Friday :: 31 / 10 / 2014

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Não basta gostar de estrelas para ser astrônomo

Profissão exige muito mais do que paixão por astros, veja como


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Do Universia

Muitas pessoas adoram olhar o céu e vislumbrar a lua, as estrelas e até o sol. Então, ao conhecer um pouco mais sobre o assunto, podem pensar em fazer Astronomia, que é a ciência que explica e estuda fatores relacionados aos astros. Embora essa seja uma característica importante para um bom astrônomo, não é suficiente para garantir um bom profissional nessa área, segundo explica o coordenador do curso de Graduação em Astronomia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Carlos Roberto Rabaça.

Ele afirma que essa "paixão" pelos astros leva muitos universitários a desistirem do curso. "A admiração pelas coisas do céu deve ser muito grande, a ponto de fazer o aluno gostar de Física, de Matemática e de todas as matérias da área de Exatas. Se isso acontecer, temos o profissional ideal. Caso contrário, ele desiste logo nas primeiras semanas de aula", afirma Rabaça. O coordenador aponta também a importância da pesquisa nessa área. "Ser um bom pesquisador é essencial, pois esse é um princípio básico da Astronomia, a pesquisa científica", recomenda.

No Brasil, apenas a UFRJ oferece graduação em Astronomia. Mas, para quem quer ser astrônomo, fazer um curso de Física e depois uma especialização, ou se possível, uma pós-graduação, também qualifica esse profissional. A USP (Universidade de São Paulo) é um dos exemplos de universidade que oferece habilitação em Astronomia para quem faz o curso de Física. Essas diferenças não são importantes segundo Rabaça. "Não há importância, a diferença é que um é astrônomo e o outro pode ser chamado de astrofísico, o que não atrapalha em nada a atuação do profissional", explica.

As afirmações do coordenador são confirmadas pelo pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Francisco José Jablonski, que é graduado em Física pela UFPR (Universidade Federal do Paraná). "As universidades oferecem especializações ou até mesmo pós-graduações em Astronomia", diz ele.

Já o mercado de trabalho nessa área, segundo Rabaça, é bom e está em crescimento, porém, pondera que se muitas universidades entrassem nesse ramo, não haveria espaço para todos. "Geralmente iniciamos esse curso com 30 alunos, onde apenas quatro se formam e vão trabalhar em planetários - maiores empregadores de astrônomos no Brasil -, ou até na Embratel (Empresa Brasileira de Telecomunicações) na área de mecânica celeste. Para os poucos que se formam há espaço, mas se essa demanda aumentar muito, a área não tem para onde crescer e absorver essas pessoas", adverte.

Agora veja os exemplos de um pré-universitário, um universitário e um profissional que escolheram a Astronomia como profissão:

Idade: 20 anos

Fabio Vellozo Martins Secco

Idade: 21 anos

Onde estuda: USP (Universidade de São Paulo), Física com habilitação em Astronomia
Bruno Moreira de Souza Dias

Idade: 53 anos

Profissão: Graduado pela UFPR (Universidade Federal do Paraná)

Francisco José Jablonski
Vestibulando - Por que escolheu a profissão?

Foi uma união de fatores, pessoalmente porque sempre tive um interesse muito grande em aprender. ? o fato de me identificar com a natureza e gostar de Exatas também.

Graduando - Por que escolheu a profissão?

Desde o colégio eu já gostava de Exatas, participava de olimpíadas de Física, Matemática... Entrei na Física já para cursar Astronomia.

Profissional - Por que escolheu a profissão?

Não foi uma escolha com um critério objetivo. Foi coisa de infância. Cresci numa época em que o programa espacial estava a todo vapor. Vários colegas meus fizeram isso também, gostei da idéia e entrei nessa.

Vestibulando - O que espera do curso?

Espero que o curso me dê uma visão ampla sobre o que é a Astronomia e todas as ferramentas para buscar conhecimento e me aprofundar em pesquisas.

