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Prêmios Santander anunciam vencedores

Conheça projetos inovadores que conquistaram a 4ª edição dos Prêmios


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Por Marcel Frota e Bruno Loturco*

Meses de dedicação e muito trabalho, etapa após etapa. O sacrifício não foi pequeno para nenhum dos finalistas da 4? edição dos prêmios Santander de Empreendedorismo e Ciência e Inovação. Esforço que foi premiado com o anúncio feito na noite desta terça-feira, 18 de novembro, em São Paulo, quando foram apresentados os sete vencedores deste ano. No prêmio de empreendedorismo, comemoraram a conquista Ana Cláudia Kasseboehmer, (na categoria Cultura e Educação), da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos); Eduarda Queiroz Silva (Indústria), representando a Uniube (Universidade de Uberaba); Liangrid Lutiani da Silva (Tecnologia da Informação e Comunicação), pela PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul); e Suélia de Siqueira Rodrigues (Biotecnologia), da UnB (Universidade de Brasília).

Já nos prêmios de Ciência e Tecnologia, os vencedores foram André Pedral de Sampaio de Sena (Tecnologia da Informação e Comunicação), pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina); Luiz Carlos de Oliveira (Indústria), da UFLA (Universidade Federal de Lavras); e Ronaldo Biondo (Biotecnologia), que representou a USP (Universidade de São Paulo). Cada um deles receberá R$ 50 mil em dinheiro e mais uma carteira de cinco ações do Banco Santander.

"A evolução da pesquisa científica e de empreendedorismo no país se refletiu nos prêmios em 2008. Houve crescimento de 26% de inscrições em relação ao ano passado, com 1.912 candidatos em todo o Brasil e a participação das Instituições de Ensino Superior evoluiu 34%, totalizando 244 instituições", destacou a diretora-geral do Universia Brasil, Alina Correa. De acordo com ela, a essência dos prêmios Santander de Empreendedorismo e Ciência e Inovação é impulsionar o conhecimento no País. Alina procurou salientar o quanto o conhecimento passou a ter relevância no cenário econômico mundial. "O desenvolvimento mundial encontra-se numa transição de economias industrializadas para economias baseadas no conhecimento. De acordo com dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, na última década, 55% da riqueza mundial foi gerada pelo conhecimento, os 45% restantes foram gerados pela soma de todos os outros fatores de produção. Essa é a nova realidade", acrescentou.

O presidente do Banco Santander Brasil, Fabio Barbosa, destacou que vários projetos que nasceram nas universidades alcançaram a maturidade dentro de empresas e que muitos deles deram origem a novas empresas. Segundo ele, os projetos ganhadores dos prêmios têm potencial também para trilhar esse caminho. "Há uma coisa comum nesses trabalhos. Eles levam como marca a busca de soluções completas para problemas de nossa sociedade. Não por acaso, todos os projetos vencedores foram criados com o objetivo de beneficiar as comunidades e regiões de seus idealizadores. Foram iniciativas nas áreas de saúde, educação, cultura e tecnologia, setores essenciais para o desenvolvimento", afirmou. "Acredito firmemente e prego a todo instante que somos do tamanho dos nossos sonhos e que o Brasil será o que dele nós fizermos. Os Prêmios Santander visam exatamente apoiar sonhadores e fazedores."

Conheça abaixo os vencedores da quarta edição dos Prêmios Santander de Empreendedorismo e Ciência e Inovação:

Ana Cláudia Kasseboehmer
Prêmio Santander de Empreendedorismo - Categoria Cultura e Educação

A doutoranda em Educação Química da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) contou com a orientação do professor Luiz Henrique Ferreira para desenvolver um simulador que visualiza, em nível macroscópico, os modelos moleculares elaborados para compreender o submicroscópico da matéria. Após receber o prêmio, a pesquisadora afirmou que o próximo passo é começar a preparação dos moldes e dar início à produção. "O que falta é a questão empresarial, mas com o Prêmio podemos tornar a idéia viável", explicou.

O simulador representa um novo método de aprendizado da Química, mais simples e motivador para os estudantes, além der ser uma alternativa mais didática para as aulas, que hoje são dadas quase exclusivamente por meio de giz e lousa. Outra característica benéfica do projeto é o fácil acesso a qualquer aluno, ou seja, pode ser aplicado em diversos níveis de ensino e independe de idioma, cultura, ou condição sócio-econômica, inclusive com potencial de uso por portadores de necessidades especiais. "O foco são estudantes de ensino médio de Química, de escolas públicas, que são quem mais necessitam", afirmou Ana.

