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Orientador e não detentor único do conhecimento

O que mudou na relação professor/aluno


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Contextualizar, usar a criatividade e deixar a posição de autoridade máxima. Para conseguir prender o interesse dos alunos hoje em dia, é preciso estar adaptado às mudanças tecnológicas e atento à vida dos estudantes. Isso não só porque os estudantes têm a Internet como meio de pesquisa - o que deslocou o docente da posição de centro único do saber - como também porque eles têm cada vez mais interesse de que o conhecimento adquirido seja aplicável na realidade que os cerca. Deste modo, a teoria tem que estar, como nunca, estritamente ligada à prática.

O panorama da relação professor/aluno mudou completamente. A professora do Departamento de Métodos e Técnicas da Faculdade de Educação da UnB (Universidade de Brasília), Ilma Veiga, diz que um dos fatores que influenciaram esta mudança foi justamente o fato de a universidade ter ganho nos últimos anos um público mais amplo. "A relação dos dois é não só pedagógica, mas também social, profissional e afetiva. Essa relação pedagógica não é mais um campo para a homogeneização. Hoje há muitas diferenças sociais, portanto os alunos são heterogêneos. Muitas vezes os professores universitários não estão preparados para analisar estes novos valores da forma como deveriam", explica.

De forma geral, o perfil do aluno - seja de qual classe social ele for - mudou. Entre outros fatores, a mudança também se deu porque há diversos pontos de informação mais interessantes e interativos que a sala de aula, como a Internet, por exemplo. "? mais fácil acessar um site do que ficar devorando 200 páginas de um livro de letra pequena, não é verdade?", questiona a professora.

O psicólogo Márcio Garde fez sua dissertação de mestrado sobre o tema do relacionamento professor/aluno, e ele, que também é professor universitário, defende que os docentes que são mais resistentes a novas tecnologias são os que têm maior dificuldade de criar. "Eles desdenham, por exemplo, da Internet, dizendo que as informações não têm credibilidade, que o que vale são aqueles livros antigos. Isso porque resiste ao desenvolvimento. Mas hoje em dia para trabalhar com o aluno não se pode usar como ferramenta um livro com mais de cinco anos, a não ser os clássicos, porque tudo tem mudado muito rápido", afirma. "Não tem jeito de ficar parado no tempo e no espaço", completa.

De qualquer forma, ainda que a Internet seja uma excelente ferramenta onde buscar conhecimento e informação, a relação professor/aluno pode ir mais além se o docente enxergar que ela, na verdade, ultrapassa a simples transmissão de conhecimento. "Esta relação é carregada de afetividade. E, como diz Paulo Freire, precisamos muito mais preparar o aluno para saber perguntar do que saber dar respostas. Saber dar respostas a pesquisa, na Internet ou outro meio, pode suprir", afirma a professora Ilma.

Segundo ela, hoje mais do que nunca são necessários professores capazes de investigar os problemas que afligem o homem e quais as questões mais importantes e de reflexos sociais dentro do campo onde ele atua, seja na área médica, nas engenharias ou humanas. "Muitas vezes o problema da aprendizagem não resulta apenas do aluno que não gosta de estudar. Isto pode ser provocado pela deficiência do processo de ensino. Precisamos de um professor capaz de elaborar respostas às diferenças, alguém que saiba usar a avaliação não como forma de repressão, mas como instrumento de diagnóstico. E um professor flexível, agente investigador e agente de mudança", explica.

Formação do docente

Para Ilma, a principal deficiência na relação professor/aluno pode ser justamente a formação do profissional, que não foi preparado para dar aulas. "A LDB (Lei de Diretrizes e Bases) praticamente se omite quanto à formação de docentes para a Educação Superior. O conceito vigente hoje no país é de que basta ter conhecimento específico para ser bom professor. Isso nem sempre é verdade. Muitos são bacharéis em Medicina, por exemplo, e têm a oportunidade de dar aula. Isso funciona para todos os campos do conhecimento. As universidades, de forma geral, não têm qualquer exigência legal para que estes professores tenham o mínimo de formação pedagógica para assumir uma sala de aula", afirma Ilma.

Sem orientação específica, muitos docentes se baseiam no modelo de professor que eles próprios tiveram e que, quase inevitavelmente, se tornou obsoleto. "O aluno não aceita mais aquele professor que dava aula segurando uma ïfichinha` antiga e que ficava restrito a apenas aquele conteúdo. O estudante quer ter uma visão mais aberta, mais global. Se o docente não tiver criatividade e espontaneidade não vai conseguir manter com seus alunos um vínculo e relacionamento adequados para conseguir passar a frente o conhecimento", afirma o psicólogo.

A professora Ilma salienta que a LDB destaca a tríplice responsabilidade da Educação, que é o preparo do aluno como pessoa, para a cidadania e para o trabalho. "Este tripé deve estar presente no compromisso da Educação com os profissionais do nível superior. A relação pedagógica, à medida que a gente fala de uma formação democrática, não pode ser vertical de cima para baixo. A diferença entre professor e aluno é apenas no nível de maturidade, por isso deve ser pensada uma relação pedagógica mais horizontal e dialógica. Neste sistema, o professor é o orientador", diz.





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