Graduando - O curso corresponde às suas expectativas?

Corresponde sim. ? uma universidade e o contato direto com os professores é muito legal, tem muitas provas que incomodam, embora sejam necessárias, mas no geral o curso é ótimo.

Profissional - O curso correspondeu às suas expectativas?

Meu curso de Física foi muito bom, todas as partes essenciais como cálculo, mecânica quântica e tantas matérias de Exatas foram muito bem aplicadas.

Vestibulando - Quanto espera ganhar depois de formado?

R$ 2.000 a R$ 2.500

Graduando - Quanto espera ganhar depois de formado?

Mais ou menos R$ 5.000.

Profissional - Quanto ganha?

Por volta de R$ 7.000.

Vestibulando - O que acha que vai encontrar de melhor na profissão?

Identificação com meus interesses pessoais e trabalhar com o que gosto. Não vai ser algo para me sustentar, mas será minha vida, quero me aprofundar nesse conhecimento.

Graduando - O que acha que vai encontrar de melhor na profissão?

Você precisa gostar muito e não pensar apenas em ganhar dinheiro. ? uma profissão que dá prazer, produz conhecimento científico e com o meu trabalho posso ajudar outras pessoas.

Profissional - O que acha de melhor na profissão?

Tem vários aspectos muito interessantes. Fazer pesquisas é um privilégio. Estudar e pesquisar temas inéditos é ainda melhor.

Vestibulando - O que você acha que vai encontrar de pior na profissão?

A dificuldade do país é que é uma área muito pequena, falta uma extensão no termo geral de difusão dessa ciência, não há interesse e a ciência não é tão divulgada.

Graduando - O que você acha que vai encontrar de pior na profissão?

Relacionamento humano com muito atrito, pessoas de locais diferentes dizem que existe isso na profissão.

Profissional - O que você acha de pior na profissão?

O que tem de ruim é a questão estrutural, a ciência e a educação no Brasil não estão no patamar que poderiam, os investimentos deveriam ser maiores. Difícil é dizer que isso seja uma prioridade num país que tem dificuldades em saneamento básico, educação e tudo mais.

Vestibulando - Que análise você faz da profissão no Brasil?

A área está em crescimento, não muito grande, mas está. Os profissionais do país são muito bons. Existe também a fuga dos profissionais para o exterior, que é muito grande. Empresas grandes de telecomunicações também contratam astrônomos.

Graduando - Que análise você faz da profissão no Brasil?

Está em crescimento. Existem projetos de telescópios em projeto, o país começa uma cara internacional e aos poucos ganha terreno.

Profissional - Que análise você faz da profissão no Brasil?

A astronomia no Brasil teve um desenvolvimento muito grande nas últimas décadas. Nos aos 70, o número de doutores na área eram formados no exterior e não passava de dez. Hoje temos mais de 300, e esse crescimento começou na década de 90. Além do mais, o Brasil exporta muitos astrônomos.

Vestibulando - Que dica você daria a estudantes que estão em dúvida entre Astronomia e outras áreas?

Acho que elas deveriam conhecer realmente o que realmente um astrônomo faz, pois esse é o curso que mais tem desistências na UFRJ.

Graduando - Que dica você daria aos estudantes interessados em Astronomia?

Diria que primeiro tenham interesse em Matemática, Computação e Física, que são áreas essenciais no começo. Também buscar cursos de divulgação, como olimpíadas de Astronomia que me ajudaram muito. Não é só olhar estrela no céu, é muito além disso.

Profissional - Que dica você daria aos alunos interessados nessa profissão?

O mais importante é o aluno fazer uma aproximação ao departamento de Física ou de Astronomia por meio de um programa de iniciação científica. ? a melhor maneira de observar como acontece tudo nessa área. Com isso, o estudante terá seminários, pode até participar da Reunião Anual da Sociedade Astronômica Brasileira e assim ter um contato próximo com a área.







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