Wednesday :: 26 / 11 / 2014

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Lista Vermelha

Ibama divulga nova lista de animais ameaçados de extinção.


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A nova lista da fauna brasileira ameaçada de extinção, divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente, trouxe uma triste constatação: o aumento do número de animais ameaçados de extinção. Na última lista, de 1989, foram registradas 218 espécies, na nova listagem este número subiu 395. Isso significa que, dos 3.131 animais mamíferos, aves, répteis, anfíbios e invertebrados terrestres da fauna brasileira - excluindo os peixes e invertebrados marinhos -, 8,5% correm o risco de serem completamente extintos da natureza. De acordo com especialistas que participaram da elaboração do documento, este resultado só foi possível por causa do uso de instrumentos de pesquisas mais avançadas e a inserção de novas classes animais, que permitiram traçar parâmetros mais concretos sobre o bioma nacional.

O avanço na nova relação de animais em extinção, chamada também de "lista vermelha", comparada a de 1989, tem como fator principal o melhor domínio do conhecimento cientifico e o emprego de aparatos tecnológicos, que permitiram aos cientistas visualizaram aspectos do desmatamento, controle de populações de animais e a consulta de listas estaduais. "Estas ferramentas ajudaram em uma melhor compreensão da fauna brasileira. Isso resultou em uma relação de animais mais realista", disse o professor de Zoologia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e um dos coordenadores da lista do Ibama, Angelo Machado.

No entanto, segundo Machado, os fatores que causam a extinção de animais ainda são os mesmos, como os desmatamentos, as caças predatórias e os incêndios criminosos que ocorrem nos ecossistemas. Além disso, algumas espécies são erradicas por fatores isolados, como a destruição total de uma área para a construção de uma cidade, de um pasto ou para a mineração. "No nosso subsolo, por exemplo, existem espécies que nunca foram vistas ou catalogadas. Uma simples obra que atinja este meio, pode ocasionar o desaparecimento de espécies que nunca foram vistas", diz.

A lista vermelha é resultado de um trabalho do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis), orgão do Ministério do Meio Ambiente, em conjunto com a Fundação Biodiversitas e a Sociedade Brasileira de Zoologia. A pesquisa contou com a participação de mais de 200 zoólogos e consumiu cerca de dois anos de estudos. Para preparar a relação de animais em extinção, que seguiu os critérios da IUCN (União Internacional para a Natureza), os cientistas se reuniram e debateram quais espécies deveriam integrar uma lista prévia. De acordo com Machado, cada cientista indicou os espécimes a qual acredita estar em perigo. "Depois das indicações, foram divulgadas na Internet as informações sobre determinado animal para que pesquisadores do Brasil inteiro pudessem opinar se ele deveria ou não integrar a lista".

O resultado desta lista prévia foi três vezes maior do que a definitiva. A partir deste ponto foram empregados os critérios para a triagem das espécies que foram incorporadas à lista e, também, a categoria de ameaça de extinção em que ela se encaixava. Machado conta que para isso eles utilizaram, basicamente, duas regras. A primeira foi comparar a diminuição da espécie em seu habitat. Se a população total de um determinado animal estivesse reduzida a 50% nos últimos 10 anos, a espécie foi considerada Vulnerável; se este número alcançou 70%, Em perigo; se 90%, o grau mais elevado, foi qualificado como Criticamente em perigo. Já o segundo critério considerou que se uma população de animais vive em uma área igual ou menor que 20 mil KMý, eles estão vulneráveis, porque um incêndio pode extingui-los facilmente", enfatiza Machado.

Pela complexidade dos levantamentos e classificação das espécies, o IBAMA divulgou, inicialmente, a relação de 2003 sem as categorias dos peixes e invertebrados marinhos. Machado explica que a lista destas espécies deverá ser divulgada dentro de dois meses. "Percebemos que estas duas categorias de animais exigiam mais pesquisas. Por isso, o IBAMA e o grupo de pesquisadores decidiram aguardar a obtenção de dados mais concretos das espécies marinhas que estão ameaçadas para a divulgação da relação atualizada", conta.

