Friday :: 31 / 10 / 2014

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Para seu negócio dar certo

Perfil empreendedor vale mais que a escolha da área do negócio em si. No entanto, especialistas apontam setores de destaque para os próximos anos: e-learning, serviços para a terceira idade, negócios vinculados a animais de estimação, telefonia via Intern


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Por Fernando Bortolin, free-lance

Se você quer começar a pensar em montar um negócio buscando primeiro a idéia que vai fazer sucesso, está começando da forma errada. Certamente, pensar em montar uma empresa em área que está em expansão é importante, porém mais crucial que isto é ter o perfil empreendedor. Isto porque praticamente em todas as áreas existe o potencial para iniciar um negócio próprio.

Esta é a opinião do diretor da Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores), Josealdo Tonholo. "? difícil sugerir setores ou tipos de negócios quando se trabalha com jovens universitários, sejam aqueles que ainda estão estudando, sejam os que já saíram ao mercado, por um simples motivo: pode-se empreender em qualquer área, mas evidente, existe, isto sim, questões a serem analisadas para cada tipo de opção", avalia.ÿ

Tonholo destaca que muitas vezes o perfil empreendedor vale mais que a escolha do setor ou ramo de atuação. E dá um exemplo que comprova isto: "No agronegócio em geral a cadeia produtiva é frágil e sem sustentabilidade, mas um empreendedor de Maceió (AL) resolveu criar búfalos em sua propriedade. Importou os animais, entrou na incubadora, trabalhou com afinco todos os aspectos de sustentabilidade de seu negócio e hoje vende o segundo melhor queijo do Brasil. Virou padrão e modelo de comercialização e é uma ação inovadora que abre até a possibilidade de atuar na exportação", diz.

Um Raio-X do mercado brasileiro de incubadoras de empresas serve, porém, para mostrar áreas em expansão e outras em retração. Das 213 incubadoras, que contêm 2.114 empresas incubadas, gerando 11.703 empregos diretos, houve um enfraquecimento da força empreendedora sobre incubadoras de base tecnológica, que caiu de 55% em 2003, para 52% neste ano. Nesta área, quem perdeu muita força foram as incubadoras de software e de informática. O percentual do gênero de atividade caiu de 55% em 2003, para 25% neste ano.ÿ

Outros segmentos também apresentaram recuo, tais como as empresas incubadas com perfil de atuação voltado ao segmento eletroeletrônico, de 22% para 15%; mecânica, de 9% para 6%; e, telecomunicações, de 8% para 6%. Porém, ganharam força àquelas vinculadas ao agronegócio. Na avaliação de Josealdo Tonholo, diretor da Anprotec, apesar destas inversões, o cenário para o empreendedorismo no Brasil é extremamente positivo.ÿ

Essa dificuldade na identificação de setores e negócios potenciais é corroborada pelo professor de empreendedorismo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EãSP), Tales Andreassi. "Não existe negócio quente. Existe, isto sim, negócios para determinados mercados e, mesmo assim, é muito relativo se uma sugestão de negócio pode dar certo devido às nuances de cada mercado onde a empresa está inserida. Uma dica para São Paulo pode não funcionar para Minas Gerais, ou para o mercado do Rio Grande do Sul", exemplifica.

No entanto, é possível fazer algumas apostas. "Se tivermos como base um mercado como os Estados Unidos, temos que os negócios mais quentes para os próximos anos são e-Learning, produtos e serviços para a terceira idade, tais como cursos, agências de viagem e produtos ou atividades médicas. Esta realidade é em função do aumento da expectativa de vida da população norte-americana, que se reflete também no Brasil", diz Andreassi. "Outros negócios potenciais são os vinculados a animais de estimação, telefonia via Internet, serviços de segurança e proteção de redes, automação de residências, centros de beleza e Spa.ÿ

Na avaliação do diretor da Anprotec, Josealdo Tonholo, muitas vezes as atividades executadas por um arranjo produtivo local, como, por exemplo, calçados, em Franca (SP), abre um leque de oportunidades grande, como atividades ligadas a embalagem, design, mecânica pesada, curtidouros, aditivos químicos para tratamento do couro, corantes, enfim, uma sorte muito grande de potenciais nichos de mercado que podem se encaixar dentro das premissas desejadas pelo jovem empreendedor.ÿ

