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Estudo da Unesp Rio Preto avalia processo reprodutivo de diferentes espécies de morcego

20/05/2010



Embora não se trate de um animal muito popular, o morcego exerce importante papel ecológico: atua como polinizador, dispersor de sementes e controlador das populações de insetos, além de contribuir substancialmente para o equilíbrio dos ecossistemas. Interessado em ampliar o conhecimento que se tem acerca de quatro espécies desse mamífero, com foco em processos ligados à reprodução e à formação de células, o doutorando em Biologia Animal da Unesp Rio Preto Mateus Rodrigues Beguelini realiza, desde 2008, a pesquisa ?Análise ultra-estrutural e imunocitoquímica da espermatogênese e nucleologênese em morcegos?, sob a orientação da professora Eliana Versute.

Uma das questões analisadas nas espécies em estudo ? Artibeus planirostris, Molossus molossus, Myotis nigricans e Platyrrhinus lineatus ? é a espermatogênese, ou seja, o processo de produção de espermatozoides. Outros processos que ocorrem simultaneamente a este também são avaliados, sendo comparados às espécies sob um ponto de vista sistemático-evolutivo. ?Apesar de morcegos neotropicais não apresentarem um período de hibernação, observamos que algumas espécies têm características reprodutivas próximas às desses morcegos, como a estocagem de espermatozoides na cauda do epidídimo, que é um pequeno duto que coleta e armazena os espermatozoides produzidos pelo testículo, e a regressão dos túbulos seminíferos, onde são produzidos os espermatozoides?, explica Mateus, destacando que sua tarefa é identificar o perfil espermatogênico de cada espécie e compará-los.

Outra linha da pesquisa é voltada ao processo dinâmico de formação do nucléolo ao longo da vida da célula do morcego, denominado nucleologênese. Segundo o pesquisador, a variação na quantidade de nucléolos pode estar ligada a características específicas de cada espécie. ?O procedimento consiste na marcação de áreas proteicas do nucléolo, para análise do comportamento ao longo de sua desorganização-reorganização?, explica. A pesquisa também envolve a avaliação do perfil reprodutivo sazonal das espécies (histologia e morfometria), na qual se encontram padrões diferenciais. Exemplo disso é a espécie M. nigricans, que apresenta uma assincronia em seu ciclo espermatogênico.

Papel relevante

Sobre o morcego, Mateus explica que integra a ordem dos Quirópteros, que compreende mais de mil espécies, constituindo a segunda maior ordem de mamíferos. ?Essa quantidade considerável de morcegos os tornou, por meio da evolução, adaptados a nichos e hábitos muito distintos, mas não menos relevantes?, destaca.

Esses animais são os únicos mamíferos que podem voar, sendo dotados de enorme capacidade de adaptação e ampla variedade de hábitos alimentares. São os possuidores da dieta mais ampla entre os mamíferos, além de contribuírem para o equilíbrio dos ecossistemas. ?Um morcego insetívoro se alimenta de até 60 insetos por noite. A espécie de hábito frugívoro, que se alimenta de frutas, por exemplo, é excelente semeadora por meio da defecação. Já os nectarívoros, atuam como polinizadores. Por isso, os morcegos são considerados grandes recompositores de florestas?, conclui Mateus.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho



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