Friday :: 31 / 10 / 2014

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Agronomia é muito mais do que solo e grãos

Além das matérias básicas como química, física e fisiologia do solo, um graduando em Agronomia estuda assuntos como economia, construções rurais e sociologia


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Cursar Agronomia vai muito além do lidar com o solo e com a terra. Segundo o coordenador do curso de Agronomia da UnB (Universidade de Brasília), José Ricardo Peixoto, o agrônomo é um profissional bastante eclético. "A habilidade do agrônomo é, de uma forma geral, muito ampla, pois trabalha com a interação dos três reinos: animal, vegetal e mineral".ÿ

As matérias vão desde química orgânica, genética e sociologia, chegando até a matemática e introdução à economia. Segundo o professor, o curso também tem disciplinas voltadas à área ornamental, como parques e jardins, além das culturas de soja, feijão, frutas e hortaliças, que são os pontos fortes do nosso país e, conseqüentemente, fazem parte do dia-a-dia da profissão.

O mercado de trabalho reserva boas oportunidades com a expansão do agronegócio no país. Mas, além disso, o agrônomo tem ainda outros campos de atuação. "Dentro da Agronomia há universidades que trabalham com ensino, pesquisa e extensão. Existem também os órgãos de pesquisa estaduais, como o Instituto Agrônomo de Campinas, e o grande órgão federal que é a Embrapa", explica o coordenador da UnB. Na área de produção, é grande a quantidade de empresas que trabalham com profissionais desta formação, especialmente aquelas que fabricam defensivos, adubos e insumos. "? um mercado que absorve muitos destes profissionais", comenta Peixoto.

As oportunidades ainda aparecem na produção por conta própria e também na docência. "O profissional pode fazer mestrado e doutorado e depois engressar na carreira de ensino nas universidades. Neste caso, ele também vai trabalhar com pesquisa e extensão", diz.

Confira abaixo os motivos que levaram um vestibulando, um graduando e um profissional a escolher o curso de Agronomia:

Idade: 28 anos

Onde estuda: Cursinho da Poli
Ricardo Alexandre Bezerra

Idade: 22 anos

Onde estuda: UnB (Universidade de Brasília)
Juliana Galvarros Bueno Lobo Ribeiro
Idade: 45 anos

