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Já é possível aprender mais e mais rápido

Técnica implica em rever antigos conceitos e ter iniciativa


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Por Lilian Burgardt

A economia do século XXI, movida pela globalização e pela rapidez da informação, exige cada vez mais dos profissionais uma mudança de perfil. Antes, quem saía da faculdade especialista em uma determinada área tinha garantido seu lugar no mercado de trabalho. Hoje, porém, o que faz a diferença é a atualização constante, seja de quem insiste na mesma área ou identifica novas oportunidades e desenha sua carreira de acordo com elas. Inexoravelmente, essa flexibilidade exigida e valorizada no mercado também teve reflexos no processo ensino/aprendizagem. Agora, o estudante que tem a ambição de crescer e ser bem sucedido não pode só esperar que o professor seja o único responsável por seu conhecimento. Preparar-se para o futuro exige, sobretudo, iniciativa de quem está nos bancos escolares.

"A geração que entra na faculdade hoje vem de um modelo de ensino de cursinho onde o professor transmite o conteúdo praticamente mastigado. Daí, quando entra na faculdade e descobre que está por si só, leva um choque. ? por isso que muitos alunos desistem do curso ou se desmotivam facilmente com o ambiente universitário", acredita o ex-diretor acadêmico da BSP (Business School São Paulo), Carlos Tasso Eira DeAquino. De olho neste problema, ele resolveu ir fundo na questão, pesquisou sobre o assunto, entrevistou alunos e professores e do material coletado nasceu o livro Como aprender: andragogia e as habilidades de aprendizagem, da Editora Pearson. (Leia a sinopse na caixa ao lado). Apesar de ter abordagem mais voltada para o professor do que para o aluno, o livro também aponta os erros dos estudantes e os acertos de quem pretende tomar as rédeas do seu aprendizado.

DeAquino enfatiza que quem quer ser o senhor de seu conhecimento não deve se enganar: ainda que o estudante tenha dificuldade para encontrar tempo para os compromissos escolares, tenha abandonado o hábito de ler ou jamais nutrido prazer pela leitura, além de se deixar dominar pela vergonha e pelo medo de perguntar em sala de aula, precisará mudar de comportamento com urgência se quiser evoluir e ser competitivo. "São essas as maiores falhas dos estudantes, hoje, e justamente onde eles podem melhorar para obter o sucesso", reforça o autor.

Mas será mesmo que os estudantes têm tais dificuldades? Antes é preciso fazer autocrítica: quantas vezes você não reclamou da falta de tempo para estudar, enquanto o orkut estava sempre atualizado? E de reclamar de ler, quando tinha em mãos só as apostilas da universidade? Será que você nunca se pegou com uma dúvida cruel em sala, mas a reprimiu porque a julgou estúpida demais? Para você que se encaixou nesse perfil é que DeAquino dispara: "Sabe por que as crianças aprendem melhor? Porque elas não têm vergonha de parecerem bobas, inseguras ou estúpidas ao fazer uma pergunta, já um adulto..."

Na opinião da professora e especialista em educação da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Liane Tarouco, vencer os desafios de aprender "depois de grande" pode ser muito mais fácil do que se imagina. O primeiro passo é se relacionar de maneira diferente com sua educação. Para isso é preciso entender e assimilar três conceitos: pedagogia, andragogia e, soubretudo, heutagogia, que implica em uma posição pró-ativa do estudante em relação ao estudo. Isso vale mesmo quando, em sala de aula, os conceitos são trabalhados de forma antiquada (popularmente apelidada pelos docentes como cuspe e giz). Cabe ao estudante procurar formas de contextualizar aquilo que está sendo visto para assimilar melhor os conteúdos.

"Durante muito tempo essa tarefa ficou presa ao professor, agora, o estudante precisa entender que é parte e importante neste processo", destaca. Nesta hora, vale procurar outras leituras, filmes ou discussões na Internet. O ambiente virtual, aliás, pode ser uma ferramenta muito útil. "? possível encontrar materiais inteiros, apostilas, artigos e bons textos referendados por especialistas em plataformas educacionais de confiança, tanto em âmbito nacional como internacional," completa DeAquino.

