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USP e Unifesp inovam e põem prática antes da teoria

      
Simone Iwasso

A Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), duas das mais respeitadas e tradicionais instituições de ensino superior do País, estão dando exemplos de mudanças no velho e fechado currículo de graduação que elas mesmas ajudaram a consolidar. Baseadas na constatação de que o modelo formado por conteúdo teórico dividido em disciplinas dadas em aulas expositivas para alunos passivos em sala de aula deixaram de ser suficientes, as duas instituições aproveitaram seus novos campus - a USP Leste e a Unifesp da Baixada Santista - para promover inovações na forma de ensinar.

Além disso, levaram a outras carreiras experiências de ensino diferenciadas que, no Brasil, estavam restritas a alguns cursos pioneiros de Medicina (veja box ao lado). Na Unifesp da Baixada Santista, que começa agora seu primeiro ano, o método adotado chama-se Educação Multiprofissional - usado em universidades americanas e européias, aplicado pela primeira vez no Brasil.

Desde o começo das aulas, na semana passada, os alunos vivenciam uma proposta diferente: no primeiro ano, as várias disciplinas foram substituídas por quatro grandes módulos, as aulas são as mesmas para vários cursos e há um contato maior com a realidade (hospitais, bairros próximos, organizações não-governamentais).

A separação entre as diversas especialidades fez com que cada profissional conhecesse uma parte do ser humano. O desafio é o resgate da integralidade no cuidado ao paciente. Vamos preparar o profissional para isso, para o trabalho em equipe, explica o professor Nilson Alves Batista, diretor acadêmico do campus, que oferece cursos de Fisioterapia, Educação Física, Terapia Ocupacional, Nutrição e Psicologia.

Para isso, segundo o professor, a ordem do ensino tradicional é invertida. No formato conhecido, por exemplo, para ensinar sobre planejamento familiar, os alunos assistem uma aula em que o professor explica os métodos, a relação com a saúde pública e os problemas da população. No projeto novo, eles primeiro vão a uma unidade básica de saúde, conversam com as mulheres, funcionários, observam as dificuldades. Depois vão para a sala de aula estudar a teoria do que acabaram de ver.

No primeiro caso eu tenho um aluno passivo, que nem sabe por que está estudando aquilo. No segundo, um aluno que viu o que acontece, encontrou problemas, tentou resolvê-los, foi fazer pesquisa e chegou para mim com dúvidas, com questionamentos. Ou seja, ele vê a realidade e a partir dela entende a necessidade da teoria, diz.

RESULTADOS Na USP Leste, as iniciativas adotadas no ano passado, o primeiro do campus, começam a dar resultados. A disciplina chamada Resolução de Problemas, em que estudantes conhecem a realidade, encontram um problema e trabalham em sua solução, como forma de iniciação ao método de pesquisa acadêmico, ganhou mais espaço no currículo.

A Resolução de Problemas foi a disciplina mais bem avaliada pelos alunos em pesquisa da universidade. E quatro dos dez cursos de graduação - Gestão Ambiental, Gerontologia, Obstetrícia e Gestão de Políticas Públicas - resolveram modificar seus currículos e incluí-la em todos os anos. A idéia inicial era ter esse projeto só no primeiro ano. A USP Leste também extinguiu os departamentos e propôs um ciclo básico, onde as aulas são interdisciplinares e envolvem todos os cursos.

Os alunos, com a orientação do tutor, demonstram os problemas, seja sobre a vida dos idosos de um bairro da zona leste, a qualidade de vida do catador de lixo do centro, as questões ambientais de um parque. No início da vida acadêmica deles, estamos mostrando que os fenômenos podem ter diferentes leituras e perspectivas. O resultado na aprendizagem está sendo impressionante, diz o professor Ulisses Araújo, que coordenou na semana passada o seminário Inovações no Ensino Superior, na própria USP Leste. Convidamos especialistas do exterior para aprendermos com a experiência deles e vermos o que podemos implantar aqui, na nossa realidade.

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