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EAD aproxima brasileiros de universidades estrangeiras

      

Por Larissa Leiros Baroni

Enquanto muitos brasileiros viajam horas de avião, gastam quase todas as economias e abandonam a terra natal para estudar nas melhores universidades estrangeiras, o professor da Faculdade de Educação da UnB (Universidade de Brasília) Elicio Bezerra Pontes realizou essa façanha com apenas um clique. Seus planos de fazer o doutorado no exterior estiveram ameaçados por muito tempo. Compromissos profissionais e familiares o amarravam ao Brasil. Mas as novas tecnologias estreitaram os caminhos dele, que pôde freqüentar a instituição espanhola UNED (Universidad Nacional de Educación a Distancia). Realidade possível graças à Educação a Distância.

Elicio Bezerra Pontes, 67 anos, professor da Faculdade de Educação da UnB (Universidade de Brasília).

"Já havia passado um bom tempo no exterior para fazer o mestrado e uma especialização. Não seria possível ficar longe do país, da família e do trabalho por mais quatro anos", explica o professor. Apesar de atuar com a EAD desde os anos 60, ele jamais pensou em utilizar a modalidade a seu favor. Mas as atividades profissionais na UnB o aproximaram da opção. "A universidade estabeleceu um contato mais estreito com a UNED. Uma aproximação que me despertou o interesse em cursar o doutorado lá", conta.

Mesmo sem ter de deixar o Brasil, o professor conquistou o título de doutor. Algumas viagens à Espanha, segundo ele, tiveram que ser feitas para cumprir as atividades presenciais, mas nada que comprometesse suas responsabilidades aqui no Brasil. "O curso foi essencialmente a distância. Os estudos, as atividades e todos os contatos foram realizados via Internet. As visitas aos centros da universidade, na Espanha, não foram obrigatórias. A decisão de ir até lá foi minha, como forma de conhecer mais de perto o funcionamento da UNED e estabelecer contatos mais diretos com meu orientador", esclarece o professor.

Assim como Pontes, a professara Maria Ilse Rodrigues Gonçalves também optou em investir na Educação a Distância para estudar no exterior. No entanto, os fatores que a impulsionaram a tomar essa decisão foram outros. O primeiro deles, de acordo com a professora, foi o reconhecimento da UNED na área de novas tecnologias educacionais. Por fim, o lado financeiro. "Os gastos do estudo, a princípio, se restringiam ao pagamento da taxa escolar e do acesso a Internet. Nada de passagens aéreas, hospedagem e alimentação", relembra.

Maria Ilse Rodrigues Gonçalves, 63 anos, professora especializada em educação a distância.

Mas o que era para ser mais barato, saiu mais caro. Maria Ilse teve que ir à Espanha algumas vezes. "Durante a realização dos créditos obrigatórios, embarcava para a Europa uma vez por semestre. A prática se tornou mais freqüente quando a defesa da tese se aproximou", descreve. As despesas que não estavam previstas acabaram sendo incorporadas no orçamento da professora. "Não foram apenas duas passagens aéreas, foram diversas", reclama. O que amenizou a situação financeira de Maria Ilse foi o auxílio do governo espanhol. "Para concluir o doutorado recebi uma bolsa de cinco meses. Foi o que me salvou. Caso contrário não teria concluído o curso."

Nem todos os programas de EAD, bem como as universidades, exigem que o estudante compareça ao país de origem da instituição de ensino. Em alguns casos, Pontes afirma que as atividades presenciais podem ser desenvolvidas no próprio país, por meio das embaixadas, consulados ou órgãos representativos. "? preciso que o candidato faça uma negociação com a instituição de ensino", orienta. Na opinião dele, indo ou não para o exterior, o resultado final do curso é o mesmo. "Todo o material e as atividades são desenvolvidas para serem realizadas a distância. Além disso, a tecnologia permite que a comunicação virtual seja tão eficiente quanto a presencial", acredita.