A Anprotec tem hoje canais voltados para o agronegócio, biotecnologia, energia, tecnologia da informação, infra-estrutura, mineração, petróleo e gás, saúde, transportes, telecomunicações, recursos hídricos e setor ãroespacial, sobre 38 incubadoras só em São Paulo. Para operações que visem à canalização e venda de produtos e serviços ao exterior, a entidade e sócia da IBI, em San José, na Califórnia, uma incubadora especializada em negócios de comércio exterior com a qual verifica-se hoje fortíssimo interesse estrangeiro sobre a compra de produtos e serviços de incubadoras de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Fatores de Sucesso

Independente da área, existem vários fatores para o sucesso do empreendimento. A atuação multidisciplinar dos membros é muitas vezes um dos fatores fundamentais. No ITA (Instituto Tecnológico de ãronáutica) Jr., os alunos desenvolvem seus projetos com forte interação com os professores de sua e de outras áreas da graduação.ÿ

Um exemplo deste trabalho de sinergia parte do professor de engenharia ãronáutica, Roberto da Mota Girardi. "No momento estamos desenvolvendo um Veiculo Aéreo Não Tripulado (VANT), a pedido da Eletropaulo. Trata-se de um robô aéreo orientado por satélite e com câmara de infravermelho para verificar as linhas de transmissão, serviço hoje realizado por helicópteros que a Eletropaulo contrata, mas que são caros", diz. "Com este robô aéreo eles pretendem reduzir custos e dinamizar os monitoramentos de rede, sendo que o projeto depende apenas da aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), para ser implantado", disse.ÿ

"O projeto envolveu alunos e professores da engenharia ãroespacial, mecânica e eletrônica, o que é muito positivo para criar sinergia e buscar soluções, além de gerar conhecimento e oportunidades", destaca Girardi.ÿ

A participação de alunos de diversos cursos de graduação da USP e de outras universidades na criação de empresas inovadoras é também o ponto forte do Centro Minerva de Empreendedorismo da Escola Politécnica da USP. Segundo o professor e coordenador do Centro, Jose Antonio Lerosa de Siqueira, o trabalho se concentra na graduação e tem como base uma maratona de 22 horas, onde equipes de 30 a 40 participantes recebem informações estratificadas sobre sete linhas de atuação: capital social, criatividade, motivação, planejamento, eficiência e qualidade, trabalho em equipe e liderança.ÿ

Fechando este ciclo, os alunos participam de uma competição de idéias e planos de negócios chamado Projeto Minerva 1K onde são analisados diversos aspectos, como qualidade e correção do plano de negócio, viabilidade econômica e qualidade da apresentação oral com prêmio de R$ 1.000 para os melhores trabalhos. Após o 1K passa-se para o Projeto Minerva 52 K, cujos vencedores são agraciados com prêmios em dinheiro, que vão de R$ 10.000 a R$ 26.000, sendo que estes recursos devem ser canalizados para a abertura de uma empresa.

Um dos patrocinadores do Centro Minerva, a Eccelera, tem papel fundamental no processo. "Além de participarmos de eventos dentro da Poli, discutimos estratégias, realinhamentos e programas de empreendedorismo que culminem no desenvolvimento de negócios e seus aspectos críticos, sem contar a possibilidade de oportunidades para investimentos sobre projetos inovadores apresentados pelos alunos", relata o diretor de negócios da empresa, Edson Bouer.

Ajuda para montar o negócio

O Instituto Empreendedor Endeavor é, fora do ambiente universitário, um dos maiores incentivadores dos jovens empreendedores. "Nosso foco são alunos recém-formados que tenham projetos inovadores de longo prazo, onde trabalhamos fortemente a gestão estratégica, a geração do capital necessário ao empreendimento e até mesmo como exportar", diz o gerente de serviços a empreendedores do Instituto, Carlos Pessoa. A Endeavor busca ressaltar ao jovem empreendedor a necessidade de diferenciação de produtos e serviços em relação aos já existentes no mercado, dar uma visão mais aprofundada sobre o setor e a atividade desejada, focando sempre o caminho de filiação a uma empresa Junior.

