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O avanço do aquecimento global

Estudo que aponta correlação entre aquecimento global e aumento dos furacões. Questão é uma das mais importantes na discussão ambiental atualmente


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Por Renato Marques

As aterrorizantes passagens dos furacões Rita e Katrina pelo sul dos EUA chamaram a atenção dos pesquisadores para um fenômeno bastante discutido em todo o planeta nas últimas décadas: o crescimento do aquecimento global. Embora ainda não exista relação direta comprovada entre os dois fenômenos, estudos realizados pelo climatologista do MIT (Massachusetts Institute of Technology), Kerry Emanuel, apontaram que, nos últimos trinta e cinco anos, a duração e a intensidade dos furacões no Oceano Pacífico aumentaram.

O grande destaque na pesquisa, no entanto, foi a constatação de que, neste mesmo período, registrou-se uma forte elevação na temperatura atmosférica e na superfície do oceano. Embora ainda não esteja cientificamente comprovada a relação causa/efeito entre os dois fenômenos, os dados ligaram o alerta vermelho na comunidade científica. Preocupação constante dos ambientalistas, os indícios apontados na pesquisa mostram que o aquecimento global começa a apresentar sua conta agora, e não em médio prazo, como era esperado.

Os furacões, embora tenham provocado estragos irreparáveis, são apenas a ponta de um problema que pode trazer sérios problemas ao futuro da humanidade. Problemas que, cada vez mais, começam a mostrar suas "garras", interferindo no clima, nas plantações, na qualidade do ar. "Hoje, não há dúvidas de que uma mudança climática se iniciou e está se desenvolvendo. Existem vários fatores que já apontam nesse sentido. O planeta está sofrendo um aquecimento que é significativo", afirma o professor do departamento de Geografia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Fernando Livi.

Uma vez constatado o aquecimento global, teve início uma "caça às bruxas". Era preciso encontrar um culpado para as alterações climáticas. Periodicamente, um novo vilão era encontrado: o consumo descontrolado de derivados do petróleo, a poluição industrial, o CFC, o CO2. Olhando para estas questões, não é difícil perceber que o ser humano e seus hábitos estão por trás de todos elas. Desmatando, incendiando e extraindo recursos naturais ao limite, o homem acabou por transformar em tragédia algo que pode ser apenas um dos ciclos do planeta.

"O que realmente existe é um aumento da temperatura global. Agora, a grande questão é se isso é um ciclo natural do planeta ou se está sendo provocado diretamente pela atividade humana", explica o professor do departamento de física da UFMS (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul), Hamilton Pavão. "O que se tem em consenso, é que, mesmo que este seja um ciclo natural, é certo que as atividades humanas estão interferindo e agravando essa situação de aquecimento. Essa é a realidade."

O Brasil e as conseqüências

Com o crescimento da temperatura global nos últimos vinte anos, as conseqüências já vinham se agravando nos últimos tempos. Inversões climáticas e derretimento das calotas polares foram os primeiros sinais de que algo estava errado. Hoje já se sabe, por exemplo, que, além destas conseqüências mais claras, há problemas não tão visíveis. "O aquecimento também muda as taxas de reações químicas dos componentes da atmosfera. Por conta dessas alterações, podemos ter produção de algumas espécies de forma mais rápida do que de outras. Isso pode ser uma conseqüência também", explica Pavão.

Quando estes sinais começaram a afetar a economia de alguns países, no entanto, surgiu uma cobrança mais intensa de políticas que colaborassem na redução dos prejuízos. Assim, criou-se a polêmica em torno da criação de acordos multi-laterais, como o protocolo de Kioto, que comprometessem as nações a combater as causas do aquecimento (leia mais no link "Soluções políticas). No Brasil não é diferente. No caso brasileiro, a grande questão se dá em torno dos problemas criados para a agricultura, elemento cada vez mais importante para a economia local.

Em um país de dimensões continentais, as conseqüências têm se apresentado de maneira distinta. Cada vez mais, regiões que tradicionalmente contavam com razoáveis períodos de chuva, como o sudeste e o sul, passam a conviver com longas estiagens. Ao mesmo tempo, as chuvas, quando chegam, superam completamente as expectativas – e o resultado, em alguns casos, chega a ser trágico, com fortes enchentes. Vale lembrar que, no início de 2004, a região Sul registrou a passagem do furacão Catarina, com ventos que variavam entre 118 km/h a 152 km/h.

Para exemplificar de maneira prática o que ocorre, pode-se tomar como exemplo a estiagem vivida no Rio Grande do Sul nos últimos anos. Sem chuvas, a quantidade de água do solo diminuiu sensivelmente, prejudicando o desenvolvimento da safra. "Tivemos uma estiagem no verão passado que prejudicou muito as plantações de milho e soja. A economia está começando a sofrer violentamente com o empobrecimento do campo e gerando índices de retração industrial e do comércio. O PIB do estado está começando a mostrar os números do que é uma seca prejudicando a produção agrícola", afirma Livi.

Segundo Livi, nos últimos dez anos, de cinco a sete safras foram prejudicadas pela falta de água no solo. O impacto, além de ambiental, também se transforma em um problema social. "O prejuízo por uma perda provocada pela falta de água é muito grande para a sociedade. E é para isso que precisamos nos preparar. Ou com pesquisas que possibilitem ter culturas que nos dêem uma garantia de resistir à estiagem ou medidas como procurar ampliar as áreas de florestas, que mantêm a água no solo por mais tempo", diz.

Soluções

Atualmente, são poucas as perspectivas para a solução do problema. Investir na redução dos chamados gases-estufa pode reduzir os prejuízos, mas não saná-los. Além deles, crescem problemas graves e que também tem interferência nesse contexto, como os desmatamentos, os incêndios, o crescimento da fronteira agrícola. Para o professor Livi, o homem pode acabar sendo surpreendido pela própria natureza, que pode encontrar no crescente aquecimento global a solução para revertê-lo.

"Acredito que talvez sejamos surpreendidos, se o aquecimento global gerar um aumento significativo de nuvens, que geram um alto índice de reflexão da energia solar. Dessa forma, poderíamos ter um efeito de redução do aquecimento provocado por ele mesmo. Não sabemos se vai ocorrer, mas, fisicamente, é possível que ocorra", explica Livi. "Podemos ser agraciados com esses efeitos, que gerariam uma atenuação do aquecimento global. Esses fenômenos naturais têm poder de agir sobre o clima do planeta até em curto prazo."

Ainda assim, eliminada a ação do homem no meio-ambiente, fica a incerteza de saber se estamos passando por um ciclo climático do planeta. Se for esse o caso, dificilmente saberemos. "Se observarmos os períodos da terra, já passamos por uma era glacial e depois veio o degelo. Por essa observação, sabemos que já houve um aquecimento natural da terra, há milhões de anos. Então, como esses ciclos são muito lentos, talvez a gente não viva para saber se vai passar", finaliza Pavão.







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