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Processo seletivo concorrido

      
Estudantes se dedicam para conseguir vaga em instituições federais de ensino

Mariana Fonseca

Estudar para o vestibular ou para outro grande processo seletivo é uma barra para qualquer pessoa. Para quem tenta as escolas públicas, a situação é ainda mais desafiadora, já que os cursos dessas instituições são gratuitos e por isso, muitas vezes, mais concorridos. E engana-se quem pensa que a concorrência é grande apenas nas universidades federais. Instituições de ensino como o Cefet e o Colégio Técnico (Coltec), da UFMG, também têm grande procura e o jeito é se dedicar e esquentar a cadeira estudando.

Isabela Campos Moreira, de 21 anos, foi uma das que enfiou a cara nos livros e conseguiu ser aprovada no processo seletivo do Cefet. Depois de dois anos e meio de muito estudo, ela começa em outubro as aulas do curso superior de química tecnológica. Para entrar, fez provas de todas as matérias, com ênfase maior em matemática e física. "Passei esse tempo todo tentando entrar em uma universidade pública. Não tinha condições de pagar uma particular e fiquei muito feliz quando o Cefet abriu este ano o curso de química", afirma.

A estudante tentou UFMG e foi aprovada na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), mas preferiu se matricular na instituição da capital. Segundo ela, ter no currículo uma instituição de ensino gratuito é vantajoso. "Além de não pagar, essas instituições são bem vistas no mercado, já que pressupõem um nível mais alto de concorrência e exigência dos alunos", analisa a jovem, aliviada por ter conseguido vencer essa etapa.

PROVAS

Mas, o desafio das provas chega mais cedo para os alunos do ensino médio, que enfrentam ainda na 8¦ série a bateria de provas desses processos seletivos. O Cefet-MG e o Coltec, por exemplo, oferecem educação profissional técnica de nível médio para alunos recém-saídos do ensino fundamental. No caso do Cefet existem opções: integrada, em que o aluno faz o ensino médio e técnico na instituição; a concomitância externa, para os que pretendem fazer apenas o ensino técnico, fazendo o médio em outra escola; e a de nível médio subseqüente, para alunos que concluíram o ensino médio e pretendem fazer o curso técnico.

Já o Coltec oferece ensino profissional técnico de nível médio com três possibilidades de especialização: técnico em eletrônica, técnico em instrumentação/controle de automação e técnico em química. Amanda Gontijo Carvalho, de 15, é uma das que optaram pelo colégio. Ela está cursando o 1º ano e se prepara para decidir qual especialização vai fazer. "Entramos para cada especialização dependendo das nossas notas. Quero fazer química, mesmo sabendo que sempre é mais concorrido por ser o único da área biológica", ressalta.

Amanda não fez cursinho para passar no processo seletivo, mas revisou as matérias de acordo com o edital. "Queria estudar aqui, principalmente porque, além de ser uma escola pública, estou dentro da UFMG. Pretendo fazer vestibular para medicina. Sei que a concorrência é grande, mas acredito que terei uma boa base."

Serviço

CEFET-MG

As inscrições ao processo seletivo para o 1º semestre de 2007 começam dia 25 deste mês e vão até 7 de outubro, no próprio Cefet, nas agências credenciadas dos Correios ou pela internet. Para os cursos superiores, o valor da inscrição é R$ 80 e, para os cursos técnicos, R$ 40. ? obrigatória a aquisição do manual do candidato, vendido a R$10. As provas dos cursos do ensino superior serão realizadas dias 25 e 26 de novembro, e as provas para os cursos da educação profissional técnica de nível médio em 10 de dezembro. Os livros adotados para a prova de literatura dos cursos superiores são: A viagem, de Cecília Meireles, e Laços de família, de Clarice Lispector. Já para os cursos técnicos a obra é Nariz de vidro, de Mário Quintana. O Cefet fica na Avenida Amazonas, 5.253, Bairro Nova Suissa, região Oeste de Belo Horizonte. Informações: (31) 3319-5000 ou no site www.cefetmg.br

COLTEC

O Coltec ainda não publicou o seu edital, mas a previsão é de que as inscrições comecem na segunda quinzena de outubro e as provas sejam realizadas em dezembro. A obra indicada para a prova é Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto. O colégio fica na Avenida Antônio Carlos, 6.627, na região da Pampulha, em Belo Horizonte. Informações: (31) 3499-4961 ou no site www.coltec.ufmg.br

Segunda tentativa

Para Rodrigo Moises Pereira, de 19 anos, entrar para o curso técnico de turismo e lazer do Cefet não foi simples. Ele fez cursinho, não passou na primeira tentativa e quando já estava cursando o 1º ano do ensino médio em uma escola estadual, fez as provas novamente e conseguiu ser aprovado no curso com concomitância externa. "Passei um tempo estudando na escola à tarde e de noite no Cefet. Agora que completei o ensino médio, continuo no curso à noite, mas faço também um estágio durante o dia."

Rodrigo faz estágio no próprio Cefet, na área de promoção e eventos, mas já sonha com a faculdade de turismo. "Sempre gostei de ler sobre turismo, também gosto de falar e me informar. E acredito que vou sair do Cefet com bagagem suficiente para ser um guia turístico, se quiser. Mas, quero fazer a graduação e seguir me preparando."

Ele avalia que o ensino médio técnico foi uma oportunidade de conhecer mais sobre a carreira que pretendia seguir. "Entrei achando que gostava de turismo, hoje tenho certeza." Além disso, o estudante acredita que está mais preparado para o vestibular. "Os alunos que passam nessas escolas, por serem concorridas, já são pessoas que gostam de estudar e, por isso, as aulas rendem muito. Também somos tratados como alunos de faculdade, sem os professores correndo atrás dos estudantes, mas sim os alunos buscando conhecimento e assumindo responsabilidades."

João Pedro Costa Alves de Oliveira, de 17, também acha que o ensino técnico traz mais responsabilidade para os alunos. Ele está no 2º ano do ensino médio técnico de instrumentação do Coltec, chegou a fazer o primeiro ano em outra escola porque não havia sido aprovado no processo seletivo. Quando conseguiu a vaga, repetiu o ano no Coltec. "Estar dentro de uma faculdade é vantajoso. Temos acesso a todas as bibliotecas, aos professores da universidade e, por isso, acredito que o ensino seja diferente", afirma

Para João Pedro, a decisão de fazer o ensino técnico também envolveu a possibilidade de trabalhar. Mesmo pretendendo tentar o vestibular, ele se acha preparado para o mercado. "Se quiser, já posso sair da escola e trabalhar. Além disso, mais para a frente, ter o colégio no currículo é muito bom."

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