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Arte e Ciência

Professor da Universidade de Londres, o escritor Arthur Miller fala sobre os pontos comuns entre Einstein e Picasso


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Por Renata Costa, de Fortaleza

O escritor e professor de História e Filosofia da Ciência na Universidade de Londres, Arthur Miller, fez hoje na SBPC uma conferência sobre Ciência e Arte, analisando e comparando vida e obra do Albert Einstein e do pintor Pablo Picasso, um dos maiores - se não os maiores - representantes de suas respectivas áreas no século XX.

O professor afirmou que o trabalho mais importante da carreira de cada um deles teve o ano de 1905 como marco. Neste ano, Einstein publicou a Teoria da Relatividade, e Picasso começou a pintura de "Les Demoiselles dïAvignon". "A melhor maneira de saber se é coincidência é analisar a primeira década do século XX, época inovadora, de mudanças, quase parecida com Renascença", disse.

Miller contou que, durante esta época, poetas e rebeldes questionavam o conhecimento tradicional na arquitetura, arte e na física. "Einstein e Picasso foram motivados por isso. Estavam na casa dos 20 anos, eram rebeldes, pobres e viviam se metendo em encrencas", explicou.

No início do século passado, Einstein era funcionário público, conseguiu um emprego no escritório de patentes graças à indicação de um amigo, porque não havia sido tão brilhante na universidade. Em 1904, já casado com uma ex-colega de universidade, Mileva Maric, teve seu primeiro filho e passava por dificuldades financeiras. "Foi, no entanto, de 1902 a 1909, seu período mais criativo", afirmou Miller.

Já Picasso morava em Paris, e embora seu talento tenha sido reconhecido quase imediatamente, seus admiradores eram seus amigos escritores, entre eles Guillaume Flammarion, e não outros pintores. Seu ateliê era no pico da região de Montmartre, na capital francesa - até hoje refúgio de pintores -, onde o pintor sofria com o frio no inverno e com o calor no verão.

Estética

Os físicos, naquela época, faziam distinção entre ondas e partículas. Para Einstein, segundo Miller, bastava uma representação. "Einstein achava que duas formas de medida eram redundantes, ele não considerava estética esta dupla possibilidade", disse o professor.

Na mesma época, Picasso também buscava uma nova estética, que começou com "Les Demoiselles dïAvignon", quadro concluído em 1907. Já nesta obra, há uma mulher cujo rosto já tem as marcas do cubismo. "A preocupação dele em fazer um quadro não era menor que a de um cientista em sua pesquisa", afirmou Miller.

Picasso faz pesquisa a respeito de novas criações tecnológicas, como o avião, o telégrafo, automóvel e a fotografia. Esta última não era para o pintor uma mera representação da realidade, mas sim como meio criativo, uma forma de mudar nossa percepção do mundo. "O raio-x, por exemplo, mostrou a 3? dimensão. Discutia-se muito que nem sempre o que vemos é o que é na realidade", explicou o professor.

Com a matemática, Picasso descobriu a geometria multifuncional e começou a fazer uma série de experiências geométricas na pintura, buscando maneiras de desenvolver a 4? dimensão na tela. "Ele descobriu que a geometria era o conceito certo para a expressão de sua arte. A linguagem informal da arte se tornou formalizada na mão de Picasso, ela se tornou matemática".

Analisando todos os pontos importantes e comuns para a obras de ambos, Miller destaca a geometria, a ciência, a tecnologia, a estética, a competitividade, o sexo, a filosofia e a literatura como pilares para o desenvolvimento de Einstein e Picasso. "Pensando na criatividade dos dois, podemos refletir que no momento da criatividade não há barreira entre ciência e arte", diz Miller.







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