Eduarda Queiroz Silva
Prêmio Santander de Empreendedorismo - Categoria Indústria

A estudante de Administração da Uniube (Universidade de Uberaba), Eduarda Queiroz Silva, reforçou a marca da preservação ao meio ambiente em seu projeto. Com o apoio do professor Cássio Silveira e da EPAMIG (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), ela desenvolveu um inseticida produzido com ingredientes naturais, com o objetivo de agir de forma seletiva. Enquanto ataca apenas os insetos maléficos à natureza, preserva o meio ambiente e evita que o ser humano seja contaminado devido ao manejo inadequado do produto. "Existem outros produtos, mas esse é totalmente natural", salientou.

O inseticida é destinado principalmente para o uso de pessoas que têm pequenos cultivos em casa, como hortas, por exemplo. O produto traz benefícios por evitar riscos provocados pelo uso do inseticida sem equipamentos de segurança de defensivos químicos. Após ser premiada, Eduarda já começou a planejar as próximas etapas do desenvolvimento do projeto. "Vou fazer mais pesquisa, patentear e buscar investidores. Pretendo levar o produto ao mercado em um ano", contou. A pesquisadora não contava com o reconhecimento. "Eu esperava ganhar, mas era um sonho distante. ? uma sensação maravilhosa", comemorou.

Liangrid Lutiani da Silva
Prêmio Santander de Empreendedorismo - Categoria Tecnologia da Informação e Comunicação

Aluno de Engenharia de Controle e Automação da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), o pesquisador se juntou a Karion Guerra e Pamela Catiuscia Rodrigues Martins para desenvolver uma ferramenta de monitoramento remoto para ETEs (estações de tratamento de efluentes) industriais e agroindustriais. Na última edição do Prêmios, Silva chegou às finais, mas não foi contemplado. "Continuamos a melhorar o projeto, pois vimos que tinha futuro", contou. Para tanto, fez investimentos de próprio bolso para viabilizar o protótipo. "O desenvolvimento do projeto teve como base o valor da premiação, pois tínhamos boas perspectivas de ganhar", revelou. O objetivo do projeto é viabilizar o monitoramento das condições da água tratada que irá retornar ao meio ambiente.

Todas as indústrias que utilizam água em seus processos e precisam se adequar às novas exigências ambientais são potenciais interessadas no projeto. Entidades públicas responsáveis pelo tratamento de resíduos efluentes também podem aumentar a eficiência no controle do descarte de água.

A ferramenta resultante do projeto pode servir também como base para futura automação dos processos de tratamento, elevando o nível tecnológico dos processos e reduzindo custos finais para as indústrias. Pode ser aplicada para monitorar processos de tratamento de efluentes de diversos portes. A orientação do projeto foi feita pelo professor Isaac Newton Lima da Silva.

Suélia de Siqueira Rodrigues
Prêmio Santander de Empreendedorismo - Categoria Biotecnologia

Ganhadora do prêmio Santander de Empreendedorismo na categoria Biotecnologia, Suélia de Siqueira Rodrigues criou um dispositivo inovador para a luta contra a obesidade. Ao invés de intervenções agressivas ao trato digestivo, sejam aquelas que retiram partes do estômago, sejam as que restringem a capacidade de armazenamento do órgão, ela propõe redução da capacidade do esôfago. A idéia é usar um dispositivo de látex que é inserido no esôfago do paciente por meio de uma operação parecida com uma endoscopia e inflado. Com isso, pretende-se diminuir a vazão de alimentos rumo ao estômago e assim, sem agredir o trato digestivo, limitar a entrada de alimentos no organismo e tratar a obesidade.

Visivelmente feliz com a conquista, Suélia garante que o prêmio em dinheiro que receberá pela conquista será o aporte necessário para que possa finalizar a confecção e viabilizar o comércio do dispositivo da maneira como ela queria. "Quase desmaiei. Estou realmente realizada. Agora abre-se uma nova perspectiva para o meu projeto. Agora vou conseguir fazer o que planejei. Fiz o projeto todo sem dinheiro e esse prêmio será suficiente para produzir o dispositivo da forma como eu queria, de látex, e não de silicone", disse ela. Segundo Suélia, além de viabilizar a continuidade do projeto, o prêmio vai funcionar como um instrumento para abrir portas. "Vou usar parte da verba para validar o projeto junto à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) por meio dos testes necessários. O prêmio mostra que estou no caminho certo e isso é um grande incentivo", aposta ela.

