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Atualidade universitária

Antonio Carlos Quinto Em apenas 24 horas, o material particulado fino que compõe o ar poluído na cidade de São Paulo causou efeitos devastadores no sistema cardiopulmonar de ratos saudáveis de laboratório. Entre os males causados, estreitamento dos vasos pulmonares e inflamação sistêmica e pulmonar intensa, com alterações nas células sangüíneas.

Nossos estudos mostraram que a possibilidade de ocorrer prejuízos na função cardíaca em virtude do ar poluído da cidade é grande, constata a bióloga Dolores Helena Rodriguez Ferreira Rivero. Segundo ela, na cidade de São Paulo, é a primeira vez que um estudo deste porte é feito em animais de laboratório.

Em sua pesquisa, realizada na Faculdade de Medicina da USP, Dolores avaliou em modelos animais a relação entre os poluentes e a morbidade cardiovascular na cidade. Existe aumento de admissão hospitalar por problemas cardíacos nos dias que a poluição está aumentada. Estudos sobre o comprometimento cardíaco ainda são recentes e não estão ao todo esclarecidos, diz a pesquisadora. Nosso trabalho evidencia que a poluição de São Paulo promove alterações cardiovasculares em animais saudáveis em curto período de tempo e podem estar relacionadas com a mortalidade por causas cardíacas, explica.

Para obter o material particulado, foi instalado no prédio da Faculdade de Medicina um equipamento que coleta a poluição por intermédio de um filtro fino. Trata-se de uma das regiões mais críticas da cidade em termos de poluição devido ao grande fluxo de trânsito, lembra Dolores, ressaltando que a coleta foi feita em agosto do ano passado, época fria do ano em que os índices de poluição são mais acentuados. Em seguida, o material obtido foi extraído em uma solução aqüosa (soro fisiológico ou água destilada) e instilado na traquéia dos animais. Assim, o poluente atingiu diretamente o sistema respiratório dos ratos saudáveis, conta.

Entre os diversos sintomas observados nos animais, Dolores cita a diminuição da variabilidade da freqüência cardíaca (disfunção do ajuste do funcionamento autônomo cardíaco) apenas 1 hora depois da instilação. Isso mostra, por exemplo, que uma pessoa que tenha problemas cardíacos pode ser acometida por uma morte súbita, alerta a pesquisadora.

Outro sintoma foi a vasoconstrição das arteríolas pulmonares (estreitamento dos vasos), que faz com que o coração trabalhe com maior carga e, conseqüentemente, com uma pressão aumentada. Isso aumenta a probabilidade de ocorrer uma insuficiência cardíaca, lembra a bióloga. Os poluentes também causaram nos animais o aumento do fibrinogênio, que são alterações observadas na coagulação no sangue.

Material perigoso O material particulado fino utilizado nos estudos representa, segundo Dolores, cerca de 30% do total dos poluentes da cidade de São Paulo. Ele é composto de materiais orgânicos, inorgânicos, metais e outros elementos. Ainda não sabemos, contudo, quais os componentes que causam os efeitos. Mesmo abaixo do limite aceitável, os compostos do material particulado presentes no ar são muito perigosos, diz a bióloga.

Ao todo, a pesquisadora utilizou 85 animais de laboratório. Em 47 deles, foram verificados os efeitos cardíacos provocados pela poluição. Nos 38 restantes, Dolores realizou estudos da morfologia cardíaca e pulmonar e no sangue.

A tese de doutorado de Dolores, Alterações eletrocardigráficas, hematológicas e histológicas induzidas pelo material particulado fino da cidade de São Paulo, que tem a orientação do professor Paulo Hilário Nascimento Saldiva, do Laboratório de Investigação Médica (LIM) 05, da FMUSP, será defendida neste mês de julho. A expectativa é que este trabalho inaugure uma perspectiva para que sejam feitos estudos em seres humanos, diz a pesquisadora.

Fonte: USP

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