Mas qual a razão de uma lista de animais ameaçados? O professor de Zoologia da PUC-Minas (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais), Adriano Chiarello, que coordenou o grupo cientifico que pesquisou os mamíferos, argumenta que a relação de espécies ameaçadas é importante porque ele funciona como uma referência para a elaboração de projetos de leis e programas para a preservação de animais. "A partir dela é possível definir quais animais que correm mais riscos e, assim, definir estratégias concretas de preservação". Machado ressalta que os recursos para a conservação de espécies no Brasil são escassos e, por esta causa, a lista se torna mais importante. "Com a lista, conseguimos fazer projetos mais eficazes", diz.

Sinal Vermelho

A nova relação de animais em extinção identificou que das 395 espécies apresentadas, oito desapareceram completamente. São elas: três insetos, duas minhocas, uma perereca e quatro aves - destas, duas ainda são encontradas em cativeiro. Já as espécies que passaram a condição de ameaçados de extinção se destacam o Macaco-Prego e a cobra Jararaca. Mas por outro lado, a relação também trouxe uma agradável surpresa: a ausência de alguns animais que estavam catalogados no levantamento de 1989, são eles: a onça pintada e o jacaré do papo amarelo.

Uma das grandes surpresas da lista, segundo os especialistas, foram os animais invertebrados terrestres - escorpiões, minhocas e aranhas. Na lista elaborada em 1989, somente uma espécie foi catalogada, na nova relação são 21 animais. O professor do IB-USP (Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo), Antônio Brescovit, que nesta listagem pesquisou a categoria de invertebrados terrestres, destaca que a maioria destes animais são endêmicos - espécies que vivem somente em um local. Por esta causa, quando há a destruição de seu habitat, extingue-se, de uma só vez, toda a população do espécime. "Hoje, podemos dizer, que o maior responsável pela degradação é a mineração de cavernas", destaca. Brescovit afirma, ainda, que é muito difícil preservar estes animais. "Para preservá-los é necessário uma política que proteja grandes áreas que possuem cavernas da mineração. Mas isso dificilmente vai acontecer porque a maioria das mineradoras são clandestinas."

A preservação é uma estratégia, teoricamente, fácil de ser elaborada, porém, complicada de ser executada, explica o zoólogo da PUC-Minas. Chiarello afirma isso pela sua experiência na coordenação do grupo que pesquisou a classe de mamíferos, que catalogou, neste ano, 79 animais, contra 76 da relação de 1989. Em seu grupo de pesquisa, o cientista destaca o caso das baleias, que hoje somam seis espécies ameaçadas contra uma da última lista. "Mesmo sendo alvo de uma forte proteção internacional, as baleias, principalmente as das raças Mink e Azul, que migram pelas costas marítimas de vários países, sofreram muitas baixas por causa da pesca predatória", esclarece.

Na maioria dos casos de extinção, é difícil prever quais serão as conseqüências no meio ambiente, por causa das particularidades de cada animal. Chiarello conta que, geralmente, o que ocorre são mudanças traumáticas na cadeia alimentar, que pode resultar na extinção ou na superpopulação de alguns animais. Neste processo até as plantas ficam ameaçadas, porque muitos animais ao comerem os frutos das florestas, espalham as sementes pelo chão, mantendo, desta maneira, o ciclo de renovação do meio ambiente.

Para Machado o termo extinção vai mais além do que denegrir o ecossistema. O zoólogo considera a extinção, por exemplo, de uma da arara, uma perda estética e moral para a humanidade. "Como o homem permite que um pássaro tão grande, possa ser exterminado e vendido em formas de roupas e colares. Isto é uma vergonha". Outro exemplo citado por ele é que ao exterminar qualquer animal que seja, o homem está contribuindo para a erradicação da própria espécie humana. "Todos falam que a cobra é um bicho que não deveria existir. No entanto, a jararaca salvou mais vidas do que matou, porque seu veneno é utilizado para a fabricação de um remédio que controla a hipertensão", conclui.







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