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No ranking do Enade


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UnB fica em 5º lugar. Em três cursos recebeu nota 1 por causa do boicote dos estudantes

Priscilla Borges

As universidades federais se mantêm no topo da lista no quesito qualidade de ensino. Os dados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes do ensino superior (Enade) mostraram que 53,6% dessas instituições obtiveram as melhores notas. O desempenho mais baixo ficou com as particulares. Apenas 23,3% receberam as maiores notas.O Correio fez um levantamento sobre a atuação das federais na prova. Se for considerada a quantidade de conceitos máximos (nota 5) conseguidos, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) pode ser classificada como a melhor do país. Os estudantes da instituição marcaram a pontuação máxima em 16 cursos. Utilizando o mesmo critério, a Universidade de Brasília (UnB) fica em quinto lugar entre as federais.

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) também apresentou um bom desempenho. A instituição obteve conceito 5 em 13 cursos. Em seguida, aparecem na lista de mais pontuadoras a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ambas com notas máximas em nove áreas. A quarta colocada em número de conceitos é a Universidade Federal de Juiz de Fora, que obteve oito notas máximas. ? bom lembrar que instituições bem conceituadas como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) não passaram pela avaliação. A lei que criou o exame não obriga as estaduais paulistas a aderirem ao teste.

Na última edição do Enade, cujas provas foram aplicadas em novembro do ano passado, calouros e formandos de 20 áreas do conhecimento participaram do teste. São elas: arquitetura e urbanismo, biologia, ciências sociais, computação, engenharias (mais de 40 habilitações foram divididas em oito grupos), filosofia, física, geografia, história, letras, matemática, pedagogia e química. A UnB conseguiu conceito 5 em seis cursos: biologia, engenharia civil, engenharia de redes, engenharia mecatrônica, filosofia e matemática. Outras sete graduações ficaram bem colocadas, com notas 4.

O restante dos cursos da UnB avaliados no Enade (foram 18) não se saíram nada bem. Pedagogia, engenharia florestal e engenharia mecânica tiraram a pior nota: 1. Física ficou com conceito 2 e química, 3. Para o reitor da UnB, Timothy Mulholland, o maior motivo de preocupação é justamente o desempenho dos estudantes da química. "Quando o curso tira uma nota 3, não sabemos se o boicote que é medíocre ou o curso", comenta. Na avaliação do reitor, as notas baixas são reflexos dos boicotes dos alunos à prova.

Por conta da falta de garantias do esforço dos estudantes para realizarem as provas, Dilvo Ristoff, diretor de estatística e avaliação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), é cuidadoso ao analisar os conceitos do Enade. Para ele, as notas não podem ser olhadas isoladamente na hora de avaliar a qualidade de um curso. "Não podemos usar esse tipo de prova como nota do curso. Ela é apenas parte da avaliação", lembra.

Contra o exame

Desde a época do Provão, os universitários se dividem quanto à participação nas avaliações do Ministério da Educação. Muitos não concordam com a aplicação de uma prova para analisar a qualidade do ensino. Para protestar, os estudantes deixam de responder as questões. "Não existem mecanismos que garantam a participação dos alunos. ? uma falha, porque a imagem da instituição fica prejudicada e isso não mostra a qualidade de um curso", destaca Timothy.

Na pedagogia, a decisão de não fazer a prova foi tomada no Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia, em julho do ano passado. "Nós achamos que esta avaliação não é adequada, começando pela amostra que avalia pessoas diferentes em cada fase", afirma o aluno do 7º semestre de pedagogia Rafãl Ayan, 23 anos. O jovem foi um dos organizadores do boicote. "Avaliar os cursos é importante, mas não desta forma. Todos os alunos deveriam ser convocados e não uma amostra. Os alunos e os professores também deveriam participar da elaboração das provas e dos critérios de avaliação", ressalta.

Para Timothy, não há motivos para questionar a qualidade do ensino na UnB. "Nos cursos em que os estudantes se empenharam, as notas foram boas", diz. Segundo o reitor, será preciso conversar com os alunos nos próximos meses para estimulá-los a participar da prova com dedicação. "Respeito quem não concorda com o tipo de avaliação, mas os estudantes devem estar cientes de que as conseqüências não são as ideais", pondera.

Karina Loureiro Kegles Torres, 21 anos, aluna do 7º semestre de biologia, não se surpreendeu com o bom resultado do curso no Enade. "A gente estuda muito por lá. Mas não acho que a nota seja muito fiel à realidade. Tem gente que faz a prova pra valer, outros fazem de qualquer jeito. Na minha opinião, a nota que os cursos obtêm não fazem muita diferença para o estudante", comenta. Recém-formado em matemática, Sérgio Neves, 22, discorda de Karina. "Acho importante para o nosso currículo fazer parte de um curso com nota máxima. O bom desempenho pode ser atribuído ao corpo docente", conta.







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