Friday :: 24 / 10 / 2014

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AIDS no mundo

Número de infectados ainda é crescente. Confira onde o ataque é maior


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Apesar de alguns avanços, o mundo está perdendo a guerra contra a AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida). E as regiões mais pobres do planeta são as mais afetadas. Essa foi a constatação de um estudo elaborado pelo UNAIDS (Programa das Nações Unidas para o Combate à AIDS). Os resultados da pesquisa mostram que a epidemia pode estar, vagarosamente, diminuindo no mundo, mas as taxas de infecção ainda são crescentes.

Em 25 anos, 25 milhões de pessoas morreram em decorrência da doença e, atualmente, cerca de 38 milhões de pessoas vivem com o vírus, embora muitos nem saibam. Só em 2005, 2,8 milhões de pessoas morreram vítimas da doença e outras 4,1 milhões foram infectadas. Na América Latina, mais de 1,6 milhão de pessoas vivem com o HIV e novas infecções atingiram 140 mil pessoas em 2005. Segundo o estudo da UNAIDS, 59 mil pessoas morreram na região em conseqüência da epidemia no ano passado e outras 294 mil, ou cerca de 73%, receberam tratamento anti-retroviral.

Na opinião de especialistas, estes números, além de diversos outros fatores, podem estar associados a uma ação contra-producente da mídia e dos próprios governos em não apostar em informação e educação preventiva em relação à doença. Para eles, se compararmos com as décadas de 80 e 90, em que, respectivamente, a AIDS acabara de ser descoberta e atingia seu ápice, o número de campanhas para o uso de preservativos e cuidados com a doença caiu muito.


Países como México e Cuba vêm se destacando na luta contra a AIDS. Para se ter uma idéia, é de apenas 0,3% a taxa de infecção entre a população mexicana. A ilha, por sua vez, se destaca mundialmente com o sucesso da medicina preventiva, resultados que se estendem para os programas de redução da transmissão da doença de mãe para filho, além da menor taxa da incidência da doença no Caribe.

Apesar de ainda ser o continente mais atingido pela AIDS - cerca de 2/3 da população africana é portadora do HIV - países como Quênia, Zimbábue e Burkina Faso têm diminuído as taxas de pessoas vivendo com o vírus. Camboja e Tailândia também obtiveram êxito, de acordo com o UNAIDS (Programa das Nações Unidas para o Combate à Aids), por alcançarem o mesmo feito dos países africanos citados acima.

E no Brasil?

No Brasil, vivem mais de um terço (cerca de 620 mil) das pessoas infectadas com o HIV/Aids da América Latina e, embora haja um acesso generalizado ao tratamento e tenha diminuído as infecções relacionadas com práticas perigosas, como injeção de drogas no país, a UNAIDS alerta que aumenta o número de jovens com precoces relações sexuais. Ou seja, mesmo que tenhamos conseguido reduzir a contaminação, o grupo de risco ainda é preocupante.

 

Para entender melhor esta questão, basta tomar como exemplo o Brasil. Somos bombardeados com propagandas do Ministério da Saúde em favor do uso da camisinha durante o Carnaval. Mas, e no resto do ano? A AIDS não existe? "Embora o país tenha alcançado importantes resultados contra a doença e seu Programa Nacional de Combate a AIDS seja referência inclusive no exterior, é importante observar estas questões", lembra o infectologista e professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Rogério de Jesus Pedro.

Para ele, o Brasil tem bons motivos para comemorar, uma vez que o programa do Ministério da Saúde é eficiente e elogiado no mundo todo por conta das ações que contiveram a progressão e a dispersão da infecção pelo HIV. Em todo caso, o sucesso ainda é parcial. "Não podemos dizer que a AIDS está sob controle, existem áreas em que ela está em plena expansão", lamenta. A região sul do país, apesar de sua franca expansão e de ostentar o título de segunda maior em economia e desenvolvimento, está apresentando um crescimento da epidemia. Em especial, nas regiões portuárias como Itajaí, em Santa Catarina. Vale lembrar que no Sudeste, a região do porto de Santos, onde havia um grande número de infectados, conseguiu mudar este quadro por meio de campanhas específicas de redução de danos.