A pesquisadora de recursos educacionais da Universidade Aberta Britânica (Open University UK) Andréia Inamorato dos Santos partilha da mesma opinião de Pontes. Tanto é que ela, mesmo morando na Inglaterra, optou por fazer o seu doutorado a distância. "Apesar de ter realizado o curso dentro da própria universidade, o procedimento de estudo foi o mesmo dos demais alunos estrangeiros que estavam na áfrica, América ou em outras partes da Europa", conta.

Crédito: ABED
Andréia Inamorato dos Santos, 32 anos, pesquisadora de recursos educacionais aberto

A única diferença foi que Andréia pôde participar dos encontros presenciais. "Isso, no entanto, não me colocou em vantagem em relações aos demais doutorandos", opina. Para ela, a essência dos cursos realizados 100% a distância em relação aos semi-presenciais é igual. "O intercâmbio acontece nas duas opções, mas de maneira diferente. As plataformas, o ambiente virtual e as tecnologias possibilitam que o aluno, mesmo que a distância, interaja tanto com os colegas de turma como com os professores", diz Andréia. Maria Ilse acrescenta que, apesar das dificuldades que enfrentou, a experiência teve lá suas vantagens. "Tive acesso a biografias internacionais, que talvez não tivesse se optasse por um programa no Brasil". A modalidade, no entanto, carrega alguns dos problemas que os cursos presenciais no exterior possuem. Segundo a professora, a principal delas é a comunicação. "? preciso ter conhecimentos avançados na língua do país onde a universidade atua. Caso contrário fica difícil entender o conteúdo do programa e se comunicar com os professores e alunos", alerta ela. A professora admite inclusive que teve muitos problemas de adaptação ao sistema por causa da língua. "Precisei me matricular em um curso intensivo de espanhol para conseguir dar conta", declara ela.

Além disso, todos os diplomas de graduação e pós-graduação stricto sensu obtidos no exterior, seja por meio de programas presenciais ou não, devem ser revalidados em uma universidade brasileira. Segundo Pontes, os processos de revalidação dos cursos a distância estão mais acessíveis do que antigamente, principalmente por causa da expansão da modalidade no país. "Há diversas instituições de ensino que reconhecem esse tipo de diploma", assegura. O professor aguarda a UNED emitir o diploma para dar entrada na papelada, mas se demonstra bastante otimista.

Maria Ilse não também não tem do que se queixar do processo burocrático brasileiro. A professora, em menos de oito meses, conseguiu que o seu título fosse validado no Brasil. "Emiti toda a documentação necessária para a UnB, que em pouco tempo me respondeu com a aceitação do meu diploma", conta. Já a pesquisadora Andréia, que permanece até hoje na Inglaterra, não precisou passar por essa burocracia. Mas confessa que o título é reconhecido mundialmente. "Basta ficar atento à qualidade do curso e da universidade escolhida", recomenda.

Opções de estudos a distância no exterior

Apesar da EAD no Brasil ainda estar em fase de desenvolvimento, a modalidade no exterior já adquiriu maturidade. As principais universidades do mundo, bem como instituições de ensino a distância, já incluíram em suas grades escolares opções de cursos a distância nas mais variadas áreas do conhecimento e nos diversos níveis de ensino. Há oportunidades inclusive para estrangeiros.

Confira nos quadros abaixo algumas possibilidades no Canadá, na Espanha, nos Estados Unidos, na França, em Portugal e no Reino Unido.

Espanha

Na Espanha, o principal centro de ensino a distância é a UNED (Universidad Nacional de Educación a Distancia). A universidade, criada em 1972, oferece cerca de 25 cursos nas mais diferentes áreas do conhecimento. Há programas de graduação, especialização, MBA, pós-graduação e curso de língua.

De acordo com a coordenadora do escritório representativo da universidade espanhola no Brasil, Maria Cibele Gonzalez Alonso, a maioria das opções podem ser realizadas 100% a distância. Há encontros presenciais, mas não obrigatórios. "São poucos os cursos que exigem a presença do aluno. Isso é mais freqüente nos programas que prevêem práticas laboratoriais. Mas convênios com instituições brasileiras podem impedir que o estudante tenha de embarcar para a Espanha", esclarece.

