Friday :: 28 / 11 / 2014

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Para transformar o conhecimento em riquezas

Novo presidente da FAPESP quer ampliar a capacidade de fomento à pesquisa no país


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A maior fundação de incentivo à pesquisa do Brasil está sob nova direção. Oficialmente nomeado no último dia 12 de junho - após a publicação no Diário Oficial do Estado -, o professor de semântica e lingüística da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Carlos Vogt, tomou posse hoje como novo presidente da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), entidade que vai controlar pelos próximos três anos.

Durante a cerimônia, Vogt declarou que vai manter a politíca atual de investimento procurando atender todas as linhas de pesquisa. Colocou como desafio o objetivo de manter a FAPESP com uma administração que garanta a qualidade na manutenção das pesquisas atuais - entre elas o projeto Genoma - e que, ao mesmo tempo, analise cuidadosamente novas solicitações.

Membro do Conselho Superior da entidade desde o ano passado, Vogt foi indicado juntamente com outros dois conselheiros, o físico Nilson Dias Vieira e o historiador José Jobson de Andrade Arruda, para integrar a lista tríplice entregue ao governador do estado, Geraldo Alckmin.

Antes de ser eleito presidente da FAPESP, o lingüista teve outras experiências administrativas, a maior dela entre 1990 e 1994 quando comandou a Unicamp. O novo reitor assume o cargo em substituição ao professor Carlos Henrique de Brito Cruz, recentemente eleitor reitor da estadual campineira e que solicitou afastamento para se dedicar exclusivamente ao novo cargo.

Um dos principais projetos da gestão de Vogt à frente da FAPESP será a ampliação da capacidade de fomento à pesquisa da entidade. No mais, o novo presidente não pretende alterar as políticas de incentivo praticadas nos últimos anos. "Um dos objetivos da gestão é dar continuidade a essa linha de trabalho segura e, ao mesmo tempo, ousada adotada pela fundação", afirma.

Confira todos os projetos e as propostas do novo presidente da FAPESP, professor Carlos Vogt, na entrevista concedida ao portal Universia Brasil.

Universia: Qual a importância de ser o presidente de uma fundação como a FAPESP?

Carlos Vogt: No mundo acadêmico a FAPESP é uma instituição tão bem quista, prestigiada e estimada que ter tido a oportunidade de assumir a sua presidência é uma conquista e uma distinção que realmente importa muito do ponto de vista da carreira acadêmica. Eu considero um dos grandes momentos da minha carreira juntamente com a reitoria da Unicamp, que foi um grande desafio, mas um momento muito importante. Para mim uma questão de satisfação pessoal, mas sobretudo uma extrema satisfação intelectual também.

Universia: No que a sua experiência como reitor da Unicamp (1990-1994) pode ajudar no comando da FAPESP?

Carlos Vogt: Eu fiquei praticamente oito anos no comando da Unicamp, isso porque na gestão anterior a minha, fui vice-reitor e cuidei bastante da parte administrativa da universidade e das questões internas. Eu acho que essa experiência prepara para uma circulação neste meio, onde é preciso tratar os diversos assuntos com objetividade, serenidade, clareza e visibilidade. Dirigir uma universidade grande como a Unicamp foi uma preparação muito boa para o comando da FAPESP. Todas estas experiências permitem vivência enriquecedora.

Universia: Quais são os principais desafios que o senhor vai enfrentar nessa gestão e quais são as principais dificuldades que a agência enfrenta hoje?

Carlos Vogt: Um dos objetivos da gestão será, é claro, dar continuidade a essa linha segura e ousada que a FAPESP adotou. Não só por manter seus programas tradicionais de bolsas e auxílio à pesquisa, mas também por inovar e criar paradigmas de políticas públicas no que diz respeito aos grandes programas de pesquisa como o Genoma.

Enfim, o importante é que daremos continuidade a este processo, e isto já requer um grande esforço. Não só pelo volume de investimento, mas também pela necessidade constante de um processo de avaliação para que os retornos sejam aqueles esperados.

