Thursday :: 30 / 10 / 2014

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Muito além do estilista

Setor oferece vagas para muito mais que profissionais da criação


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Por Lilian Burgardt

"Existe muito mais trabalho entre os croquis e as passarelas do que supõe nossa vã filosofia". Adaptações shakesperianas à parte, é o que dizem especialistas no mundo da moda quando querem mostrar que o setor tem muito mais a oferecer do que oportunidade para quem sonha com o glamour do estilismo. Ocupando o oitavo lugar em produção têxtil do mundo, o Brasil é um mercado em franca expansão. Sendo assim, a cada ano, novos postos de trabalho são abertos, ampliando o leque de opções para quem se forma ou se especializa em Moda.

Embora as escolas brasileiras de moda dêem uma atenção especial para o design, a fim de formar cada vez mais talentos para fortalecer a marca Made in Brazil no exterior, o País oferece inúmeras oportunidades em outras áreas. Detalhe: a grande demanda do mercado por tais profissionais, além de ampliar o leque de oportunidades, quase sempre vem acompanhada de uma boa remuneração. Estes fatores fazem com que profissões que vivem à sombra do estilismo possam se tornar brilhantes opções de carreira. Hoje, por exemplo, o Brasil carece de bons modelistas, profissionais que dão forma ao sonho do estilista dentro das confecções. A grosso modo, seria o mesmo que comparar o estilista ao arquiteto e o modelista ao engenheiro. Em Santa Catarina, pólo têxtil brasileiro, a cada ano, cresce a busca por tais profissionais. Movimento que se estende de Norte a Sul do país, conforme o aumento da produção brasileira.

Como não poderia deixar de ser, a lei da oferta e da procura tem influência direta sobre a faixa salarial destes profissionais. Em uma grande confecção, por exemplo, um estilista pode ganhar em torno de R$ 5.000,00 e um modelista R$ 6.000,00. "Há boas vagas. O que existe é pouco profissional interessado em trabalhar 'nos bastidores da fama'", afirma a diretora de marketing do Ibmoda (Instituto Brasileiro de Moda), Luciane Robic. Segundo ela, isso é notado nos próprios bancos escolares, já que as escolas e disciplinas de modelagem são as menos freqüentadas pelos estudantes. "Todos querem criar. Ver o seu nome à frente de uma confecção", explica.

A coordenadora do curso de Desenho de Moda da FASM (Faculdade Santa Marcelina), Raquel Valente, atribui esse comportamento "blasé" com as outras profissões pelo ofuscamento que o estilismo causa. "Quando se fala em Moda, a imagem do estilista surge na cabeça das pessoas porque têm o glamour, mas além disso, estes são os profissionais lembrados pela mídia quando se fala do assunto", diz. "Um bom exemplo disso é o caso dos tecidos inteligentes. Todos se lembram quando eles chegaram ao mercado e podem até lembrar quais as marcas que os utilizam, já o nome do modelista...", diz.

Além dos "engenheiros da moda", outra profissão que demanda mão-de-obra no setor é a de produtor de moda. Assim como na televisão, o produtor é aquele que faz acontecer. Seu papel na indústria da moda é alinhar a criação e a confecção de forma que o resultado tenha viabilidade comercial. Para isso, o profissional precisa fazer estudos e mais estudos de mercado e de perfil de consumidor. Hoje, este profissional não encontra só boas oportunidades que permitem trocar de emprego com a rapidez da moda, mas também, construir uma carreira bem-sucedida dentro de uma determinada indústria, e o melhor: sendo muito bem pago por isso.

? o caso da produtora de moda, Ivna Barreto de Menezes Pereira, de 24 anos. Apesar da pouca idade, Ivna tem experiência de sobra em seu currículo. Aos 20 anos a jovem trocou o Ceará por São Paulo e começou uma carreira de sucesso. Hoje, quatro anos depois da migração e de já ter passado por empresas como Zoomp, Ellus, Colcci, Alexandre Hercovitch, entre outras, ela se consolidou como produtora de moda e atende cerca de 15 empresas diferentes. "Meu trabalho é identificar a necessidade das empresas e fazer um estudo de mercado encontrando soluções para que seus produtos sejas bem comercializados. O que mais gosto é o dinamismo, já que a cada seis meses tenho que começar tudo do zero", brinca. A cada troca de coleção, ou seja, primavera/verão e outono/inverno, os estudos e as metas são completamente diferentes, fazendo o trabalho ser ainda mais desafiador. "A gente não pára. Por isso, para ser produtor, tem que gostar mesmo de mudança", friza. A remuneração de um profissional com o perfil de Ivna gira em torno de R$ 3.500,00 por mês.

A área de marketing em moda também cresce a olhos vistos. Responsável pela identidade da marca e pela sua fixação na cabeça do consumidor, este profissional tem que entender muito de estratégia de vendas mas, sobretudo, de tendências de moda. ? o que faz Jeniffer de Freitas, 33 anos, responsável pela identidade da Nike. Formada em Marketing, "por acidente" migrou para a área de moda. Ela conta que sempre quis trabalhar com grandes marcas, mas não imaginava o quanto precisaria estar integrada com o business para desenvolver este trabalho. "No começo da carreira trabalhei na Trifil. Quando decidi me especializar fazendo um MBA em moda surgiu o convite para trabalhar no grupo Valdac, holding que detém as marcas Siberian e Crawford, depois veio esta oportunidade na Nike", explica. O trabalho de Jeniffer é alinhar o planejamento de coleção com a divulgação da marca, que também muda de acordo com o ritmo da moda. Uma profissional como ela não encontra dificuldades para mudar de emprego. "As propostas acabam caindo no seu colo", diz. A remuneração? Em torno de R$ 5.000,00 e R$ 6.000,00.

Os consultores de moda também são profissionais valorizados no mercado. Segundo Luciane Robic, o Brasil tem um potencial enorme para comercialização dos produtos têxteis e de confecção. O que falta, são profissionais experientes, não apenas bons vendedores, mas que entendam de tendências e possam percorrer o Brasil levando os produtos das confecções para outras regiões mais distantes. "O mercado interno é um grande consumidor. ? preciso identificar as necessidades dos diferentes pólos de consumo para expandir os negócios de região para região. Aí, o que conta não é só uma boa lábia, mas o expertise e o conhecimento das novidades do mercado, além do feeling em relação ao perfil dos consumidores das diferentes regiões", encerra.







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