Friday :: 31 / 10 / 2014

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Veja qual é o limite da relação entre professor e aluno

Intimidade com o professor pode não ensinar nada, além de magoar


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Do Universia

Ao ingressar na universidade, alunos vindos do ensino médio logo percebem que as relações com seus novos professores será drasticamente diferente daquela vivida na escola. Entre sisudos e descolados, mais jovens ou mais velhos, espirituosos ou carrancudos, cada professor tem seu jeito de ensinar e interagir com seus alunos. Além disso, essa abordagem é afetada pelo próprio ambiente universitário, mais independente e onde os mestres não se preocuparão em tutelar seus pupilos da mesma forma que acontece no ensino médio. Nesse sentido, os professores podem parecer mais liberais e acessíveis ou mesmo dispostos a conversar sobre assuntos comuns com seus alunos e até acompanhá-los em ambientes sociais fora da classe. Nesse momento é que há uma dúvida: Até que ponto pode ir essa relação?

De acordo com duas especialistas nessa matéria, existe um certo limite na relação pessoal entre professores e alunos para não colocar em risco o objetivo primário dessa relação: o aprendizado. Claro que um ambiente mais descontraído, com um líder que sabe ouvir, ceder espaços e identificar dificuldades, tende a ser um lugar mais agradável para o estudo. Quando esse estágio é alcançado, há uma relação considerada por muitos como ideal e que contribui para todos: alunos e professores. Será que seu relacionamento com o professor e o dele com você é o ideal?

A professora de Psicologia da Unip (Universidade Paulista), Elizete Lupo, fala sobre a importância da ética na vida do professor. "Ter uma relação amigável é muito bom, ter uma relação de amigos não", adverte ela. Elizete é taxativa ao falar sobre a ética necessária para equilibrar essa relação. "Quem não entende as diferenças disso e se envolve com alunos, seja por uma amizade, uma paixão, ou qualquer outro motivo, falta com a ética", dispara ela.

Segundo Elizete, por causa dessa maior proximidade, alguns alunos podem criar uma paixão por professores. Muitas histórias assim acabam por temperar as conversas de corredor. Há que já tenha até sido protagonista de um sonho de amor com aquele ou aquela que te ensina, mostra experiência, serenidade e compreensão. Nesse caso, Elizete é enfática e não concorda com a permanência do suposto apaixonado ou apaixonada na mesma sala de aula que o amado. "Enquanto um for aluno e o outro professor, jamais o profissional pode se deixar levar por isso. A direção da escola ou faculdade tem que ser avisada e os dois devem ser separados de sala", aconselha.

Para a pedagoga graduada pela Universidade Santa érsula, do Rio de Janeiro, Sílvia Amaral de Mello Pinto, o limite ideal é um convívio praticamente profissional. "Quando você tem pontos em comum, a relação fica mais íntima. E nisso o professor pode tirar proveito para fazer o aluno se interessar mais no assunto, e não nele. Ouvir, conversar, dar risadas é uma coisa, levar um aluno para sua casa é completamente diferente", alerta ela.

Sílvia fala ainda sobre amizade e como ela pode influenciar o comportamento das pessoas e destruir os processos de avaliação. "Não quero ver quem gosto passar por uma dificuldade. Vou ajudar a sair dessa dificuldade. Alguém gostaria de ver um amigo reprovado, ter notas ruins e não poder fazer nada para ajudá-lo? ? claro que não, e por isso não se pode misturar essas funções", declara Sílvia. Para ela, a relação entre aluno e professor deve ter uma dose sutil de intimidade. "O professor deve sim ser cortês, acessível e ter um olhar afetivo para com o aluno. Isso não quer dizer que necessariamente uma amizade seja necessária, pois isso é algo muito mais profundo", recomenda.

Para Sílvia, ser amigo de um aluno é correr o risco de perder algo primordial para um professor: a autoridade. "Nesse caso, o ambiente fica prejudicado. Um bom professor é democrático, motivador, mas não deixa de ser um líder. Se essa liderança for abalada por amizade, é sinal de que o limite foi ultrapassado", alerta. Já Elizete acrescenta. "Ser sociável, agradável e atencioso é muito bom, mas também é preciso ser cuidadoso, pois essas características podem parecer sedutoras para os alunos, que perdem o respeito pela imagem do professor", adverte ela.

Como não ser

Se por um lado a cordialidade pode gerar relações tortuosas, Sílvia diz que o contrário também não é a solução. Ou seja, ser um professor carrasco não ajuda em nada e pode criar problemas sem solução para o aluno. Ela trabalha numa clínica que atende casos como esse, de alunos que tem mau desempenho escolar por problemas supostamente psicológicos. "Muitas vezes o estudante nos diz que tem dificuldade e não consegue se expressar quanto a isso pela falta de espaço e de diálogo com professores". Ela diz que profissionais que agem dessa maneira podem criar até deficiências irreparáveis na saúde e no aprendizado dos alunos.

Elizete concorda e dá a receita. "Não se pode pensar como há alguns anos, que o professor é um chefe, que te diz as regras, você obedece, acata e não discute com medo de alguma repressão. ? preciso ouvir e identificar dificuldades dos alunos e para isso não é preciso se apaixonar e nem seduzir, basta ser profissional, ou seja, explicar, fazer-se entender, tirar dúvidas e dar auxílio", finaliza.





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