Do ponto de vista dos maiores desafios, o primeiro deles é manter o equilíbrio nas políticas de investimento e financiamento de pesquisas básicas, aplicadas e tecnológicas. Tudo isso resultando num desafio bastante grande, não só para a FAPESP, mas para o país também, que é propiciar e contribuir para a transformação do conhecimento em riqueza.

Por mais simples que pareça, essa é uma equação complexa. Simplesmente porque ela depende da criação de uma cultura de investimento, de parceria, da diminuição das incertezas do setor empresarial quanto aos investimentos de risco e isso depende de uma série de fatores. Acho que a FAPESP tem um papel importante neste sentido.

Do ponto de vista da filosofia em geral, é preciso não perder a visão de que sem ciência básica nós não vamos a lugar nenhum. Por isso, é preciso continuar investindo tanto nas grande pesquisas como nos projetos de balcão (demanda espontânea).

Há um desafio prático que, vamos ter de enfrentar imediatamente, é consolidar o recebimento da doação de uma área de 23 alqueires próximos ao CEAGESP, feita pelo governo federal. Este empreendimento vai requerer uma atenção e um trabalho especial para firmarmos isso antes do término do Mandato do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. E só depois entrar no processo de discussão, de debate, de refinamento, da destinação que esta área terá dentro dos princípios e objetivos estatutários da fundação.

Universia: Dentro de todos estes objetivos traçados, quais são os principais projetos que serão desenvolvidos durante a sua gestão?

Carlos Vogt: Uma das coisas que a FAPESP, sabiamente, criou e acho que tem muito a ver com o alcance destes objetivos foi o programa de incentivo aos divulgadores da ciência. A criação do Programa Mídia Ciência é uma inovação bastante grande, exatamente porque este programa permitirá a formação de profissionais que serão atores importantes das relações críticas e reflexivas entre a ciência, os que fazem a ciência e os beneficiários da ciência.

Creio que isso faça parte de uma estratégia da fundação em sair de dentro de si mesma, mas cumprindo sempre os seus princípios estatutários. Ao mesmo tempo, a agência deve estar atenta à relevância social e econômica referente àquilo que faz e ao que isso representa para a sociedade. Penso que essa é uma tarefa que vai ocupar a mim e a toda comunidade da FAPESP. No entanto, hoje os grandes programas já estão mais ou menos traçados.

Universia: Neste sentido, existe alguma preferência ou prerrogativa que indique as áreas que devem receber o auxílio da FAPESP?

Carlos Vogt: Aí você tem as carências. Por exemplo, um setor que está ligado a biotecnologia, mas que é um nicho muito especial é o setor de fármaco. O Brasil tem uma competência grande nessa área. Toda essa política ligada a esta questão de patentes e da atuação do ministério da saúde com relação ao custo de medicamentos para os grandes programas de assistência como o da AIDS etc só pode valer porque tinha a retaguarda de grandes instituições como Manguinhos (Laboratório integrado da Fiocruz - Fundação Oswaldo Cruz) por exemplo.

Este é um setor que eu acho que é um nicho de competitividade muito grande, porque o Brasil é um dos países mais ricos em biodiversidade de todo o planeta. Esta riqueza poderia dar ao país condições de competitividade na produção de fármacos na linha de produtos naturais que talvez não requeressem investimentos tão altos.

Identificar esses nichos e formular políticas que atraiam parceiros é uma atividade que requer uma tecitura importante. No entanto, não devemos esquecer a área de humanas, que envolve toda a parte cultural o que é fundamental para que se tenha, ao mesmo tempo, os mecanismos de produção do conhecimento e geração de riqueza.

Universia: A grosso modo, as pesquisas nas áreas biológicas tem um destaque maior do que as pesquisas nas áreas de humanas, por quê?

Carlos Vogt: Existem várias explicações. Do ponto de vista da ciência, uma das razões é o fato de que hoje você tem uma grande quantidade de parceiros industriais interessados na identificação de princípios ativos e novas moléculas que permitirão o desenvolvimento de produtos industriais que encontrem nichos de mercados importantes.

