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Judô aposta na tradição para vencer em Atenas

      

Por Renato Marques

No dia 14 de junho, as seleções brasileiras de Judô - masculina e feminina - embarcaram para aquela que pode ser a mais vencedora viagem da história da modalidade no país. Nesta data teve início a última fase de preparação da equipe olímpica brasileira, que fará treinamentos especiais na França, no Japão e em Portugal antes de embarcar definitivamente para Atenas, onde lutará por medalhas. Na bagagem, além da esperança, os atletas carregam a tradição do Judô brasileiro, um dos esportes que mais deu medalhas olímpicas ao Brasil - dez no total, sendo duas de ouro, três de prata e cinco de bronze.

Tradição de conquistas

A história do Judô no Brasil inicia juntamente com a história da modalidade nos jogos Olímpicos. Quando passou a ser considerado esporte olímpico, nos jogos de Munique, em 1972, o Judô já registrou uma bandeira brasileira entre as três que ilustram o pódio.

Já naquela edição o meio-pesado Shiaki Ishii (pai de Vânia Ishii, que integra a seleção feminina que vai a Atenas) conquistou o bronze. Desde então, o esporte registrou um fantástico crescimento no Brasil, culminando com a medalha de ouro de Aurélio Miguel, nos jogos Olímpicos de Seul, em 1988.

O feito se repetiria em Barcelona, 1992, com Rogério Sampaio conquistando o primeiro lugar na competição. O melhor desempenho brasileiro no Judô aconteceu em Los Angeles, 1984, quando a equipe verde e amarela conquistou uma medalha de prata e duas de bronze. Jamais uma mulher brasileira conseguiu conquistar uma medalha olímpica no Judô.

"Para se analisar a importância do desempenho do Judô brasileiro, é só ver como é curta a história do esporte nas Olímpiadas", afirma o professor e técnico de Judô da UGF (Universidade Gama Filho), Alfredo Dorneles, que aposta em dois atletas para aumentar a conta em Atenas. "Acho que o Flávio Canto tem uma boa possibilidade de ganhar a medalha. Ele é um dos cinco melhores atletas da sua categoria. E, no feminino, eu aposto muito na Daniele Zangrando."

Já o técnico da AD São Cãtano, Mário Tutsui, não hesita em apostar nos seus próprios atletas. "Se tivesse que apostar, eu jogaria na Edinanci e no Mário Sabino", crava. "A Edinanci está muito focada para esta Olimpíada. Se ela não se lesionar até as lutas, deve ficar entre as três."

Confira abaixo todos os judocas brasileiros que conquistaram medalhas olímpicas:

Ouro
Aurélio Miguel - Seul 1988
Rogério Sampaio - Barcelona 1992

Prata
Douglas Vieira - Los Angeles 1984
Carlos Honorato - Sidney 2000
Thiago Camilo - Sidney 2000

Bronze
Shiaki Ishii - Munique 1972
Walter Carmona - Los Angeles 1984
Luis Onmura - Los Angeles 1984
Henrique Guimarães - Atlanta 1996
Aurélio Miguel - Atlanta 1996

Mas não é só na tradição que se baseia a esperança nacional. Com bons resultados obtidos em competições internacionais, como nos jogos Pan-americanos, Sul-americanos e mesmo mundiais da categoria, os competidores brasileiros vêm ganhando cada vez mais respeito dos adversários pelo mundo.ÿ

"A seleção brasileira está muito bem colocada entre os adversários,ÿ como apontam os resultados do Mundial do ano passado e de outros campeonatos internacionais. Temos conseguido nos manter entre os cinco e mesmo entre os três melhores. O Brasil está bem preparado para Atenas", comemora o técnico da AD São Cãtano, Mário Tutsui, clube parceiro do IMES (Centro Universitário Municipal de São Cãtano do Sul) na preparação de judocas.

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No Pan-americano de Santo Domingo, em 2003, por exemplo, os brasileiros deram show nos tatames. Foram cinco ouros (quatro deles para atuais integrantes da delegação olímpica), uma prata (com Vânia Ishii) e quatro bronzes (três deles com vaga garantida em Atenas). "Na olimpíada anterior, tínhamos uma perspectiva um pouco menor de medalhas e conseguimos duas pratas. Neste ano, as perspectivas são até melhores. Pode ser que voltemos sem medalha nenhuma, mas a possibilidade de traze-las é real", afirma o professor e técnico de Judô da UGF (Universidade Gama Filho), Alfredo Dorneles, instituição que abriga os atletas Flávio Canto e Daniela Polzin..

