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O difícil retorno das férias

Aproximadamente 35% dos trabalhadores sofrem de depressão pós-férias


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Por Crislaine Coscarelli

As férias acabaram e você retornou ao trabalho sentindo desânimo, cansaço profundo, alterações de apetite (para mais ou para menos) e até taquicardia? Cuidado, você pode estar sofrendo de depressão pós-férias. A síndrome, mais uma que surgiu com os maus hábitos dos tempos atuais, dura pouco tempo, mas pode fazer com que o indivíduo perca todos os benefícios que conquistou com a merecida pausa ou que volte ainda mais cansado e estressado que antes.

Este tipo de depressão foi detectada por pesquisadores espanhóis da Universidade de Valencia em agosto do ano passado. Ela é encontrada mais facilmente em jovens, mulheres e crianças, neste último caso surge após grandes pausas nos estudos. Segundo a pesquisa não se trata de uma depressão "clássica", já que não necessita de tratamento e ocorre por cerca de uma semana.ÿ

Aproximadamente 35% dos trabalhadores sofre de algum tipo de depressão pós-férias, segundo pesquisa realizada pela International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR), associação internacional que estuda métodos de prevenir e tratar o estresse. O estudo indica que uma semana após o retorno das férias, de 20% a 25% das pessoas relatam estar com o mesmo nível de estresse de antes das férias. "Em geral, a pessoa começa a se sentir deprimida, tem dificuldade de vestir uma roupa mais formal, fazer a barba para sair e não se energiza, sentindo dificuldades em retornar à rotina. Ela pode ter também alterações no sono e dores de cabeça", explica a doutora em psicologia e presidente da Isma-BR, Ana Maria Rossi.

A pesquisa foi realizada com 250 profissionais das mais diversas áreas e idades, que tinham em comum apenas o fato de serem atuantes no mercado de trabalho. O estudo aponta também que cerca de 72% das pessoas não consegue manter os benefícios conquistados durante o período de descanso. "Durante as férias as pessoas costumam conquistar a qualidade de vida, relaxando, realizando atividades físicas e cuidando da alimentação, mas ao retornar ao trabalho tudo isso se perde", afirma Ana Maria. Já para 25% a síndrome é ainda pior porque essas pessoas não só não mantêm os benefícios, como voltam com um nível de estresse ainda maior que o de antes das férias. "Isso acontece quando a pessoa cria uma expectativa muito grande com relação a esse período. ? preciso perceber que as férias não fazem com que o trabalho mude", afirma a presidente do Isma-BR.

De acordo com a doutora, o grau da depressão pós-férias vai depender muito da infra-estrutura emocional do indivíduo, quanto mais forte, mais fácil será a readaptação. Além disso, pessoas que mantêm hábitos saudáveis têm menor tendência a sofrer com a síndrome.ÿ

Recomendações

Entre as recomendações dadas pela também doutora em psicologia e coordenadora do Laboratório de Controle do Estresse da PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica de Campinas), Marilda Lipp, para evitar a síndrome (veja quadro nesta página), está a de deixar algum trabalho em aberto, sem conclusão, para que ele possa ser retomado na volta. "Começar do zero depois das férias é muito difícil, é mais fácil retomar uma linha de raciocínio já iniciada", afirma Marilda. Ela também recomenda que o profissional não se estenda muito comentando sobre suas férias e que aceite o fato que o ritmo normal de trabalho só será recuperado gradualmente. "? bom que os chefes também tenham consciência dessa retomada gradual e não exijam demais dos funcionários nos primeiros dias", diz.

Outro ponto importante é se programar. Segundo a doutora, o ideal seria conseguir tirar férias antes de elas se tornarem realmente necessárias, "isso porque as férias também podem estressar você. Outra dica é dividir as férias em dois períodos, sempre que possível, evitando assim muito acúmulo de trabalho no retorno. Agora, se o seu nível de estresse já está alto quando suas férias chegarem, evite viagens do tipo "maravilhosas". Procure um lugar tranqüilo onde você possa realmente descansar", destaca.

Com o tempo, os trabalhadores tendem a se readaptar e retomar as atividades normais. Mas, se a pessoa passa mais que duas semanas com os sintomas da síndrome de depressão pós-férias, deve ficar atenta e procurar ajuda profissional. A sensação também pode ser um sinal de como anda a motivação pela profissão.

Férias mentais

Hábitos saudáveis e pequenos momentos de relaxamento podem evitar não só síndromes como também outros níveis de estresse. A doutora Marilda indica um exercício simples que pode ser realizado em qualquer ambiente, sem tomar muito tempo. "De duas em duas horas tire dois minutos de férias mentais. Procure um lugar para ficar sozinho, pode ser até mesmo no banheiro da empresa, feche os olhos e imagine o lugar mais maravilhoso que já esteve na vida. Inspire e expire três vezes enquanto imagina e solte os seus ombros. Pronto! Já conseguiu as suas merecidas férias mentais", ensina.







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