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Brasil também luta contra doenças incuráveis

Conheça algumas pesquisas nacionais sobre Aids, Câncer e Alzheimer


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Por Marcel Frota

A última grande novidade no que diz respeito à cura da Aids surgiu no dia 10 de janeiro. Pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, anunciaram a descoberta, por meio de um novo teste genético, de 273 proteínas fundamentais para a sobrevivência do vírus HIV - que provoca Aids - nas células humanas. Isso pode significar a ampliação do horizonte de estratégias possíveis para os medicamentos. Anteriormente a ciência mundial conhecia apenas 36 proteínas cruciais para o vírus. A notícia traz vantagens e desvantagens. Os cientistas acreditam que, em tese, o HIV não poderia sofrer mutação só por causa da falta de uma proteína fundamental para sua sobrevivência. A capacidade de mutação do HIV figura como um dos principais problemas na guerra contra o vírus. Por outro lado, inibir a célula de produzir determinada proteína pode ser fatal para o organismo humano.

A novidade anunciada pelos pesquisadores de Harvard não significa cura para a Aids, que fique muito claro. Aliás, as notícias dos avanços na guerra contra o HIV tiram o sono dos responsáveis por campanhas de prevenção. Segundo eles, as pessoas tendem a relaxar nos cuidados necessários para a prevenção e isso gera ondas de crescimento da epidemia. "Aids não tem cura, tem tratamento. Há um limite de conhecimento da biologia do vírus e sua interação com o sistema imunológico. Não se encontra uma saída em direção à cura. Serão necessários mais estudos para ver se há perspectiva. No momento não há remédio, não tem cura", explica a médica infectologista Mônica Merçon, coordenadora assistente do Projeto Praça 11, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), onde são realizadas pesquisas na área de doenças infecciosas em geral, especialmente as sexualmente transmissíveis, em particular HIV.

Enquanto inovações chegam do exterior, o Universia conversou com pesquisadores brasileiros para traçar um apanhado geral de alguns trabalhos nacionais na guerra contra três doenças que permanecem sem cura e vitimam milhões de pessoas no mundo todo: Aids, Câncer e Alzheimer. Clique nos links ao lado e leia sobre outras doenças

O Projeto Praça 11 testa atualmente pelo menos 20 protocolos de pesquisa diferentes que comporão estudos para o tratamento da Aids. Entre os tantos problemas na luta contra o HIV está o fato dele comprometer a eficiência do sistema imunológico, responsável pela defesa do organismo. O vírus atua dentro das células do sistema imunológico e passa a fazer parte de seu código genético. "O HIV é um vírus muito adaptado ao sistema imunológico humano, ele ataca justamente o sistema que é capaz de destruir os vírus. ? uma bomba que atinge o quartel-general", compara Mônica. Junte isso à capacidade de mutação do HIV e teremos um problemão pela frente.

Os protocolos de pesquisa em teste no Projeto Praça 11 incluem estudos de inibidores de enzimas que participam do processo de reprodução do vírus. Esses inibidores poderão fazer parte do coquetel anti-Aids que atualmente beneficia milhares de pessoas infectadas no mundo todo, o que elevou a expectativa de vida dos infectados de cinco meses, no início da década de 1980, para um período indeterminado. Embora haja pesquisas no sentido de encontrar uma cura, no Brasil, o maior volume das pesquisas é na direção do tratamento. "A grande dificuldade de qualquer doença crônica é a pessoa aderir ao tratamento a vida toda", declarou Mônica. O tratamento nesse caso é muito complicado por que envolve diversos medicamentos que devem ser tomados em horários diferentes, antes ou depois da alimentação e com disciplina total. Além disso, o coquetel anti-Aids provoca muitos efeitos colaterais, que vão desde diarréias e náuseas até problemas cardíacos.

Só que a ciência foi capaz somente de controlar a multiplicação do vírus, mas ainda que a carga viral chegue a patamares baixíssimos, falta "terminar o serviço", ou seja, destruir por completo o vírus. "O vírus tem reservatórios, ele integra o DNA da célula. As drogas que temos hoje atingem os vírus em circulação no organismo, mas não atinge a célula com o vírus integrado. Esse é um dos principais problemas das drogas atuais", afirma o professor de ciência farmacêutica da UnB (Universidade de Brasília), Enrique Roberto Arganaraz. Ele observa que talvez o uso do vírus atenuado no organismo poderia ser uma estratégia na busca da cura, mas explica que essa tática enfrenta resistências vigorosas. "O que sempre se tentou foi usar partes do vírus e não o vírus todo. Poderia se usar um vírus atenuado, mas isso é algo que enfrenta enorme resistência (por parte da comunidade científica) por que existe a possibilidade dele se tornar ativo", diz Arganaraz.

O fato da maioria das pesquisas serem direcionadas para o tratamento e não na busca da cura é alvo de críticas de Arganaraz. "A parte de pesquisa de base sobre o HIV deixa bastante a desejar aqui no Brasil. O país se focou muito na prevenção, que é muito importante, mas cria dependência das drogas que sãm no mercado e são patenteadas. Além disso, se você não sabe como o vírus funciona não se pode elaborar uma vacina ou uma cura", afirma ele. "? uma questão de soberania, conhecimento é soberania", completa ele. Segundo dados do Ministério da Saúde, desde 1980, mais de 500 mil casos de Aids foram notificados. Esses dados, entretanto, não revelam os milhares de casos não notificados e nem os casos de pessoas contaminadas pelo vírus HIV, mas que ainda não desenvolveram a Aids.







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