Que não se espere, no entanto, facilidades para os judocas brasileiros. No Pan-americano, não participaram os atletas europeus e, principalmente, os asiáticos. Embora alguns estejam entre os favoritos nas suas categorias, como Flávio Canto, não se pode considerar nenhuma medalha como certa. "Atualmente, o mundo do esporte está muito equilibrado em relação à perspectivas de conquistas de medalhas olímpicas. Esse equilíbrio se repete em quase todas as modalidades, mas está ainda mais acirrado no judô", explica Dorneles.

? difícil, portanto, apontar favoritismo para este ou aquele atleta. Principalmente no caso do Judô, um esporte individual onde o estado do atleta (físico e psicológico) pode ser decisivo. "O que há é uma grande incógnita. Não é fácil apontar vencedores", diz Tutsui. "Conquistar a medalha é uma questão do momento, do dia, da hora. Aí pesa a concentração, o cuidado, o detalhe. E isso pode acontecer com qualquer um dos nossos atletas", complementa Dorneles.

De qualquer forma, mesmo que não venham medalhas para o judô nesta edição dos jogos Olímpicos, o Brasil aparenta estar a caminho de montar uma grande equipe. Bons lutadores como Flávio Canto, Carlos Honorato, Edinanci Silva e Daniele Zangrando ainda são jovens e têm, pelo menos, mais uma Olimpíada pela frente. Embora isso não garanta uma medalha no futuro, garante ao menos a atração de jovens e crianças pelo esporte e, principalmente, o respeito dos adversários.

"Atualmente, muitos países da comunidade européia, como Portugal, Espanha, Bélgica e Holanda fazem questão de realizar uma temporada de intercâmbio aqui. Esse é um reflexo do respeito ao judô brasileiro", conta Dorneles.ÿ

Mudança de mentalidade

Esse cenário, porém, é recente. Em tempos não muito distantes, as perspectivas para o Judô brasileiro não eram das melhores. Enquanto a CBJ (Confederação Brasileira de Judô) sofria com o continuísmo dos dirigentes, os atletas e treinadores se sentiam desanimados para prosseguir competindo. Nesse contexto, brilhou mais uma vez a estrela de Aurélio Miguel, que se impôs como campeão olímpico para mudar os rumos da modalidade no Brasil.

A batalha deu resultados e, há dois anos, a presidência foi trocada. Sob o comando de Paulo Vanderley, o Judô brasileiro viu seus atletas retomarem os ânimos a toda. "O novo presidente da confederação transformou o Judô. Promoveu uma verdadeira revolução, não só administrativa, mas também política, no sentido de que houve uma mudança de comportamento dos dirigentes. Isso fez com que as pessoas trabalhassem com mais empenho, resultando em um desempenho melhor", complementa Dorneles.

Neste momento, é inegável que o Brasil vive um grande momento no Judô. E não apenas no que diz respeito à seleção brasileira. Hoje, o esporte de base vivencia um momento de maior estabilidade e credibilidade junto aos seus praticantes. "Após a mudança da mentalidade ocasionada pela troca da diretoria da CBJ, foi implementado um novo jeito de tratar todos aqueles que são envolvidos com o Judô no Brasil. Por isso, tenho certeza que essa é uma seleção que vai dar muitas vitórias para o esporte do país", finaliza Dorneles.

Seleção universitária

Opção tradicional para pais que desejam que os filhos pratiquem algum esporte, o Judô é presença fácil entre os universitários. De certa maneira, isso se reflete na composição da seleção brasileira, que conta com diversos atletas graduados, como Flávio Canto e Daniel Hernandes, além de universitários, como Daniela Polzin, da UGF, e Vânia Ishii, da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Confira abaixo os judocas brasileiros que têm vaga garantida nos jogos Olímpicos de Atenas:

Ligeiro: Daniela Polzin e Alexandre Lee
Meio-leve: Henrique Guimarães e Fabiane Hukuda
Leve: Danielle Zangrando e Leandro Guilheiro
Meio-médio: Vânia Ishii e Flávio Canto
Médio: Carlos Honorato
Meio-pesado: Edinanci Silva e Mário Sabino
Pesado: Daniel Hernandes

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