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Jovens recém-formados empreendem para entrar no mercado

      

Por Roberto Machado


Algumas dicas do Manual do Jovem Empreendedor

Os nove pecados que um empreendedor não pode cometer:

- Falta de atenção na obtenção de licenças de funcionamento e pagamento de tributos: os aspectos burocráticos de uma empresa devem sempre ser levados em consideração. Estabelecimentos sem licença e aprovação de impostos podem gerar transtornos.

- Contratação inadequada de funcionários: tenha certeza que os funcionários contratados possuem conhecimento da área.

- Definir preço sem base: não é possível definir o preço de um produto por pura intuição. É preciso fazer uma análise de mercado antes de fixar as taxas.

- Falta de fluxo de caixa: para o bom funcionamento de um negócio é preciso saber quanto a empresa precisa pagar e receber.

- O dinheiro que está no caixa não é lucro: evite a tentação de confundir o dinheiro da empresa com o seu próprio dinheiro.

- Não focar em vendas: muitos empreendedores focam demais no desenvolvimento de produtos e deixam as vendas de lado. A venda de material é essencial para o crescimento da empresa.

- Financiamento: os novos empreendedores não devem cair na armadilha de um financiamento se não for para expandir os negócios.

- Falta de planejamento: não se deixe levar por excessiva confiança. Pare, pense e coloque no papel seus planos para a empresa.

- Escolher o sócio errado: nem sempre fazer sociedade com amigos e parentes dá certo. O importante é encontrar um sócio que complemente suas habilidades profissionais e tenha os mesmos objetivos para a empresa que você tem.

A dificuldade para conseguir um emprego e os baixos salários oferecidos por algumas vagas foram fatores determinantes na decisão do fotógrafo Adam dos Santos Tavares, de 23 anos, em empreender. Mesmo sem ter adquirido experiência suficiente durante o período em que fazia o curso de Design Digital e com o problema da falta de capital de giro para iniciar seu negócio, o então recém-formado resolveu mesmo assim ingressar no mercado de trabalho por conta própria.

Esse tipo de iniciativa já é bastante comum. De acordo com os dados do GEM 2009 (Global Entrepreneurship Monitor), a porcentagem de jovens de idade entre 18 e 24 anos que preferem empreender a buscar um cargo em alguma empresa durante ou depois do Ensino Superior chega a 20,8%. Para Francisco Baroni, coordenador de Pequenos Negócios da FVG (Fundação Getulio Vargas), o que impulsiona esse tipo de atitude é a falta de postos de trabalho para o recém-formado. "Em vista do baixo número de oportunidades no mercado formal, o empreendedorismo aparece como chance de crescimento pessoal e profissional", diz Baroni. Segundo ele, outro fator que chama atenção do jovem na hora de seguir seus próprios passos no mundo empresarial é o fato de que, sozinho, ele não precisa seguir ordens nem horários diários pré-estabelecidos. "Também funciona como uma forma de ter independência para agir da maneira que ele acha mais cômoda", explica o coordenador.

Para Baroni, empreender ainda jovem não é um problema, já que a gama de conhecimento teórico que o recém-formado recebeu durante a universidade ajudará na prática. "É o momento de buscar pelo equilíbrio entre aprendizado e mercado de trabalho. Uma boa hora para se fazer isso é gerenciar um projeto próprio", defende ele. É claro que nem todos que tem essa vontade possuem verba para iniciar o negócio e esse, de acordo com o coordenador, é o maior obstáculo para a concretização do sonho.

Mas apenas a formação acadêmica, a verba e a empolgação não são suficientes para entrar no mundo dos negócios. Baroni aconselha quem quer entrar em qualquer ramo, a pesquisar e a fazer um plano de negócios sólido para avaliar a situação. "Nesse documento ele terá a descrição de seus produtos, objetivos e finanças disponíveis. É uma maneira de analisar de forma abrangente e objetiva o que está sendo feito", afirma ele. E se o negócio não decolar, o empreendedor não deve desanimar. "Eles podem tanto abrir outro negócio numa nova tentativa ou partir para o mercado de trabalho como funcionário. Uma vez que são jovens, o fracasso não deve ser uma preocupação", defende Baroni.

Para a consultora do SEBRã-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Ana Paula Sefton, o primeiro passo antes de alguém pensar em empreender é ter uma meta. Depois de traçado esse objetivo é preciso criar prazos e recursos, tudo isso ligado por pesquisas e planejamento. "Estudar o mercado e se preparar para o momento certo é o que pode fazer a diferença entre o sucesso ou o fracasso dessa jornada. Além de tudo isso, também é preciso inovar", destaca Ana.

Tavares conta que teve bons resultados com esse tipo de conselho, mas mesmo assim algumas dificuldades surgiram durante o trajeto. Segundo ele, o primeiro passo foi investir em equipamentos e procurar por nichos de mercado que não eram bem explorados. "No começo, cheguei até a trabalhar de graça para montar meu portfólio e ganhar experiência profissional", relembra. Depois disso veio a hora de inovar. "Primeiro comecei a filmar e fotografar partos e a fazer retratos do crescimento dessas crianças. O passo seguinte foi montar o meu estúdio móvel para atender as demandas dos clientes", explica.

Mesmo que Tavares já tenha encontrado o foco dentro da sua área de atuação, alguns problemas ainda estão presentes em sua rotina profissional. "A concorrência desleal de profissionais que estão a mais tempo no mercado e que cobram um preço muito baixo ainda é o que mais atrapalha a continuidade do processo", relata o fotógrafo, que promove seu trabalho principalmente através da propagando boca a boca.

Aqueles que já possuem a ideia, mas ainda não sabem como desenvolvê-la podem consultar o Manual do Jovem Empreendedor do CJE-FIESP (Comitê de Jovens Empreendedores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Nesse guia, que busca ajudar na capacitação dos jovens empreendedores brasileiros, são encontrados pontos como organização e planejamento do futuro negócio, empreendedorismo e responsabilidade social, estruturação jurídica do novo negócio entre outros aspectos.

Adam dos Santos Tavares teve de enfrentar a concorrência de grandes empresas

Para Marcelo Aidas, coordenador adjunto do centro de novos negócios da FGV-EãSP (Escola de Administração de Empresas de São Paulo), o único caminho para o jovem se tornar um bom empreendedor no futuro é errar. E essa falha deve ser compreendida como uma fase comum no caminho para o sucesso. "Eles devem entender que competirão com comerciantes experientes que aprenderam da mesma maneira que eles, com os erros", declara ele. Mesmo que o contato com os problemas seja quase que inevitável, Aidas aconselha. "É preciso conhecer o negócio e seus riscos, a concorrência e as mudanças de mercado. O empreendedor deve estar sempre atento com o que acontece a sua volta", aconselha.

Aidas também acredita que a família e a universidade têm um papel importante dentro desse contexto, já que podem ser os primeiro a ter contato com a ideia e a vontade dos filhos e alunos de empreender. "Nesse momento, é preciso ter cautela porque por um lado eles podem frustrar o sonho do jovem e por outro fazer com que ele mergulhe de cabeça numa situação que pode traumatizar", exemplifica. O coordenador acha que é importante ter na cabeça que esse tipo de experiência nunca será ruim. "Mesmo se o negócio não der certo, ele não perderá, pelo contrário, essa experiência ajudará em outros momentos de sua vida", aposta ele.

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