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Uma formatura diferente

Artigo escrito pelo reitor da PUC-Rio, Padre Jesus Hortal, conta as experiências da instituição com a alfabetização de adultos


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Por Jesús Hortal Sánchez*

No dia primeiro de maio, presidi uma formatura diferente, no Auditório Anchieta. Os coordenadores do programa Raízes Comunitárias, que começara como um projeto de alfabetização de adultos, podiam olhar, com orgulho, para aqueles que recebiam seu certificado de conclusão do ensino fundamental. Todos eram funcionários da PUC ou das empresas que trabalham dentro do nosso campus, por concessão ou terceirização.ÿ

Gente esforçada, que, ao longo de três ou quatro anos, sacrificou um merecido descanso, após o almoço, para sentar-se nos bancos escolares, com 30, 40 e até 50 anos de idade; mãos calejadas que empunhavam a caneta e faziam as suas anotações de aula; mentes que despertavam para novos horizontes. Toda uma lição de ousadia e perseverança para a nossa Universidade! Parabéns para tais pessoas!

Sem programas desse tipo, a PUC cumpriria o velho ditado popular: "em casa de ferreiro, espeto de pau". Como é possível que, num campus universitário, haja pessoas sem educação fundamental? Poder-se-ia argumentar que uma Universidade não é uma escola elementar ou um colégio secundário. De fato, dentro da nossa rígida legislação, não estamos habilitados a dar o certificado de conclusão desses níveis. Por isso, foi necessário recorrer ao SESI, a fim de legalizar as aulas ministradas.ÿ

Formalmente, os nossos funcionários estiveram freqüentando uma escola do SESI, sob a sua supervisão, mesmo que fosse dentro do campus da PUC e que as aulas fossem ministradas por professores, funcionários e alunos da nossa Universidade. A parceria com o SESI foi, pois, baseada na confiança mútua e no desejo de prestação de um serviço àqueles que formam parte do nosso cotidiano.

Era necessário levar adiante ações desse tipo. Formamos uma comunidade educativa. Todos estamos engajados na mesma tarefa. Quando, nas formaturas dos nossos cursos universitários, vejo funcionários homenageados pelos alunos, sinto que também eles contribuíram para o trabalho educativo. Ascensoristas, contínuos, pessoal da manutenção, agentes patrimoniais ou funcionários da limpeza mostram, sem grandes discursos, a dignidade do trabalho e da pessoa humana, ensinam o sentido da fidelidade e da dedicação, e mostram o respeito pelo outro, a responsabilidade, a competência profissional e a capacidade de colaborar numa tarefa comum.ÿ

Sem perceber, também eles estão educando. Todos os que estamos na PUC somos, de fato, educadores; podemos ser bons ou ruins, mas não tem dúvida de que estamos colocando algo na formação da personalidade dos nossos alunos. Logicamente, quanto menor seja o nível de instrução, menor capacidade teremos de transmitir valores e atitudes. Daí que não possamos contentar-nos com gente que fica parada no tempo, acomodada com as próprias limitações. Todos devem tentar novos caminhos e progredir no seu desenvolvimento pessoal. O Programa Raízes Comunitárias já conseguiu muita coisa, mas ainda tem uma grande tarefa pela frente.

Para os novos formados, seguindo o exemplo de outros que os precederam, fica o desafio de não parar e de continuar a cursar o ensino médio, inclusive com o horizonte posterior de um curso universitário. O apoio da Universidade não faltará.

* Padre Jesus Hortal Sanchez é reitor da PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro)







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