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"São vidas como a dele que a gente pode olhar e dizer: é possível", diz curadora da Exposição Silvio Santos Vem Aí

      
Gabrielle Araujo, cocuradora da exposição, André Sturm, diretor do MIS, Silvio Santos e Jacques Kann, diretor financeiro do MIS
Gabrielle Araujo, cocuradora da exposição, André Sturm, diretor do MIS, Silvio Santos e Jacques Kann, diretor financeiro do MIS  |  Fonte: Reprodução

A Exposição Silvio Santos Vem Aí abriu as portas em dezembro de 2016, e a Universia Brasil já deu o veredito: vale a visita. A exposição que conta a jornada do comunicador, e dá um grande panorama sobre a história da televisão e do rádio brasileiro foi reunida por pode ser visitada até o dia 12 de março desse ano, no Museu da Imagem e do Som (MIS) em São Paulo.

A Universia Brasil falou com a cocuradora da exposição Gabrielle Araújo. Confira o que ela tem a dizer sobre os bastidores da exposição, a vida de Silvio Santos e as lições que ele tem para dar.

Entrevista com a cocuradora Gabrielle Araújo

Universia Brasil: "De onde veio a ideia de reunir a coleção?"
Gabrielle Araújo: "A ideia veio de duas exposições anteriores que foram muito bem-sucedidas, foi a do Tim Burton – em que a gente teve a oportunidade de ter o artista vivo aqui, em plena exposição – e principalmente a do Castelo Rá-Tim-Bum.

São dois temas relacionados a TV que a gente fez no museu e que foram o maior sucesso que tivemos até hoje. Trabalhando na exposição do Castelo a gente percebeu que tem uma falta de cuidado muito grande com a memória televisiva brasileira, a gente percebeu que nossa sociedade não se preocupava de verdade em preservar o que é feito na TV e no rádio. Então nós queríamos muito falar dessa evolução do rádio, da TV no Brasil, e usar como plano de fundo.

Pensando em figuras que tenham importância histórica na comunicação, a gente não conseguia fugir, não conseguia não pensar no Silvio Santos. Por ser o maior comunicador de todos os tempos desse país, por ser uma pessoa que abrange diversas etapas da comunicação, pelo rádio, pela TV, empresário, é apresentador, então a gente quis usar essa linha do tempo da história do Silvio muito para homenagear também essa evolução dos veículos de massa do país.

Foi pensando nisso que a gente propôs para o Silvio esse projeto da exposição."

Universia Brasil: "Vocês contaram com a participação do Silvio?"
Gabrielle Araújo: "A gente queria muito que ele aprovasse o projeto, que ele por sinal recebeu de braços abertos. Porque não dá para contar a história do Silvio, sem o Silvio dando o OK para a gente ter acesso para os materiais dele. Então essa aprovação dele foi muito importante. Porém ele deu total carta branca para que fizéssemos um projeto sem ele ver nada, nem o layout. Ele praticamente não viu nada do projeto antes de ter vindo visitar no aniversário dele [no dia 12 de dezembro].

A gente contou muito com a colaboração de profissionais que trabalham com ele há muitos anos. Mas a colaboração que a gente teve dele direta, foi numa determinada etapa de pesquisa e produção, em que tínhamos muitas dúvidas, históricas e tal. Publicações sobre rádio e TV muitas vezes tem dados incorretos, e tem muita gente também que já morreu. Então nada melhor que o próprio Silvio para validar algumas informações. A gente começou a mandar muitas perguntas para a equipe dele, por isso eles acharam que seria interessante a gente conversar logo com ele. Nós conseguimos um encontro com ele antes da exposição abrir, um mês antes, que foi fundamental para tirarmos dúvidas históricas, de dados... Esse encontro apenas validou ou atualizou informações para a gente.

Universia Brasil:"A jornada do Silvio Santos é cheia de facetas, e a carreira na televisão é só uma parte. Como vocês decidiram o que entra na exposição e o que fica de fora?"
Gabrielle Araújo: "Na verdade, a gente fez esse raio-X da linha do tempo dele. Para você entender porque o Silvio se tornou tudo isso, e é tudo isso que ele é hoje, você precisa entender que a vida dele é uma coisa levou a outra, desde o início. Então a gente resolveu contar essa história de maneira cronológica, com coisas importantes do início dele antes da televisão, até a gente chegar nos programas icônicos e TV.