Os participantes também devem ir ao país europeu realizar os exames finais, que acontecem duas vezes ao ano. "Se não for possível comparecer em uma das sessões, existe uma terceira chamada para recuperar a nota perdida", explica.

Para estudar na UNED, os interessados devem passar no processo seletivo da instituição. "A seleção para o ingresso no sistema de ensino da Espanha é nacional. Os alunos passam por uma avaliação, que engloba provas de gramática, idiomas -português, francês, inglês, alemão ou italiano - Ciências, Ciências Sociais e Humanidades, além da análise dos rendimentos escolares", explica Maria Cibele. O domínio do espanhol também é obrigatório.

O ensino é gratuito, já que a universidade é pública. A única taxa que o estudante precisa pagar destina-se à matrícula que, segundo a coordenadora, custa em média 500 euros por ano. Mais informações sobre os cursos da UNED podem ser obtidas no escritório representativo da instituição no Brasil, no seguinte endereço:

Avenida Jorge João Saad, 905
CEP 05618 - 001
São Paulo / SP
Tel.: 11-3779-1856
Fax: 11-3779-1856
E-mail: info@sao-paolo.uned.es

Reino Unido

O Reino Unido conta com uma das principais instituições de educação a distância do mundo, a Open University UK. A universidade, criada em 1969, possui cerca de 600 programas de EAD e conta com mais de 700 mil alunos de graduação, pós-graduação e extensão. Ao todo, 65% da comunidade acadêmica são compostas por estudantes locais, os demais 34% são representado por estrangeiros. A instituição também está de portas abertas para receber alunos brasileiros.

Além dessa opção, a Customer Services da British Council - organização internacional para assuntos educacionais e culturais do Reino Unido-, Adriana Souza, afirma que a maioria das faculdades e universidades britânicas já oferece programas de estudo a distância em vários níveis de ensino.

Grande parte das oportunidades, de acordo com Adriana, é voltada para estudantes da Comunidade Européia. No entanto, ela garante que não faltam opções para alunos de outras nacionalidades, inclusive aos brasileiros. Confira a lista completa das instituições que já estão interadas na modalidade a distância no site do DCSF (Department for Children, Schools and Families). No endereço eletrônico da ODLQC (The Open and Distance Learning Quality Council) é possível encontrar informações sobre a qualificação da EAD e checar se a instituição de interesse é reconhecida pelo órgão.

Os programas britânicos, em geral, exigem que os participantes façam as provas no Reino Unido. "Os brasileiros que não tenham condições de ir até lá, podem alugar o espaço do British Council para fazê-las no Brasil", ressalta Adriana. Mais informações sobre cursos de EAD nos países britânicos podem ser obtidas no site www.britishcouncil.org.

Estados Unidos

Uma das opções para os brasileiros interessados em estudar nos Estados Unidos pelo sistema da EAD, é a American World University. A instituição oferece para brasileiros 76 cursos de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado. Há oportunidades nas áreas de Administração, Comércio Exterior, Filosofia, Pedagogia, Teologia, Direito, Psicologia, Biocombustível entre outras.

Segundo o presidente da Latino American Division, Gilberto Fontes, os programas da instituição respeita o sistema de ensino americano, no entanto, são adaptados aos brasileiros. "Os cursos são traduzidos em português e podem ser realizados 100% a distância, sem que o estudante tenha que ir aos Estados Unidos cumprir parte dos créditos", alerta. Há inclusive tutores do Brasil credenciados pela American World University para facilitar a comunicação entre os participantes.

Além dessa alternativa, os interessados podem optar em estudar nas mais tradicionais instituições norte-americanas. Harvard, por exemplo, oferece cursos de educação a distância nas mais variadas áreas do conhecimento. A escola de extensão da universidade oferece mais de 100 programas on-line. (Clique aqui e veja a lista completa). O responsável do escritório de Harvard em São Paulo, Jason Dyett, orienta que os interessados consultem ainda todos os núcleos, as faculdades e os centros de estudos ligados a universidade. "Eles possuem autonomia para criar e oferecer cursos de educação a distância", afirma.

