Wednesday :: 03 / 09 / 2014

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Gabarito comentado da prova de português


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01. No enunciado da questão, fala-se da vinculação entre os efeitos da importância do rio e a história da região e solicita-se a menção ao trecho que mais claramente explicita tal vinculação. Ao dizer que o tempo era contado pelas eras das cheias, o narrador deixa clara a importância do rio, cujas cheias "datavam" os fatos ocorridos na região. E a frase que se segue explicita como , na prática, as cheias eram relevantes na história do lugar.

02. a) O artigo definido realmente traz, em situações de linguagem como a que motivou a questão, um valor significativo que vai além da simples definição. Compare-se, para pôr em relevo tal valor, as expressões "o rio" e "um rio": facilmente se notará que o artigo definido, particularizando o rio, valoriza-o, o que não ocorre com o indefinido . Aqui lembramos conhecidos versos de Cãtano Veloso, no qual o eu-lírico (feminino) afirma: "Ele é o homem, eu sou apenas uma mulher...". b) O pretérito imperfeito, sabemos, é o tempo que corresponde ao "presente no passado", exprimindo ação não concluída. No caso, é a expressão verbal adequada para aproximar os fatos narrados (que pertencem ao passado) daquele que lê (que está no presente), como, por exemplo, na passagem: "Agora era largo e, quando descia nas grandes enchentes, fazia medo". c) O pretérito mais que perfeito nos conduz a ações passadas anteriores a outras também do passado. Quando o narrador diz que o rio, "em tempos antigos fora muito mais estreito", está se referindo a uma época do passado anterior àquela em se situa a narrativa. Note-se, aqui, a possibilidade de empregar-se também, nessa situação , a forma composta do mais que perfeito (em tempos antigos tinha sido muito mais estreito). d) são palavras que se referem à natureza local e dão o "tom" regionalista ao texto: marizeiros, ingazeiras, cangapés, aruá. A resposta encontra-se em e porque, na primeira oração ("Punham-se os animais dentro dïágua") , o sujeito é paciente de uma construção com pronome apassivador.

03. A irrealização do amor está presente em "a" na expressão "fumaça": em "b", na conceituação do sentimento como " pobre gozo", na menção ao verbo "sofrer" e na adjetivação de cunho pessimista nos dois últimos versos; em "c", na menção a um amor perdido; em "d", na menção a um amor prometido mas que era "bem pouco e cedo se acabou". Na letra "e" (gabarito), não há qualquer palavra ou expressão que nos leva á semântica de um amor frustrado.

04. Entre o segundo e o terceiro verso, a relação é mesmo de oposição, cabendo, portanto, um elemento conector que expresse tal significado (mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, etc). O terceiro verso, em relação ao quarto, traz a idéia de explicação, a razão pela qual o porquinho-da-índia não gostava de ir para lugares mais limpinhos; logo, o conectivo tem que ser um dos que, em português, introduzem essa idéia (porque, pois, porquanto, visto, que, já que, etc)

05. No Romantismo, a saudade é enfocada como recordação de algo positivo - os momentos de um passado feliz, mitificado, idealizado, em contraposição ao presente insatisfatório. A saudade é, assim, uma fuga do presente. O texto de Raul Pompéia retifica essa visão, ao caracterizar o sentimento como "hipócrita", e portanto falso. Também nega a concepção romântica o texto de Cacaso, ao acrescentar, em processo de paródia, o adjetivo "negros" (de conotação claramente negativa) à expressão "verdes anos", caracterizadora da infância. A paródia é uma criação artística (literária, teatral, musical, etc) que imita outra, ou os procedimentos de outra, com finalidades jocosas ou satíricas. Considerado o verso "original" de Casimiro de Abreu (à que saudades que tenho / da aurora da minha vida" ), percebe-se nitidamente a intenção irônico-crítica de Cacaso, ao acrescentar, ao sintagma "verdes anos" (metáfora equivalente a "aurora da minha vida"), o adjetivo "negros", de conotação negativa. No texto de "Ateneu" não há o processo de paródia.

06. A metonímia é figura de linguagem caracterizada por relação de contigüidade (a parte pelo todo, o todo pela parte), podendo ser "o autor pela obra" (ler Machado de Assis), "o lugar de produção pelo produto" (fumar um Havana), "o efeito pela causa" (conseguir tudo com o suor), etc. Um exemplo equivalente ao do texto (o relógio - símbolo - indica a coisa simbolizada - o tempo) seria a utilização da palavra "coração" para significar "amor" , ou do vocábulo "cruz" com valor de "religião".

07. O personagem narrador opõe uma expectativa que, para ele, o leitor provavelmente tem à realidade da construção da narrativa. O leitor quer dinamismo, rapidez na narrativa (tem "pressa de envelhecer"), mas o livro "anda devagar". Essas idéias estão opostas através do emprego da conjunção "e" que, por isso, assume, no caso, valor de oposição, adversativo. Essa mesma idéia de oposição está presente na letra "c", onde claramente se pode substituir a conjunção "e" pela conjunção "mas", um a vez que "defender a ética" é incompatível com "estar sendo processado por corrupção". Na letra "a", pode-se imaginar que o "e" apresente um valor consecutivo (o mesmo que possui nas letras "b" e "d"); na letra "e" tem o valor usual, aditivo.

08. Embora os primeiros livros de Machado de Assis ("Ressurreição", "A Mão e a Luva", etc) obedeçam a uma estética romântica, a verdade é que o escritor se notabilizou como grande nome do Realismo entre nós, pela sua produção mais madura ("Dom Casmurro", "Quincas Borba" , "Memórias Póstumas de Brás Cubas" , etc). Uma das características do Realismo que o personagem narrador destaca nos comentários feitos quando se dirige ao leitor é a técnica de detalhar, trabalhar as minúcias, as características mais do que a ação. Por isso, o livro anda devagar, "guinando à direita e à esquerda", como os ébrios.

09. · exceção da alternativa "d", onde não há apelo erótico ou sensual na mensagem publicitária, as demais opções registram a presença de elementos desse campo, na seleção vocabular. Assim, temos, em "a": "prazer", "sedutor", "assédio sexual"; em "b": "paixão", "desejo"; em "c": "prazer", "fino que satisfaz" ; em "e": "amor e carinho", "prazer".

10. Os versos tratam do petróleo e nos remetem a um "slogan" dos anos 50/60, de defesa da Petrobrás ( "O petróleo é nosso"). Logo, revelam preocupação com um problema nacional.

A repetição do possessivo "nosso" enfatiza o sentimento nacionalista. As opções "c", "d" e "e" reproduzem postulados do movimento concretista, ao qual se filia o poema em questão.

Fonte: O Globo







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