A questão aí não é propriamente as ciências humanas e as biológicas, o corte interessante é a física e as ciências biológicas. Porque até um determinado momento, você tem um alto investimento que são destinados a ciências da natureza e, de repente, as ciências biológicas passam a concorrer em igualdade de demanda. Isto tem muito a ver com o cruzamento das áreas de conhecimento que o próprio desenvolvimento da física e das tecnológicas.

Os grandes avanços alcançados pela área biológica foi em virtude do desenvolvimento da própria física da matemática etc. Hoje, o grande desafio para as agências é exatamente ver com clareza e vislumbrar estes programas multidisciplinares e multi-institucionais onde atuam efetivamente atores de diferentes origens acadêmicas e de formações.

Universia: Na sua opinião quais são os principais projetos que a FAPESP fomenta hoje?

Carlos Vogt: Para não ser simplista, mas sendo simples: todos. Temos programas nas mais diferentes áreas do conhecimento como o projeto genoma por exemplo. Portanto, temos escalas de programas e projetos como os programas de inovação tecnológica, as parcerias com o setor empresarial o Nuclitec etc. Eu acho que, de fato, todas estas variedades de projetos, ao invés de mostrar uma pulverização, mostram uma capacidade de atuação organizada da fundação a partir de uma política de formulação objetiva de políticas públicas de ciência e tecnologia e ao mesmo tempo de criação de condições favoráveis ao desenvolvimento e a pesquisa no país.

Universia: Há 40 anos, a FAPESP apóia todas as áreas da ciência e tecnologia. Este é o melhor momento da instituição?

Carlos Vogt: ? um momento de alta expansão, de grande desenvolvimento, credibilidade e visibilidade da instituição. Não só no estado de São Paulo, mas em todo o país e também no exterior. A FAPESP é uma instituição paradigmática considerada como instituição de excelência pela National Science Foundation (EUA).

Acho que é um momento extremamente rico e, por isso mesmo, extremamente desafiador. Isso porque faz parte de um processo de desenvolvimento que nós esperamos que tenha continuidade. E, eu espero poder contribuir para que este processo continue nessa linha.

Universia: Desde 1995 a FAPESP auxilia o Comitê Gestor da Internet com o registro de domínios eletrônicos e isso tem causado um certo desconforto. Por que o gerenciamento dos endereços da Internet é tão contestado?

Carlos Vogt: Quem controla esta questão de domínios é o Comitê Gestor da Internet e é ele que tem a prerrogativa institucional legal para tanto. A FAPESP, na verdade, funciona nesse caso prestando um serviço para o comitê gestor. Essa é uma questão controversa não só aqui no Brasil, ela é controversa no mundo todo. Sobretudo porque se trata de um campo onde as legislações ainda são bastante incipientes. Contudo, o objetivo da FAPESP, que vem prestando este serviço, é deixar de fazê-lo, devolvendo-o para o Comitê Gestor da Internet para que ele arrume uma outra solução. O Comitê definirá juntamente com os ministérios de Comunicações e de Ciência e Tecnologia uma maneira mais permanente e definitiva para o gerenciamento deste serviço.
Inclusive, a FAPESP já comunicou ao Comitê Gestor da Internet sobre a sua decisão de deixar de prestar este serviço, porque isso não é missão nem tarefa da FAPESP.



Universia: O que a comunidade acadêmica pode esperar da sua gestão a frente da FAPESP?

Carlos Vogt:
Estamos absolutamente convictos de que é preciso manter a instituição nesta linha de atuação, com este tipo de compromisso de atuação não só no nível da concessão dos investimentos, mas também na manutenção do equilibrio no atendimento as demandas dos projetos e programas de pesquisas básicas, aplicadas e tecnológicas. Além disso manter a FAPESP aberta ao atendimento das necessidades das diferentes áreas do conhecimento.







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