Friday :: 18 / 04 / 2014

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O dialeto do Norte

Dialeto característico da região amazônica recebe o nome curioso de canua cheia de cúcos de pupa a prúa


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O dialeto característico das populações ribeirinhas do Norte do país tem um nome bastante curioso: canua cheia de cúcos de pupa a prúa. Este nome demonstra a forma como essas populações locais pronunciam a vogal "o".

"Na região Norte, como um todo, a respeito dela, o nosso maior filólogo foi o professor Serafim da Silva Neto. Ele escreveu no livro Introdução ao Estudo da Língua Portuguesa no Brasil a respeito da existência de um dialeto intitulado canua cheia de cúcos de pupa a prúa, que seria na língua culta canoa cheia de cocos de popa a proa. Esse filólogo, que foi a maior dentre todos eles, se referiu a este dialeto que falam amazonenses e parãnses com esse nome por ser um dialeto cuja marca essencial é a modificação da pronúncia da vogal `oï tônica em `uï. Então, em vez de canoa, se diz canua; em vez de coco, se diz cúco; em vez de popa, se diz pupa; e em vez de proa, se diz prúa", explica o professor Orlando Cassique Sobrinho Alves, do Departamento de Língua e Literatura Vernácula da UFPA (Universidade Federal do Pará).

Ele lembra que a esse fenômeno é classificado tecnicamente como alteamento: "Quer dizer, a vogal média `oï passa a ser uma vogal alta `uï. Existe em outros dialetos brasileiros, só que não é na tônica. Por exemplo, quando lá no Rio se diz `culégioï (no lugar de colégio)".

Dialeto do Norte

Conheça termos característicos do Norte do País:

papudinho = pessoa alcoólatra

mão-de-mucura-assada = sovina

pai dïégua = interjeição que significa legal, bacana

xibé = prato feito de farinha de mandioca e água

churrela = caldo obtido após o processamento do açaí, quando as sementes são lavadas e a esta "água de açaí" é dado o nome de churrela

Segundo Alves, uma série de razões são levantadas para justificar as características específicas do modo de falar do povo do Norte, destacando, especialmente, as influências vindas do português falado em determinadas áreas de Portugal durante a colonização.

O professor da UFPA lembra que ainda há dois outros dialetos específicos no Pará. "O da zona bragantina, que era uma antiga estrada de ferro que ligava o estado do Pará com a cidade de Bragança, próxima do Nordeste. Esse dialeto da zona bragantina é também um dialeto tradicional do Pará, historicamente representativo e é falado por pessoas que ajudaram a construir o estado. Ele tem muita influência de cearenses e maranhenses, influência de nordestinos", lembra.

"Há um outro dialeto muito difuso, amorfo neste momento, porque se constitui no sul do Pará, nessa área onde a migração foi forte nos últimos anos por causa das riquezas do Pará, do ouro, da madeira, de fazendas etc. Ele resulta da influência de baianos, mineiros, paulistas, paranãnses, gaúchos no sul do Pará", conclui Alves.







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