Friday :: 24 / 10 / 2014

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Novas pedagogias invadem as salas de aulas

Pelo método participativo alunos desempenham papel de extrema importância no processo de aprendizagem


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Seminários, debates, estudos de caso e até tribunais de júri são algumas das novas pedagogias que, nos últimos tempos, têm invadido as salas de aula. O objetivo é fazer com que os estudantes sejam mais ativos no processo de aprendizagem, deixando para trás o sistema das aulas expositivas, enraizado na cultura de nosso país, em que apenas o professor é o detentor do conhecimento.

Este novo método de ensino, cada vez mais disseminado em escolas e universidades é chamado de "método participativo". Hoje, é fato que os alunos têm uma presença muito importante em sala de aula, fazendo questionamentos, dando idéias, sugestões, e contribuindo para que seu aprendizado esteja mais perto de formar cidadãos mais conscientes do que no passado. Os professores, por sua vez, reconhecem esta mudança, dando espaço e liberdade para que os estudantes sejam mais ativos.

"Antigamente os professores trabalhavam sua aula e eles mesmos levantavam algumas das questões a serem abordadas. Com isso, os alunos não eram estimulados a participar. ? visível porém que, quando estimulados, eles se mostram muito mais participativos e o processo de aprendizagem se torna muito mais eficaz", explica a professora da Faculdade de Educação da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Maria ângela Barbato Carneiro.

Trabalhar com esta mudança, no entanto, não tem sido uma tarefa fácil, já que, acostumados, muitos alunos alimentam esta cultura da simples absorção do conhecimento, sem questioná-lo. Na visão de especialistas, este comportamento poderia se encaixar nos tempos de nossos pais e avós, quando as metodologias de ensino utilizadas eram, muitas vezes, repressoras.

"Embora ainda haja uma certa resistência por parte de alguns alunos, com o tempo, passada a fase de mudanças, eles se adaptam e passam a aderir ao método participativo com muito mais interesse", destaca.

Docentes e novos métodos pedagógicos

Reconhecida a importância desta revolução no ensino, diversas instituições, inclusive de educação superior, passaram a adotar as mudanças em sala de aula. Um exemplo disso pode ser conferido na PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul). De acordo com o coordenador do setor pedagógico da Pró-Reitoria de Ensino de Graduação da universidade, Maurivan Güntzel Ramos, a instituição tem trabalhado inclusive com um programa de capacitação de docentes que visa refletir novas abordagens para que, em sala de aula, os alunos assumam uma postura ativa em seu aprendizado.

"Em nosso programa de capacitação de docentes trabalhamos com esta nova concepção. Especialmente com propostas de pesquisa em sala de aula. Ou seja, situações que envolvam questionamentos e construção de novos argumentos", conta. Para isso, ele diz que são utilizadas iniciativas diversas como pesquisa bibliográfica, experimental, atividades com recursos computacionais, debates e diálogos entre professor e aluno de tal modo que ele vá construindo e consolidando seus argumentos sobres as questões trabalhadas. "Temos incentivado isto justamente para diminuir ao máximo as aulas copiadas e adotar o questionamento reconstrutivo. Ou seja, fazendo com que o aluno seja sujeito ativo e não passivo no processo de aprendizagem", explica. Ramos destaca ainda a importância da contextualização de conteúdos entre as disciplinas. "? importante que os estudantes comecem a pensar de forma integrada, fazendo relações entre os conteúdos vistos em sala para consolidar seu conhecimento".

Aplicação de novos métodos em sala de aula

Frutos deste novo sistema de ensino na PUC-RS, Ramos cita dois casos de sucesso entre várias iniciativas propostas. Em primeiro lugar, o seminário sobre alavancas proposto por uma professora do curso de Engenharia. Ao invés da aula expositiva tradicional, foi sugerida uma pesquisa sobre cada tipo de alavanca. A partir daí, foi feito um seminário onde cada aluno explicou o que pesquisou, o que, segundo ele, garantiu maior dinamismo à disciplina.

Em segundo lugar, o coordenador destaca a criação de um tribunal de júri no curso de Turismo. "O objetivo do trabalho era discutir as questões ambientais relacionadas ao turismo. A partir daí, foi montado um tribunal em sala de aula para discutir estas questões. Este caso foi de grande sucesso pelo envolvimento e organização dos alunos", relata.

No IBMEC de São Paulo, onde o método participativo tem espaço garantido em cursos de graduação, MBA e CBA (Certificated in Business Administration), os estudos de casos, oriundos da universidade de Harvard Bussiness School, com a qual a instituição mantém uma parceria, são responsáveis por grande parte dos "cases" de sucesso.

Segundo o diretor acadêmico da instituição, Marcelo Moura, a utilização de casos reais dentro da universidade permite que os alunos assumam papéis vividos no dia-a-dia por tomadores de decisão e passem a encarar os riscos de uma forma mais próxima da realidade. "Com isso, você consegue inserir toda a teoria, além de fazer com que os alunos assumam os riscos de uma decisão e pensem nas melhores alternativas para solucionar os problemas estudados", ressalta.

Moura ainda aponta diversas outras novas pedagogias inseridas no método participativo capazes de desafiar o aluno a argumentar e pensar, contribuindo para a construção de um aprendizado mais ativo. Em sua opinião, elemento fundamental para a formação de profissionais mais completos e pró-ativos.

"Além dos estudos de caso, os alunos que participam de uma empresa junior, atividades de extensão, atléticas, grupos de ação social, sementes culturais e diversas outras organizações estudantis, certamente desenvolverão habilidades e competências cada vez mais exigidas pelo mercado".

Novos métodos e a formação de profissionais do futuro

Por fim, os especialistas consultados pelo Universia Brasil destacam que, muito embora alguns alunos se mostrem resistentes a este novo método pedagógico, ele é de extrema importância para a formação de profissionais com perfil que atenda às necessidades exigidas pelo atual mercado de trabalho altamente competitivo.

Para eles, é essencial que os alunos saibam trabalhar em equipe, consigam argumentar, defender pontos de vista de forma coerente, entre outras tarefas. "Estas habilidades que muitas vezes chamamos de competências só são possíveis de serem adquiridas por um método mais avançado do que o tradicional", destaca Moura.

"Apenas o método tradicional, aquele em que há apenas o acúmulo de conhecimento, não é suficiente para estimular o professor, motivar o aluno, e menos ainda pra desenvolver suas habilidades", encerra Maria ângela.







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