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Noticia : Ciência
03/02/2012
Muitas pessoas gostariam de ter a habilidade de ler o que os outros pensam, como vemos em filmes e livros de ficção científica. Porém, novos estudos indicam que, em um futuro não tão distante, esse talento não será exclusivo de super heróis e telepáticos
(Crédito: Kateryna Upit / Shutterstock.com)
Um grupo de neurocientistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, informou que pode ter encontrado um método científico para ler a mente das pessoas. Conduzidos pelo pós-doutorado pesquisador Brian Pasley, os cientistas desenvolveram o procedimento de decifrar os sinais elétricos no cérebro de um ser humano, enquanto este escuta palavras de uma conversa. Após interpretar esses sinais, eles foram capazes de recriar o discurso imaginário da pessoa.
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O segredo desse processo se encontra no lóbulo do cérebro, que é responsável pela percepção auditiva. A atividade que ocorre no lóbulo temporal quando alguém escuta uma palavra ou frase, também ocorre quando essa pessoa imagina a mesma palavra ou sentença.
Segundo Robert Knight, pesquisador sênior no estudo e neurocientista da universidade, esse é um princípio básico do cérebro humano. Ele disse a FoxNews.com que, “a área que executa uma função cognitiva, também é ativada quando você imagina a mesma ação. Por exemplo, você levanta seu braço direito e depois se imagina fazendo a mesma coisa. As mesmas áreas que foram ativadas enquanto você levantava seu braço, também trabalham quando você apenas imagina esse movimento.”
Os pesquisadores pediram a pacientes epiléticos que eram submetidos a cirurgias cerebrais, se eles gostariam de participar da pesquisa enquanto estivessem internados. Antes das cirurgias, 256 eletrodos eram colocados na superfície de seus cérebros, para que, com a ocorrência das convulsões, os médicos pudessem determinar a origem exata do distúrbio. Algumas vezes esse processo levava cerca de duas horas, mas podia demorar semanas.
Outros 15 pacientes passaram um tempo extra no hospital enquanto estavam conectados aos eletrodos, e ouviram de 5 a 10 conversas. Pasley, então, desenvolveu um método para recuperar as palavras das conversas, utilizando os dados da atividade cerebral dos participantes. Ou, em outras palavras, reconstruir o que eles estavam pensando. Para Knight, o pesquisador “desenvolveu uma forma matemática de combinar os registros dos eletrodos colocados nos cérebros, com os sons característicos que os pacientes escutavam”. E conclui, “os algarismos desenvolvidos agora podem prever uma palavra que o paciente sequer ouviu antes”.
Para os pesquisadores, ainda há muito mais para ser descoberto, mas eles esperam que os dados recolhidos sejam suficientes para que engenheiros possam desenvolver artifícios de comunicação que auxiliem pessoas deficientes, seja por derrames ou outras doenças.
Segundo o pesquisador sênior, "se você conseguir um dispositivo que pode ser seguramente implantado e que realmente ajude os pacientes, não há dúvida que ele será empregado", Knight diz, "poderia ser usado por pessoas com problemas severos de controle muscular como a Esclerose Lateral Amiotrófica. Ou talvez por alguém com um dano cerebral parcial que controla a habilidade da fala".
Mais importante, Knight diz que essa pesquisa é essencial porque permite saber como o cérebro funciona, "pense do número de ações cognitivas que você realiza por dia – entendimento das palavras, controle motor ou sua concentração. Nós não sabemos muito sobre como o cérebro auxilia na execução dessas tarefas", para o pesquisador, entender como essas funções ocorrem e funcionam irá trazer "enormes implicações na forma como entendemos a cognição normal e muitos outros distúrbios psicológicos.
Porém, em termos de se tornar um telepático, Knight diz que ainda falta muito para que as pessoas consigam espionar os monólogos internos umas das outras, a não ser que elas planejem se submeter a procedimentos cirúrgicos, "você não pode transmitir seus pensamentos sem usar eletrodos, então se quiser ler os pensamentos de alguém, essa pessoa terá que implantar alguns eletrodos". As descobertas de Knight, Pasley e seus colegas foram publicadas do jornal PLos Biology, no dia 30.
Fuente: Universia Brasil
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