Obviamente a gente sempre deixa um ou outro programa de fora, então a gente privilegia os primeiros impactos, os que marcaram uma época, na questão da linguagem, na questão de sucesso de público, então a gente seguiu esse critério de inovação e importância histórica. Até para contar sobre esses programas a gente cita outros como plano de fundo."

Universia Brasil: "Quanto tempo levou para reunir todos os materiais da exposição?"
Gabrielle Araújo: "A gente começou de fato a ir atrás dos acervos depois do OK do Silvio Santos. Esse OK dele veio em meados de abril ou maio, e desde então a gente se debruçou a ir atrás desses acervos, ouvir material, consultar muita gente e assim por diante. Estamos nos debruçando nisso desde abril ou maio."

Universia Brasil:"Alguma coisa legal que teve que ficar de fora?"
Gabrielle Araújo: "Sempre tem alguma coisa que tem que ficar de fora, afinal são 60 anos de história. A gente procurou sair da obviedade, de coisas que eram muito manjadas pelo público. Focamos em trazer coisas que fizessem as pessoas entenderem essa evolução dele, como ele se tornou quem ele é, e ao mesmo tempo quanto o Silvio abrangeu outras linguagens. Pouca gente sabe que ele produziu um longa-metragem, que ele tinha uma empresa para produzir cinema, que a paixão de infância dele por cinema se transformou em tentar entrar nesse ramo. Então vamos mostrar um pouco disso. A gente privilegiou informações que são muito curiosas, até fotos e vídeos que são muito inéditos e assim por diante."

Universia Brasil:"Qual foi a coisa mais curiosas que vocês encontraram?"
Gabrielle Araújo: "A gente tem várias coisas curiosas. Como a câmera que inaugurou a primeira transmissão da televisão brasileira em 1950. Eu destacaria também o áudio da rádio Nacional de São Paulo, o público fazia o áudio dele na rádio, eu destacaria também o programa Imagens e o Programa Boa Noite Cinderela, que não existem mais. É um arquivo que se perdeu nas emissoras. É um trecho que foi gravado e achado por um colecionador. A campanha eleitoral dele em 89, que poucas pessoas tiveram o privilégio de assistir. Tem também o filme [Ninguém Segura Essas Mulheres] que ele fez, que tem o Tony Ramos no elenco, a Vera Gimenez, o Luís Carlos Miele, o Dennis Carvalho. Tem um elenco de globais nesse filme, e foi produzido pelos estúdios Silvio Santos. E foi o único filme que ele produziu na vida. A gente até passa ele na Exposição, e tem fotos e tudo. Esses materiais são bem curiosos e interessantes para quem vai conhecer."

Universia Brasil: "Olhando para a jornada de Silvio Santos a gente percebe que, além de tudo, ele também foi um grande empreendedor. Que lição um jovem empreendedor poderia tirar da vida dele?"
Gabrielle Araújo: "Ele inspira muito os jovens de uma maneira geral principalmente pela persistência. Ele foi uma pessoa que sempre persistiu muito nas coisas que ele queria. Além disso, ele soube aproveitar muito bem os talentos que ele tinha, foi muito esperto nesse sentido. Uma pessoa muito sagaz em utilizar os seus dons de negociar, os dons da fala, os dons de entender os negócios. Tem também o fato de ele sempre ter sido uma pessoa muito correta nas decisões que tomou, na vida empresarial e pessoal dele.

Eu acho que essas coisas somadas são muito inspiradoras. Eu sempre acho que a gente vive num país do jeitinho, do esquema, as pessoas sempre acham que as coisas não dão certo se você não fizer algum esquema. E o Silvio é um exemplo da honestidade dando certo. De uma pessoa que teve perseverança e nunca foi aproveitadora, que sempre foi muito correta no seu talento, no seu potencial. Mesmo enfrentando muitas dificuldades ao longo da carreira ele sempre acreditou em si mesmo e onde ele podia chegar. Então eu acho isso muito inspirador. São vidas como a dele que a gente pode olhar e dizer: é possível."

Universia Brasil:"Porque Silvio Santos também é arte?"
Gabrielle Araújo: "Eu acho que existe uma arte da comunicação. A arte no sentido da criação de uma linguagem e eu acho que ele usa essa arte de comunicar muito bem. Ele criou um estilo, é uma referência. O Silvio Santos é a personalidade, o comunicador, mais imitado do país. Então eu não sei se eu diria que é arte, mas ele criou um estilo de comunicação muito único e ímpar, que faz com que ele seja uma referência na história da comunicação brasileira."



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