é um vírus de pequenos mamíferos. Desta forma, é muito mais difícil de se controlar. O vírus da poliomelite, por exemplo, por ser tipicamente humano facilita a erradicação através de vacinas, já que há um único hospedeiro a ser controlado.

Ao longo do tempo, os vírus vão fazendo "um acordo" com seus hospedeiros a fim de garantir sua própria sobrevivência. O que equivale a dizer que se ele matar "sua vítima" muito rapidamente, ele também desaparecerá. Este equilíbrio, no entanto, vai acontecendo ao longo de gerações, o que não significa que no final das contas o vírus desaparecerá. Por isso é que não se pode ter certeza de que uma epidemia não retorne. "Em algum lugar este vírus vai estar, pois precisa de uma célula para se manter e ser passado para a natureza", afirma Motta.





Tags: epidemia, tema, virose, vírus

Perfil: PDI



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