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O sistema educacional chinês hoje

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O pano de fundo da reforma
Economia
Cultura
Política
História
Os percalços da reforma
32 grandes IES chinesas
O que foi a Reforma
Receita estrangeira
O sistema educacional hoje
Semelhanças e diferenças China-Brasil
Oportunidades para o Brasil via China
Por Bárbara Semerene

As reformas do ensino superior foram efetuadas em cinco partes a partir de 1986: reformas da oferta da educação, do sistema de administração, do financiamento, do recrutamento, e da administração intrainstitucional. Veja como ficou cada item do novo sistema, segundo dados publicados no relatório da UNESCO em 2004 "Educational Development in China" (Desenvolvimento Educacional na China), do Banco Mundial e do Ministério da Educação da China:

Anos de estudo
Assim como no Brasil, são nove anos de ensino fundamental obrigatório, de quatro a cinco anos de graduação (dependendo do curso), de dois a três anos de mestrado e três para obter o doutorado. As crianças começam a estudar por volta dos seis anos, também como aqui. E entram na faculdade lá pelos 17. Desde 1986, o Ministério da Educação da China tornou obrigatório no país nove anos de ensino básico e em período integral para todos. A regra englobou uma série de medidas que revolucionou também o ensino básico, o que teve forte influência na revolução do ensino superior (Saiba detalhes sobre a revolução no ensino básico no box).

Oferta da Educação
No novo sistema de ensino, tudo foi pensado, inclusive as diferenças regionais e culturais do país. Foram considerados todos os contextos e diversificados os meios de transmissão do ensino de acordo com eles (investimento na Educação a Distância e Educação Continuada). Por isso, em 1983, o sistema de ensino superior da China foi dividido em dois seguimentos: Ensino Superior Regular e Ensino Superior Adulto. O primeiro incluía tanto as universidades convencionais (multidisciplinar e de pesquisa, normal, técnica, médica e agrícola) quanto as politécnicas, também denominadas "universidades profissionais de curta duração". O segundo incluía as universidades por televisão, as universidades de trabalhadores, assim como programas por correspondência, especial e noturnos.

Administração
As universidades adquiraram mais autonomia para administrar seus recursos e sua grade curricular. Antes, tudo era determinado pelo governo, incluindo os cursos que cada universidade ofereceria, o conteúdo deles, as faculdades e a divisão de recursos entre elas. Agora, o governo mudou sua função de gerente direto para uma atuação mais macro. A universidade tem autonomia para criar um sistema adequado à economia e à sociedade. "Todos os anos, são organizados comitês com representantes dos vários setores da sociedade que são ouvidos para que o governo adote as diretrizes educacionais do próximo ano com base nestas reuniões", explica Paul Liu, diretor da Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Econômico (CBCDE).

A administração dos recursos foi descentralizada e dividida em dois níveis: o Comitê Nacional de Educação formula a políticas básicas da Educação, é responsável pela legislação, locação, planejamento, acesso, serviços de informação e supervisão das leis e o Comitê Local de Educação, que media o relacionamento entre as faculdades e gerencia a escala de admissão e especialidades.

Financiamento
"A anualidade cobrada dos alunos na universidade pública foi sendo instituída gradualmente a partir de 1989, evitando assim um impacto grande na população. No início, cobrava-se algo em torno de US$ 100 por semestre. Conforme a mudança de mentalidade foi acontecendo, ao mesmo tempo que a economia do país e a renda da população crescia, o valor foi aumentando. Hoje a média de preço de uma boa universidade pública é US$ 800 por ano", explica o adido cultural da Embaixada da China no Brasil, Shu Jianping. Parece um valor baixo, mas não é para o nível de vida da maioria da população do país. Segundo Jianping, a renda mínima familiar na China equivale a US$ 80 por mês. "Há famílias do interior cuja renda não chega a isso. No entanto, está cada vez mais aumentando a classe média chinesa", diz o adido.

Apesar dos alunos pagarem por sua formação no ensino público, a parte deles representa apenas 4,6% do orçamento total das IES. Ainda é o governo que banca o maior pedaço, contribuindo com 80% dos recursos, o que já é um valor bem abaixo do que o Estado desembolsava em 1978 (96%). Tanto que de 1998 para 2000, o orçamento do governo com educação diminuiu de 14,6% do orçamento total do país para 13,3%.

Fora o gasto do governo e dos alunos, há canais múltiplos de sustentação, tais como a criação e oferta de cursos de treinamento para firmas ou para o governo, o desenvolvimento de pesquisa aplicada por encomenda, a produção de bens de consumo em fábricas universitárias, aumento de preço para o uso das instalações, doações feitas pela população e por empresários. Por conta desta ampliação da receita foi possível aumentar o número de bolsas de estudo e programas de trabalho e estudo, e de financiamento governamental para alunos de famílias carentes.

Estrutura
Aumentou o número de universidades no país. Em 2002, havia ao todo 2003 Instituições de Ensino Superior, entre as quais1396 eram IES regulares e 607 eram instituições voltadas para adultos. Ao mesmo tempo que houve muitas fusões entre IES, já que na época de Mao não se misturava cursos de Ciências Naturais e Humanidades.

O país também otimizou a estrutura de cursos de nível superior, de pequenos e segmentados, para mais científicos, o que se entende como sendo mais benéfico para a economia local e a sociedade. Há cinco anos, havia mais de mil tipos de cursos de graduação na universidade e mais de 2 mil universidades na China. Todas as matérias tinham subdivisões. Por exemplo: Engenharia Química era dividida em Engenharia Química Orgânica, Engenharia Bioquímica, Engenharia Química Ambiental, Mecanismos de Engenharia Química e Automação de Engenharia Química. Hoje, o número não passa de 400. Deste modo, os estudantes têm tempo para aprender a teoria básica e outras matérias pelas quais se interessam. Ao mesmo tempo, têm mais tempo para aprender sobre a cultura e a sociedade.