Respeitando estas premissas básicas desenhadas pela Endeavor, Rafãl Duton e mais quatro amigos, até então estudantes de engenharia da PUC-Rio, resolveram montar um projeto inovador tomando como base a conclusão de curso. "Nos dividimos em duas equipes. Uma delas, com três pessoas, concentrou-se na parte técnica do projeto e outras duas, no plano de negócios da nTime. Basicamente, tínhamos em mente montar uma plataforma de jogos e aplicativos para telefones celulares", afirma Duton. "Essa idéia partiu dentro do grande boom da Internet. Nós nos perguntávamos o que seria possível ou para onde iria esse mercado após sua explosão e derrocada e centramos o foco na telefonia móvel por acreditar que este segmento teria forte desempenho no futuro e acertamos", diz.ÿ

A nTime começou prestando serviços para a operadora Claro e concomitantemente a esse projeto, continuou desenvolvendo novos serviços que acabaram sendo comercializados com a operadora Vivo, e depois com a TIM. "Hoje temos pelos menos dois ou três projetos vinculados com cada uma das operadoras de telefonia móvel do país. Começamos com um capital próprio de R$ 50.000 e estamos projetando fechar este ano com receitas estimadas em R$ 3 milhões, empregando 33 pessoas, sendo 22 engenheiros e 11 profissionais para o setor administrativo", comemora.

Em termos de oportunidades e novos negócios, Duton dá uma dica: "recentemente tive acesso a um projeto feito por uma agência de propaganda da Nova Zelândia. Essa agência desenvolveu peças publicitárias para inserção em celulares. Essa pode ser uma boa dica desde que esta agência faça o meio de campo com as operadoras e acesse um operador que possa criar uma plataforma que viabilize, tecnologicamente falando, esta solução, pois, no médio prazo, acreditamos que os celulares possam levar aos seus clientes publicidade e propaganda", diz.


Radiografia das Incubadoras Brasileiras


O Brasil conta hoje com 283 incubadoras de empresas. Esse numero representa expansão de 36,7% quando comparado ao ano passado e esta acima da media de crescimento anual apurada pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), desde 1988, de 36,3%. Segundo o professor Josealdo Tonholo, coordenador da entidade, a radiografia do setor aponta para dados muitos significativos, como por exemplo:

1 - Dentro dessas 283 incubadoras existem 2.114 empresas incubadas; 1.580 empresas já graduadas e 1.367 empresas associadas, contando com uma geração de 27.229 empregos diretos. Desse total, as atuais 2.114 empresas incubadas respondem pela geração de 11.703 empregos diretos.

2 - Mais de 50% dos empreendedores brasileiros ligados às incubadoras tem entre 20 e 26 anos de idade.

3 - Por área de atuação, 25% das empresas incubadas desenvolvem projetos empreendedores na área de software e informática; 14% atuam no segmento eletroeletrônico; 11% com Internet; 6% no setor químico; 5% nos setores de mecânica e biotecnologia; 4% nos segmentos de design, telecomunicações e alimentos, sendo 3% em couro e confecções.

4 - A Região Sul conta com cerca de 43% das incubadoras brasileiras, seguida pelas regiões Sudeste (32%), Nordeste (13%), Centro-oeste (8%) e Norte (3%). Em relação ao 2003, a região Centro-Oeste teve o maior crescimento: 175%, o Nordeste (35%), Sudeste (29%), Sul (25%) e Norte (1,25%).

5 - Outro dado levantado pela pesquisa revela que 82% dos empreendimentos inovadoras - e que buscaram incubadoras para seu processo de maturação - mantém vínculos formais com universidades e centros de pesquisa, sendo que 64% mantém vínculos formais com universidades publicas.ÿ

6 - Em termos de faturamento, a expectativa alinhavada das 2.114 empresas incubadas tem o seguinte desenho:

  • ÿ30% estimam faturamento zero;ÿ
  • 50% estimam faturar ate R$ 180 mil;ÿ
  • 10% projetam faturamento entre R$ 180 e R$ 360 mil;
  • 2% entre R$ 360 e R$ 540 mil;
  • 2% entre R$ 540 e R$ 720 mil;
  • 2% entre R$ 720 e R$ 1,2 milhão;
  • 2% entre 1,2 e R$ 3 milhões;
  • 1% mais de R$ 3 milhões.ÿ

7 - De um universo de 1.580 empresas pesquisadas, 93% permanecem no mercado ate completar o 5º ano de atividade;

ÿ







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