Outra atitude fundamental para se tornar senhor do seu aprendizado, é livrar-se das desculpas e gerenciar seu tempo. O estudo tem que ser contínuo, não pode ser um dia antes da prova. A razão disso é simples: em cima da hora, o que o estudante conseguirá fazer é decorar e não aprender. Outra questão importante é aprender a ler. Segundo a professora da UFRGS, 25% da população mundial têm problemas com o analfabetismo funcional, o que compromete o entendimento a partir da leitura. "Já vi e vivi casos de alunos que liam dois parágrafos inteiros, um deles era compreendido e outro simplesmente perdido. Isso é grave", diz.

Por essa razão, ela defende que a leitura deve ser treinada. Em suas aulas, ela pede que os alunos preparem um resumo, sublinhem palavras e tentem criar um mapa conceitual do texto. Esse mapa é uma espécie de diagrama com setas que marcam o relacionamento de idéias para, posteriormente, dar vida a um resumo dirigido e fundamentado do que foi lido. Outro ponto levantado pela professora é a necessidade de reflexão sobre o que foi lido. "A leitura meramente expectadora é uma forma pobre de aprender. ? preciso adquirir capacidade de refletir sobre o tema. Isso pode ser feito tanto em sala de aula, como com colegas ou amigos ", acredita Liane.

Como o professor pode ajudar?

Mesmo ao assumir um papel de coadjuvante no aprendizado do aluno, o professor ainda é peça fundamental neste quebra-cabeça. Neste novo processo, ele irá agir mais ou menos como um líder. O primeiro passo é identificar o perfil do aluno para que seus exemplos e seus trabalhos em sala estejam conectados com a realidade dos estudantes. "Tal metodologia funciona muito melhor com a utilização de exemplos práticos, que se encaixem no dia-a-dia dos alunos, do que realidades abstratas", defende DeAquino. O aluno pode, inclusive, sugerir este envolvimento da aula com sua realidade.

A professora Liane sugere ainda que o professor incentive reflexões sobre textos propostos em sala. Essa reflexão pode ser proposta em fóruns de discussão, por exemplo, assim os estudantes podem comentar a opinião um do outro, refletir e debater sobre elas. "Certa vez, comentei sobre a opinião de um aluno no fórum e isso surtiu um efeito surpreendente na turma. Todos os estudantes passaram a comentar mais nos fóruns e me cobrar um posicionamento sobre seus apontamentos", destaca ela.

A atitude da professora de comentar o texto de um aluno no fórum vem ao encontro de outra questão defendida por DeAquino em seu livro: a importância do professor não só acreditar no aluno, mas de mostrar que ele tem potencial de melhorar, através do reconhecimento seus pequenos sucessos. "Há uma passagem no filme My fair Lady em que membros da high society têm que transformar uma simples florista em uma dama da sociedade e, no filme, isso só acontece porque eles acreditam no potencial da florista e deixam claro para ela sua capacidade de melhorar. O professor precisa deixar claro isso para o aluno, essa é uma forma de estimulá-lo a ter um comportamento mais pró-ativo e interessado", diz o autor.

Por fim, DeAquino lembra a metodologia do educador David Kolb que divide o aprendizado em quatro fases distintas: a experiência concreta, em que o estudante vive uma realidade; a segunda fase chamada de reflexiva, em que propõe ao estudante refletir sobre o que foi vivenciado para seguir à terceira etapa, chamada de conceituação abstrata, que consiste na ação de atacar os problemas identificados para, ao final do processo, efetuar a experimentação ativa, quarta e última etapa em que o aluno testa sua capacidade de aprendizado.

Com o objetivo de levar os estudantes a campo para vivenciar uma realidade, discutir e propor uma intervenção, a UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) inovou em seu curso de Medicina. Ainda que a mudança na grade curricular e na construção do curso tenha partido da necessidade de humanizar o ensino da Medicina e promover uma aproximação entre estudante e paciente, por meio desta parceria, os jovens tiveram a oportunidade de construir seu conhecimento de forma diferenciada e ter o método de aprendizagem vivencial como outro benefício. (Conheça o caso da UFSCar na caixa acima).







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