André Pedral Sampaio
Prêmio Santander de Ciência e Inovação - Categoria Tecnologia da Informação e Comunicação

Residente em Salvador e inscrito pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Sampaio propõe identificar e avaliar, por meio da criação do sistema SIMAGE, estratégias empresariais. O sistema visualiza os objetivos ideais a serem considerados, planejados e controlados pela empresa, proporcionando crescimento do negócio. Desta forma, é possível oferecer suporte necessário para a identificação dos fatores indispensáveis ao desenvolvimento empresarial, orientando organizações para uma gestão estratégica eficiente. A premiação "foi um reconhecimento de cinco anos de trabalho", afirmou Sampaio.

Por meio do projeto é possível estabelecer bases sólidas para hierarquizar investimentos e definir os pontos que mais impactam na performance organizacional. Além de permitir acompanhamento de resultados em tempo real e possibilitar sinalizações para intervir quando necessário. ? um modelo matemático que mostra onde estão os possíveis furos de uma estratégia empresarial. Analisa desde o custo da oportunidade perdida até aspectos relativos à concorrência. Com o valor do Prêmio, será possível colocar o sistema em funcionamento em no máximo seis meses. Com isso, o pesquisador aposta que irão se beneficiar "todo o empresariado que precisa saber se o seu planejamento está de acordo e onde precisa investir", explicou.

Luiz Carlos Alves Oliveira
Prêmio Santander de Ciência e Inovação - Categoria Indústria

O pesquisador de Lavras, da UFLA (Universidade Federal de Lavras) foi premiado com o projeto de reutilização dos rejeitos da indústria de couro, processo que, segundo estudos do pesquisador, resulta em substâncias altamente nocivas ao meio ambiente. "Quando comecei o experimento, não imaginava que chegaria a tanto", revela. "Mas o prêmio justifica o trabalho".

Após passar pelo tratamento proposto por Oliveira, o rejeito industrial separa o cromo, que pode ser reutilizado pela própria indústria, de um material rico em nitrogênio, que também pode receber outras aplicações. Outra possibilidade é transformar os rejeitos em carvão, ativado pela pirólise (aquecimento sem oxigênio) do couro, resultando em materiais com comprovadas aplicações no tratamento de efluentes contaminados. Com o dinheiro recebido, "a idéia é fazer um protótipo em escala semi-industrial para testar a viabilidade para a indústria", contou após a cerimônia de premiação. No entanto, Oliveira sabe que os próximos passos serão decisivos. "Ainda é difícil prever o sucesso do projeto. Precisamos buscar empresários interessados em investir e patrocinar", conta.

Ronaldo Biondo
Prêmio Santander de Ciência e Inovação - Categoria Biotecnologia

Há quatro anos desenvolvendo o projeto - inicialmente com apoio da Vale -, por meio de estudos de engenharia genética, o doutor em biotecnologia da USP (Universidade de São Paulo) conseguiu criar uma bactéria capaz de atrair metais pesados. Quando inserida num solo contaminado, por exemplo, a Cupriavidus metallidurans (CH34) atua como um imã e retira do meio materiais como chumbo, cobre, níquel, cádmio, cobalto, manganês, zinco, entre outros. Premiado, Biondo revelou que "o aporte financeiro é muito importante e dá fôlego para o projeto". Para a próxima fase, a intenção é "testar em escala laboratorial, fundamental para levar para a indústria", conta.

Com orientação da professora Ana Clara Guerrini Schenberg, o projeto teve como base uma bactéria já existente e naturalmente resistente a esses metais. O genoma dessa bactéria foi acrescentado de seqüências gênicas específicas e necessárias para que o resultado final fosse uma bactéria com maior capacidade de se ligar a metais. Além disso, ela é capaz de se manter saudável durante o processo, o que permite que, além de agir na descontaminação de qualquer efluente que contenha metais, possa concentrar e recuperar metais perdidos durante o processo de extração de minérios. "Ficamos muito orgulhosos de receber o Prêmio. ? um trabalho de pesquisa, mas com a alma da aplicação prática", salientou Biondo.

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* Com reportagem de Talita Scotto e Mariana Bevilacqua
** Crédito das fotos: Della Rocca







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