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Resumo: Realismo para Enem e vestibulares

      
Resumo: Realismo para Enem e vestibulares
Resumo: Realismo para Enem e vestibulares  |  Fonte: Universia Brasil

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O realismo é o movimento seguinte ao romantismo do século XVIII e XIX. Ele começa oficialmente em 1851 com o lançamento de Madame Bovary de Gustave Flaubert, e em clara oposição aos ideais românticos. Se o movimento anterior era da burguesia, para a burguesia, o realismo faz o contrário. Ele chega para expor tudo o que tem de errado com ela, e até se aproximar do retrato da pobreza.

A Universia Brasil em parceria com o professor de literatura do Anglo VestibularesAndré Koloszuk preparou um resumo sobre os principais pontos do realismo cobrados pelo Enem e vestibulares.

De acordo com ele, esse é um movimento literário muito cobrado pela Fuvest, Unicamp, e outros vestibulares com autores realistas nas suas listas de leitura (como Machado de Assis e Aluísio Azevedo).

Contexto Histórico

Na segunda metade do século XIX, a sociedade europeia estava maravilhada com o poder da ciência. Apareceram os primeiros aparelhos eletrônicos, a primeira lâmpada e eram dados os primeiros passos da Revolução Industrial. Não havia mais nenhum pedaço do mundo em que um europeu não tivesse chegado.

Ao redor do mundo, a escravidão foi sendo substituída pelo trabalho operário e a mão-de-obra infantil. As cidades começaram a crescer e atrair números maiores de pessoas, e com isso a miséria também cresceu.

Foi a época da queda do império de Napoleão, e da ascensão da pequena burguesia. Esse novo grupo que chegava ao poder não se interessava pela “arte pela arte” da alta burguesia, e sim examinar e entender esse mundo novo que se desenvolvia na frente dos seus olhos. Para eles, a melhor forma de fazer isso seria sem filtros, e apontando todos os defeitos da geração anterior.

Enquanto isso no Brasil...

O realismo chegou num Brasil que já era independente e que estava prestes a abolir a escravidão. Por mais que o movimento tenha tido alguns anos de atraso em relação à Europa, o realismo brasileiro é semelhante ao europeu. Em 1881, o movimento foi inaugurado no Brasil com a publicação de “Memórias Póstumas de Brás Cubas” de Machado de Assis.

A obra é um romance realista por excelência. Brás Cubas é um burguês mimado, que nunca trabalhou na vida, não tem noção do que acontece ao seu redor e sempre que alguém lhe pede ajuda a resposta é: “Trabalhe”. Durante o livro inteiro, o burguês é criticado pelo seu próprio fantasma, numa denúncia clara às hipocrisias burguesas.

Principais características

O realismo é um movimento de oposição ao romantismo. Sendo assim, ele rejeitava a subjetividade, a idealização e a valorização dos sentimentos. Para um realista, o que importa é a realidade como ela é, e que ela seja apresentada com certo distanciamento, de forma objetiva. Por isso, a terceira pessoa é muito mais comum nesse período que no anterior.

“Para um realista, antes a pior das realidades que o melhor dos sonhos.”

A denúncia social, principalmente envolvendo a burguesia e as suas hipocrisias, é cada vez mais comum. Pela primeira vez, a pobreza vai ser um tema da arte acadêmica, mesmo que ainda seja secundário à crítica das elites.

Num momento posterior ao realismo está o naturalismo. O movimento era muito parecido com o realismo, a diferença é que ele se apoiava nas teorias cientificas que surgiam na época para elaborar romances de tese. Então os autores liam as teorias positivistas, darwinistas, socialistas e deterministas e depois elaboravam narrativas que comprovassem que essas ideologias estavam corretas.

O detalhe é que, diferentemente do que acreditavam os acadêmicos do século XIX, a pseudociência da época era muito preconceituosa, e isso é visível nas obras naturalistas. Um exemplo disso é “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo. Entre vários exemplos, é possível apontar a trajetória de Gerônimo: o português trabalhador que, ao se “abrasileirar”, vira um vagabundo, preguiçoso.

Principais artistas

Machado de Assis

Machado de Assis

Escritor brasileiro
1839-1908

Machado de Assis foi quem introduziu o realismo no Brasil, mesmo que já tivesse se estabelecido bem antes com obras românticas. Ele nasceu pobre, e ascendeu socialmente apenas com a sua inteligência e determinação, nunca frequentou uma universidade. Foi o fundador da Academia Brasileira de Letras e o autor de romances, peças teatrais, crônicas e poesias.

Aluísio Azevedo

Aluísio Azevedo

Escritor brasileiro
1857-1913

O escritor Aluísio Azevedo é uma presença frequente nas listas de leitura dos vestibulares com a obra “O Cortiço” . O célebre romance de tese conta a história de um cortiço e dos seus moradores, retratando o ser humano de forma animalizada, e dando destaque às desigualdades sociais. As teorias cientificistas, como o determinismo, são muito fortes na obra. O narrador em terceira pessoa sabe tudo o que acontece, e usa esses conhecimentos para reforçar as forças do meio e das companhias nas ações das pessoas.

Realismo na arte:

Plantadores de Batatas de Jean François Millet

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O Violeiro de Almeida Júnior

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Nighthawks de Edward Hopper

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Como cai?

(UFRN)
A passagem transcrita abaixo faz parte do capítulo IX (“Transição”), de Memórias Póstumas de Brás Cubas:

E vejam agora com que destreza, com que arte faço eu a maior transição deste livro. Vejam: o meu delírio começou em presença de Virgília; Virgília foi meu grão pecado da juventude; não há juventude sem meninice; meninice supõe nascimento; e eis aqui como chegamos nós, sem esforço, ao dia 20 de outubro de 1805, em que nasci. Viram? Nenhuma juntura aparente, nada que divirta a atenção pausada do leitor: nada.

(ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ática, 2000.)

Este fragmento ilustra bem o estilo narrativo da obra, que é marcada pela
a) liberdade técnica com que se encadeiam os eventos da história.
b) rigidez da técnica narrativa, indispensável à Escola Realista.
c) fidelidade à ordem cronológica linear dos acontecimentos.
d) negação da cientificidade narrativa típica da Escola Romântica.

Alternativa: A


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