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Noticia

Deuses Gregos à brasileira

06/09/2006

Toda a riqueza da arte greco-romana na exposição do MAB/FAAP




Por Mônica Nunes de Azevedo

A valiosa Coleção do Museu Pergamon de Berlim, exposta em 2006 no MAB (Museu de Arte Brasileira) da FAAP, em São Paulo, apresentou obras que nem os alemães conhecem. Com mais um detalhe: a curadoria de um brasileiro - o antropólogo Tiago de Oliveira Pinto - resultou numa leitura muito particular da cultura greco-romana. Ele dividiu esse trabalho com a antropóloga alemã Dagmar Grassinger, e garante que houve um aprendizado mútuo. "Eles também ganharam com esta parceria porque apresentamos um novo olhar sobre a cultura greco-romana e sobre a forma de selecionar peças e apresentar uma exposição". Foi o que destacou o presidente da Fundação Prussiana, Prof. Klaus Dieter Lehmann, em sua visita ao Brasil: "Exibir essa coleção no Brasil nos ajuda a olhar o nosso acervo com outros olhos, a organizá-lo e apreciá-lo de maneira diferente do que vínhamos fazendo há décadas". E isso foi feito também com o belo catálogo da mostra, que resultou numa obra de arte indispensável para quem aprecia esta cultura. Clique aqui para vê-lo.

A exposição inaugurou uma parceria inédita entre a instituição e um museu estrangeiro, com o apoio do governo brasileiro na área de intercâmbio cultural. Além da curadoria inovadora, uma boa parte das obras selecionadas foi resgatada da "reserva" (do museu berlinense) e restaurada com o apoio da FAAP. Somente assim o resgate dessas peças seria viável. Foram 3 anos de trabalho: um para as negociações e dois para selecionar e restaurar as peças. Para realizar as restaurações foram contratados 11 profissionais especializados em mármore, 3 em cerâmica, 4 em metal e 7 em gesso. Na volta a Berlim, as peças foram integradas ao acervo permanente, depois de apresentadas, pela primeira vez, ao público alemão, no mesmo formato da mostra brasileira.

Por tudo isso, a exposição Deuses Gregos - Coleção do Museu Pergamon de Berlim valeu a visita. Afinal, não é todo dia que dá para ver deuses tão poderosos (e valiosos) tão perto e "mergulhar" na cultura greco-romana. Nosso passeio virtual o ajudará a descobrir algumas das riquezas que esta coleção reúne.

O início de tudo
Composta por 100 mil peças catalogadas, a coleção do Museu de Pergamon de Berlim tem 350 anos e foi iniciada com Frederich, o Grande, rei da Prússia, no século XVIII. "Ele colecionava arte e adquiria peças não só para enfeitar os castelos, mas, também, para restauro", conta o curador. "Frederich adquiriu a escultura de Apolo, que está na mostra, mas foi apenas o torso. Os braços e a cabeça foram acrescentados por um escultor famoso da época". Mas o primeiro museu, na região, foi criado por seu sucessor, Frederich II, em 1830. "Ele era um monarca esclarecido que sabia que uma Nação se faz com educação, então, queria tornar público o acervo real. Ele tinha visão de futuro", explica Tiago Oliveira.

Em 100 anos, foram construído os 5 museus que compõem a Ilha dos Museus, em Berlim. O Museu de Pergamon fica na Ilha Central e foi o último. "Frederich II era muito ousado, construiu um museu de arte pagã entre o castelo municipal e a catedral. E é importante ressaltar: na Ilha, ele uniu poder, religião e cultura, em perfeita harmonia".

No século XIX, a coleção de Pergamon desenvolveu-se não por conta de aquisições, mas através das ações dos arqueólogos. As pesquisas arqueológicas foram financiadas pelo governo porque a intenção era vencer a França nesse quesito, o que colocou a Alemanha entre os países que mais desenvolveram essa atividade: "Hoje, a arqueologia alemã é imbatível", salienta o curador.

Assim, foram descobertas as cidades de Tróia e de Pergamon, sendo que esta é mais preciosa arqueológica e culturalmente. Primeiro, encontraram os escombros e, em seguida, os restos do que foi o Altar de Zeus, que é a peça central dos museus de Berlim. Depois de encontrado, o Altar levou 20 anos para ser finalizado, entre escavações, montagem, restauro e réplicas.



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