Para o coordenador de Estudos e Vacinas Anti-HIV e professor da disciplina de Infectologia da Unifesp (Universidade Federal do Estado de São Paulo), Ricardo Palacios, o principal desafio do Brasil em relação à luta contra a AIDS é poder passar a mensagem de prevenção à populações vulneráveis que ainda não se percebem em risco de adquirir o HIV. Isso porque é justamente nestes grupos onde se espera que aconteça a maior quantidade de casos no futuro: mulheres, pessoas com baixa escolaridade e moradores de cidades de interior.

O infectologista da Unicamp também lembra a importância de falar sobre prevenção e tratamento nas comunidades carentes, já que define a doença como um problema que acomete principalmente a população de baixa renda. "A AIDS mantém o padrão geral das doenças infecciosas. Acomete os pobres e aqueles que têm menos acesso à educação e à informação. ?, portanto, uma doença da pobreza e do subdesenvolvimento", ressalta.

E os números ao redor do mundo reforçam esta tese. Durante muito tempo dizia-se que a AIDS era uma doença exclusiva dos homossexuais, uma vez que estes eram os mais atingidos pelo vírus. Porém, com o crescimento da doença entre os heterossexuais, ficou evidente que muitas outras questões envolviam o contágio pelo HIV. Daí a importância de se investir em informação e educação preventiva.

Para se ter uma idéia, na América Latina, apesar das relações sexuais entre homens constituírem um fator importante nas epidemias do HIV na Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador e Peru, os heterossexuais são o grupo em que há maior aumento de infectados. Em 2005, na Colômbia, havia cerca de 160 mil pessoas com HIV, entre as profissionais do sexo, a taxa de infecção era de 1%. Honduras - com uma taxa nacional de pessoas com HIV de 1,5% (ou 63 mil pessoas) e onde a AIDS é a principal causa de morte entre as mulheres - e Belize estão entre os países com as maiores taxas proporcionais da América Latina. Segundo a UNAIDS, Belize vive uma intensa epidemia, com 2,5% dos adultos do país infectados com HIV.

O abandono da áfrica

A áfrica é, sem sombra de dúvida, a região mais afetada pela AIDS e onde maior é o abandono da população. Dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) apontam que dois terços dos africanos possuem o vírus. Frente a estes dados, Palacios reforça que a crise de HIV/AIDS de regiões como a áfrica Sub-sahariana e o subcontinente Öndio são uma questão de sobrevivência para muitas comunidades perante a qual não é possível ficar indiferente. No entanto, acredita que mesmo soluções que podem parecer fáceis em outros contextos, podem ser impraticáveis nas condições culturais, sociais e econômicas dessas regiões. "A pólio foi eliminada das Américas em 1994 com ajuda de uma vacina oral eficaz e barata. Mas ainda hoje não foi erradicada em países africanos e na Öndia. Por isso, não é suficiente dizer que com uma vacina eficaz se soluciona o problema do HIV em países pobres", destaca.

Em sua opinião, experiências relativamente bem sucedidas na redução de casos de HIV/AIDS requerem um compromisso político das autoridades e comunidades locais apoiado por esforços internacionais e da indústria privada. "Não só os avanços científicos são necessários para ampliar o controle do HIV/AIDS, mas um envolvimento das populações vulneráveis que se apropriem do problema e decidam afrontá-lo, com o apoio das instituições locais e internacionais. Essa conclusão também é válida para o Brasil", afirma.

O acesso à terapêutica e a falta de apoio internacional são os fatores que preocupam o infectologista da Unicamp em relação ao caso da áfrica. Ele explica que em países industrializados da América do Norte e Europa, além do Brasil, é possível perceber que os processos educativos e o tratamento têm controlado a infecção, mas isso está restrito a estas áreas. "Em regiões como a áfrica, o acesso à terapêutica é inferior a 5%. ? evidente que isso colabora pra disseminação da doença", diz.

Além disso, para modificar o quadro da AIDS naquele continente, ele defende a necessidade de uma mudança brusca nas estruturas de base para que seja possível disponibilizar medicamentos e acesso a informação sobre prevenção e tratamento. Atualmente, nas condições em que estão os países mais pobres da áfrica - onde nem mesmo as gestantes têm acesso à profilaxia e medicamentos já existentes para a redução da transmissão do vírus para seus bebês - isto é algo que só seria possível por meio de uma intervenção internacional em parceria com os governos locais. "O que acontece na áfrica é mais um genocídio que assistimos de maneira contemplativa. Uma hipocrisia do mundo frente à pobreza e ao desenvolvimento", friza.







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