Recrutamento
Desde 1999, houve uma reforma no sistema de seleção das IES. Antes, havia um exame de admissão nacional onde caíam todas as disciplinas, assim como no Brasil. Agora, a entrada foi facilitada com um menor número de disciplinas. O esquema é três + um, ou seja: três disciplinas obrigatórias - Inglês, Chinês e Matemática - mais uma opcional, escolhida pelo vestibulando. Esse sistema visou amenizar a carga dos alunos de ensino médio, e enrigecer o ensino na graduação. A prova é realizada em todo o país todos os anos nos dias 7,8 e 9 de junho. O esquema de pontuação determina para qual universidade cada aluno pode ir. Os melhores podem ir para universidades de primeira categoria. Quem fica com uma pontuação mediana, vai para universidades medianas. Quem fica no terceiro nível de pontuação, paga mais do que os outros nas universidades medianas. E quem fica no quarto nível, só pode fazer licenciatura. No quinto nível, o aluno não entra. Segundo o Ministério da Educação chinês, 21% dos estudantes que prestam o exame são admitidos anualmente.

Desafios
Um dos grandes desafios enfrentados é a reciclagem dos docentes do ensino superior. A China possuía um contingente significativo de professores já com idade avançada e com baixa qualificação. Após 10 anos de implementação da reforma muitos docentes foram substituídos por professores mais jovens e o número de professores com doutorado e mestrado aumentou.

Não há emprego para todos os que se formam na China. Segundo a Embaixada da China no Brasil, só 70% dos universitários formados encontram empregos de nível superior. "Muitos estão aceitando empregos de baixa remuneração por conta do desemprego", afirmou o adido cultural da embaixada.

Apesar de todos os esforços, o padrão de qualidade das IES públicas na China não é o mesmo em todas as regiões. São 32 divisões administrativas no país. "Por conta disso há grande migração para os centros urbanos. O governo está tentando resolver isso dando incentivos - como uma melhor remuneração para professores", explica o adido.

A revolução no ensino básico
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Além da reforma no Ensino Superior, China investiu pesado na educação básica de qualidade - esta, sim, gratuita a todos - , sendo uma das únicas nações do mundo que conseguiu implementar com sucesso as orientações da Unesco determinadas em 2000, por ocasião do Fórum Mundial de Educação, em Dacar, que estabeleceu uma série de compromissos visando a melhoria da educação no mundo, o que gerou o documento "Educação para todos". Em 1986, o Ministério da Educação da China, implementou com sucesso nove anos de ensino básico obrigatório e em período integral para todas as crianças chinesas - incentivadas pela isenção de qualquer tipo de pagamento de taxa e material escolar e por subsídios do governo à s famílias mais carentes. Segundo a Unesco, no final de 2003, 91% das crianças estavam na escola. No Ensino Fundamental, a média de crianças matriculadas passou de 93% em 1980 para 98% em 1998, e a média de estudantes entrando no ensino médio passou de 75.9% em 1980 para 94.3% em 1998, segundo dados do Ministério da Educação chinês.

Além disso, a China implementou um novo método pedagógico, focando na criatividade e pragmatismo dos estudantes. A ênfase é em ensinar a estudar, formação de valores. As disciplinas foram organizadas de forma a preencher as necessidades de desenvolvimento das diferentes regiões da China. Enfatizou-se também a relação entre a vida do aluno e o desenvolvimento de uma sociedade moderna, da ciência e da tecnologia. Dá-se mais atenção à individualidade dos estudantes e incentivo à independência deles no sentido de descobrir soluções, experimentar, investigar, coletar informações. Em 2004, o Conselho Estadual da China aprovou o Plano para Rejuvenescimento da Educação 2003-2007. Este plano prioriza a promoção da reforma educacional e desenvolvimento nas áreas rurais, onde 70% dos habitantes estão no ensino fundamental.

Há muita desigualdade entre as províncias chinesas, conseqü entemente, grande variação no padrão de ensino das escolas. Entre 1995 e 1996, enquanto os gastos com educação local nas oito províncias da região oeste era de 3.37% do Produto Interno Bruto, e 1.98% na região litorânea. A média de gastos por aluno de 1988 até 1996 era de US$ 8,55 na região litorânea, e de US$ 26.58 nas grandes cidades, segundo dados de 2001, do Centro Nacional de Pesquisa em Desenvolvimento Educacional da China.Para padronizar a qualidade de ensino nas regiões leste e oeste da China, o governo chinês deslocou não só recursos financeiros, mas também professores e pessoal administrativo das escolas mais ricas para apoiar escolas mais pobres. Também deu-se grande atenção à s minorias. Nas escolas em que a maioria dos estudantes é de grupos étnicos minotritários no país, a língua escrita e falada é usada na instrução deles. Atualmente, há 29 lingas de 21 grupos étnicos minoritários na China. A cada ano, mais de 3.500 livros-texto são publicados nas línguas desses grupos minoritários.

Além disso, mais professores foram contratados e capacitados. De 1990 para 2002, aumentou em 106% o número de professores nas escolas chinesas, segundo relatório da Unesco. A reforma completa do ensino já foi feita em 57% do país.

Além disso, a abertura do país ao ensino privado promoveu a competição na Educação, elevando a qualidade no ensino e contribuindo para um padrão diversificado de desenvolvimento da educação.

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