Profissão: Gerente Técnico de uma empresa de saúde animal, graduado em Agronomia pela Unesp (Universidade Estadual Paulista)
Ailton Ongilio
Vestibulando - Por que escolheu a profissão?
Apesar de morar agora na área urbana, sempre morei em área rural e via a deficiência de pequenos agricultores em desenvolver algum trabalho que pudesse melhorar o plantio e diversos outros problemas que existiam. Eles não tinham apoio, informação, e nem a quem buscar realmente. Sempre observava isso e achava que poderia ajudar. Eu gosto de lidar com a terra, o que é muito diferente de onde eu vivo atualmente, que é só concreto e máquinas por todos os lados.
Graduando - Por que escolheu a profissão?
Minha decisão partiu das minhas origens na terra, meu pai já era proprietário de fazenda quando ingressei na faculdade de Agronomia. Mas acho que o que mais pesou foi a vontade de produzir com mais eficiência, consciência e sustentabilidade, pois isso é chave para muitos problemas ambientais. Além disso, na época, o agronegócio brasileiro já estava em ascendência.
Profissional - Por que escolheu a profissão?
A escolha para trabalhar na área vem de família. Segui uma tradição, acredito. Meus avós maternos cultivavam café e vem daí o meu contato com o trabalho que realizo como engenheiro agrônomo.
Vestibulando - O que espera do curso?
Espero aprender bastante, e aí espero elaborar projetos e poder ajudar várias pessoas com o desenvolvimento do meu trabalho.
Graduando - O curso corresponde às suas expectativas?
Sim, pois é um curso que abrange varias áreas. Além de produção animal e vegetal, também temos a opção de trabalhar com paisagismo, construções rurais, economia rural, administração e solos.
Profissional - O curso correspondeu às suas expectativas?
Sim, pois a minha universidade era uma das melhores.
Vestibulando - Quanto espera ganhar depois de formado?
Na faixa de R$ 2.000 a R$ 2.500.
Graduando - Quanto espera ganhar depois de formado?
O piso salarial de um engenheiro agrônomo é de seis salários mínimos, portanto, legalmente, não podemos trabalhar oito horas por dia e receber menos que isso mensalmente. Como há varias opções, é possível complementar nosso salário com consultorias, projetos e produção própria.
Profissional - Quanto ganha?
Hoje em dia, cerca de 40 salários mínimos.
Vestibulando - O que acha que vai encontrar de melhor na profissão?
O que eu quero é trabalhar futuramente com os problemas que estão danificando o solo e a terra e, com o meu conhecimento, poder de alguma forma evitar e remediar essas questões. A gente pode observar que o ar não é o mesmo, a água não é a mesma. Quero me aprofundar neste tipo de problemática que se agrava cada vez mais.
Graduando - O que acha que vai encontrar de melhor na profissão?
Além da realização pessoal por estar fazendo uma coisa que gosto, terei a possibilidade de montar meu próprio empreendimento, produzindo alimentos, agregando valor a estes, ou até mesmo montando uma empresa de projetos agropecuários. Com isso eu não fico muito presa ao mercado de trabalho.
Profissional - O que acha de melhor na profissão?
Justamente estar próximo da natureza, de onde vieram minhas origens. Fazer um trabalho no qual sinto prazer e que me permite ajudar a desenvolver melhorias na área. Hoje, me deparo com tecnologias e formas de trabalho que trazem resultados surpreendentes. E isso tudo é muito estimulante.
Vestibulando - O que você acha que vai encontrar de pior na profissão?
Acho que é a barreira em termos de burocracia. Porque eu quero buscar a ajuda do governo para financiar os meus projetos e pelo que eu já vi, vai ser jogo duro. Mas temos que acreditar em nós mesmos e buscar sempre melhorar, e é isso que farei.
Graduando - O que você acha que vai encontrar de pior na profissão?
A pior parte seria a falta de concursos públicos voltados para o profissional agrário, fazendo com que muitos destes não exerçam sua profissão. De qualquer forma, acho que hoje em dia está difícil para todas as áreas.
Profissional - O que você acha de pior na profissão?
Obter do agropecuarista mudanças de comportamento. Normalmente, eles são conservadores e fazem o gerenciamento de suas propriedades da mesma forma há 30 anos, pois como cresceram (ganharam dinheiro) desta maneira, acham que a informação diferente vinda de um profissional da área de Agronomia é apenas para gastar dinheiro. Só como exemplo, hoje existem no Brasil 60% de pastagens degradadas por não utilização de recomendações técnicas de um profissional. Normalmente adquirem um equipamento de R$ 300.000,00 (colhedeira de grãos) e pagam para o operador deste equipamento um sálario mínimo.
Vestibulando - Que análise você faz da profissão no Brasil?
? uma área que está crescendo bastante. O Brasil está fechando um acordo com a China no campo agrário. Temos também crescido na área de grãos, graças à grande quantidade de terra para plantar. E não devemos nos esquecer também que diversas áreas estão sendo devastadas. O mercado de trabalho tem bastante espaço ainda tanto no agronegócio quanto em meio ambiente. Embora os empregos estejam concentrados mais no Sudeste, está abrindo uma área boa no Norte do país.
Graduando - Que análise você faz da profissão no Brasil?
? uma profissão que tem varias áreas de atuação, com o mercado de trabalho razoável e em expansão. Possui suas dificuldades, como a falta de concursos públicos, mesmo havendo necessidade de fiscais agropecuários. Os profissionais da área são bastante qualificados, sendo reconhecidos no exterior, abrindo assim chances de trabalho em multinacionais.
Profissional - Que análise você faz da profissão no Brasil?
Hoje existe uma enorme quantidade de faculdades (particulares e públicas) formando profissionais e colocando gente no mercado. No entanto, são jovens sem preparo para a prática do trabalho. Um ponto fundamental é melhorar esta situação. Na minha opinião, deveria haver mais integração entre empresas e universidades para incentivar o estágio supervisionado. Este processo é fundamental para, após a faculdade, o profissional conseguir uma boa colocação no mercado.
Vestibulando - Que dica você daria a estudantes que estão em dúvida entre Agronomia e outras áreas?
Na minha concepção, em qualquer curso você tem que gostar muito do que vai fazer. Muita gente escolhe pela área que gosta mais, mas pensando em termos financeiros. Se você for pensar só em dinheiro, vai fazer um curso de cinco anos e chegar no final percebendo que não era bem aquilo que você queria, porque pensou só em termos financeiros.
Graduando - Que dica você daria aos estudantes interessados em Agronomia?
Creio que o importante é gostarmos daquilo que escolhemos como profissão. No caso da Agronomia, não mexemos apenas com terra e solo, o curso é bastante abrangente e, por isso, temos vários opções, como paisagismo, área florestal, jardinagem. ? importante que os estudantes interessados nessa área se inteirem sobre o assunto, conversem com profissionais e professores para chegar na faculdade sabendo exatamente o que vão encontrar.
Profissional - Que dica você daria aos alunos interessados nesta profissão?
Com o crescente desenvolvimento do agronegócio, é preciso aliar a atividade prática com a acadêmica. Só assim o aluno vai se sentir mais preparado para buscar as oportunidades existentes nessa profissão. Uma dica para os alunos é que eles tenham em mente que as principais oportunidades não estão no Sudeste, aliás, hoje está ficando muito difícil trabalhar nessa região. O mercado para o engenheiro agrônomo está aquecido para profissionais que atuam em assistência técnica e extensão rural nas regiões Centro-oeste, Nordeste e Norte. Este é um bom caminho a traçar, adquirir mais experiência e reconhecimento no mercado.







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