Há diversos centros americanos que, assim como Harvard, oferecem cursos on-line. O MIT (Massachusetts Institute of Technology) é um deles. No entanto, a instituição vai além e oferece gratuitamente para usuários de todo o mundo materiais de seus cursos de graduação e pós-graduação, por meio do programa OpenCourseWare. O site Petersons disponibiliza uma relação com as principais instituições americanas que oferecem programas de EAD para estrangeiros.

Portugal

Pela proximidade do idioma, Portugal pode ser um excelente destino para brasileiros interessados em estudar no exterior. Entre as instituições que oferecem programas de EAD, a mais tradicional é a Universidade Aberta de Portugal. A instituição oferece mais de 60 cursos de licenciatura, mestrado, doutorado e especialização.

Segundo Carlos Reis, reitor da instituição, a universidade está de portas abertas para receber alunos brasileiros em qualquer um de seus programas. Os interessados devem entrar em contato com a instituição. "O exame de acesso ao Ensino Superior da instituição é dirigido a estudantes com idade a partir de 21 anos ou de trabalhadores de no mínimo18 anos", explica ele. Os candidatos também devem ter o nível de ensino obrigatório para o ingresso no curso de interesse.

Mais informações no site http://www.univ-ab.pt/.

Canadá

Se o destino do estudo é o Canadá, o leque de opções de cursos a distância para brasileiros é extenso. Segundo a Gerente de Marketing e Eventos do Centro de Educação Canadense, Carolina Cardoso, há cerca de 90 instituições no país que oferecem programas de EAD para estrangeiros. "Assim como o Canadá é reconhecido mundialmente pelas áreas de biotecnologia e administração pública, também ganha destaque mundial quando o assunto é Educação a Distância", garante.

As oportunidades abrangem todos os níveis educacionais e as mais variadas áreas do conhecimento. Os programas, em sua maioria, são realizados 100% on-line. No entanto, existem cursos que exigem um estágio no Canadá. "Essa presença no país é cobrada nos MBA e nas pós-graduações", afirma a gerente.

Para participar, além da aceitação da universidade canadense, é preciso ter o domínio do inglês. "A graduação exige que o candidato tenha o Ensino Médio completo e a pós, o Ensino Superior", explica Carolina. O contato deve ser feito diretamente com a universidade de interesse. Para orientação personalizada, os estudantes brasileiros podem contatar o Centro de Educação Canadense.

Clique aqui e confira a lista de instituições de ensino canadenses que oferecem programas de educação a distância.

França

Do mesmo jeito que os brasileiros podem realizar seus estudos presencialmente na França, também podem optar por cursos a distância. Segundo a assistente de promoção do Ensino Superior francês do Campus France, Cecília Cissato, há mais de 3.082 opções de cursos a distâncias no país. As oportunidades integram todos os níveis educacionais e as diversas áreas do conhecimento.

Os programas são todos supervisionados pelo ministério de educação do país, por meio do CNED (Centre national d'enseignement à distance). Acesse o site do órgão e confira o catálogo completo dos cursos.

Para participar de qualquer um dos programas basta que os interessados obtenham a carta de aceitação da universidade francesa. "O processo de ingresso depende da instituição, já que elas têm autonomia para decidir o procedimento", explica Cecília. Mas se opção é por um curso de graduação, os candidatos devem passar pela seleção nacional do governo da França. "A triagem se inicia anualmente no final de novembro e analisa histórico escolar e carta de intenções dos interessados", conta.

Os programas, em geral, são 100% a distância. No entanto, as formações que emitem diploma exigem que os participantes realizem anualmente as provas finais na França. "Algumas instituições permitem que brasileiros façam os exames na CampusFrance, na embaixada ou nos consulados. Uma negociação que deve ser feita entre a universidade e o aluno", orienta Cecília. Os cursos são gratuitos, já que todas as universidades do país são públicas. "Mas os estudantes estrangeiros devem pagaram uma taxa anual que varia de 300 a 500 euros", aponta.

Para orientação personalizada, os estudantes brasileiros podem contatar a CampusFrance pelo site http://brasil.campusfrance.org.

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