Notícias

Jogada de profissional

      
Uma boa notícia para os fanáticos em jogos eletrônicos: criar e desenvolver games é um mercado de trabalho em franca expansão que começa a merecer a atenção das IES na forma de disciplinas optativas, especialização e até mesmo graduação.

A PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), por exemplo, oferece a disciplina eletiva "Arte e Design de Jogos Eletrônicos", aos alunos matriculados em qualquer graduação da instituição. São duas horas semanais durante seis meses dedicadas ao aprendizado do mundo dos games. A primeira parte é direcionada às discussões sobre o mercado, interface de desenvolvimento, novas tecnologias, indústria de entretenimento eletrônico e roteiros. Depois, é hora de colocar a mão na massa. São formados grupos para elaboração de trabalhos práticos que envolvem toda a produção de um jogo eletrônico, como animação, enredo e programação. "Os alunos se integram ao curso com vontade, trazem idéias e participam ativamente das aulas. O interesse em aprender é evidente", descreve uma das professoras da disciplina, Maria da Graça Chagas.

aluno do sétimo período de Desenho Industrial da PUC-Rio, Guilherme Xavier, é um dessesestudantes enstusiasmados. Ele fez parte da primeira turma a cursar a disciplina e é um apaixonado por games "As aulas mostraram todas as facetas da produção de um jogo. E como desejo ser um profissional da área, isto ajudou na orientação do caminho que pretendoseguir", conta.

Se depender da avaliação de mercado do professor de computação gráfica da PUC-Rio, Bruno Feijó, Xavier terá emprego garantido. "O Brasil tem tradição ser exportador de profissionais da área informática para as maiores empresas de tecnologia do mundo e na área de games não será diferente", confia. E para comprovar, exemplifica dizendo que o kit de criação de games e aplicações em terceira dimensão utilizado nas aulas é totalmente nacional, desenvolvido pela empresa de design e computação gráfica Paralelo.

De olho neste mercado, o UniCenp (Centro Universitário Positivo), no Paraná, criou uma especialização em Desenvolvimento de Jogos. O curso tem um total de 420 horas de aulas e trabalha com a construção de jogos eletrônicos com inteligência artificial e conceitos de design. A segunda terá início em 2003.

A Universidade Anhembi Morumbi, de São Paulo, foi ainda mais longe e anuncia o lançamento de uma graduação específica para a área. Trata-se do curso de Design e Planejamento de Games que mistura disciplinas das áreas de computação e programação; cultura e pesquisa; planejamento e design. A idéia é habilitar o profissional para o mercado de jogos eletrônicos, simuladores e até mesmo formar pesquisadores no setor que busquem novas tendências. "Nosso objetivo é formar um aluno capacitado para criar e desenvolver produtos, mas também preparado para criar sua própria empresa", afirma a coordenadora do curso, Mônica Moura. As aulas estão previstas para começar no primeiro semestre de 2003.

Pirataria: o bicho papão do mercado

O grande vilão do mundo dos games é sempre o mesmo: a pirataria. O diretor da W-Aura, empresa desenvolvedora de jogos, Fernando Wagner da Silva, recentemente realizou uma pesquisa encomendada pelo Banco Opportunity, e descobriu que, no Brasil, a pirataria atinge 90% das vendas (ou seja, de cada 10 jogos vendidos no país, apenas 1 é original; os demais são cópias piratas). O que causa uma grande retração no mercado formal. "Quando um jogo vende 70 mil cópias no Brasil o fabricante comemora como algo bastante expressivo em termos de venda. Mas este número é incompatível com a potencialidade do mercado. Em países como Japão e Estados Unidos, um game tem de vender mais de 200 mil unidades para não ser considerado um fracasso comercial".

Silva comenta que a pirataria acaba influenciando na receita das grandes produtoras e, como conseqüência, muitos títulos deixam de ser lançados no país. "O Brasil movimenta US$ 150 milhões anualmente neste segmento enquanto no mundo este valor chega aos US$ 20 bilhões. Isso deixa o Brasil com uma parcela muito pequena de mercado, o que acaba assustando os grandes fabricantes".

Uma das soluções para se evitar a pirataria pode estar nos Games Massivo Multiplayer - plataforma de jogos disputado somente pela internet, que exige que o jogador esteja conectado a um servidor central, onde encontra seus adversários e disputa batalhas online. "Com esta tecnologia as desenvolvedoras podem distribuir o game gratuitamente e cobrar uma taxa baixa, como US$ 5 por mês", conta Silva.

"Depois de manter contato com grupos acadêmicos e privados de criação de games no Brasil, descobri que a tecnologia desenvolvida aqui no país não deixa nada a dever quando comparada aos grandes fabricantes mundiais. Esta capacidade intelectual e tecnológica já coloca o Brasil como um grande exportador de profissionais, ao lado de China e Rússia. Por isso, acredito que, assim que a questão do mercado ilegal de games for controlada no país, os investimentos vão surgir naturalmente e teremos mais chances para o mercado nacional expandir comercialmente e tecnologicamente", prevê Silva.

  • Fonte:


Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.