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Treineiros se preparam com antecedência ao vestibular

Apesar de custo, opção não perde espaço com acessibilidade da Internet


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Por Larissa Leiros Baroni

Após dois anos como treineiro, Matheus Uller é aprovado no vestibular da USP na primeira tentativa
Ainda que a Internet tenha facilitado o acesso às provas e aos gabaritos de edições passadas dos vestibulares mais concorridos do País, e a variedade de simulados on-line tenha se espalhado no ambiente virtual, os processos seletivos para treineiros não perderam o seu espaço. A opção, apesar de demandar um investimento, diferentemente do conteúdo disponível na rede, ainda é bastante recorrida como auxílio ao processo de estudo dos candidatos que buscam uma vaga no Ensino Superior.

Nos últimos cinco anos, por exemplo, a média de treineiros inscritos no vestibular da Fuvest (Fundação Universitária para o vestibular) manteve-se praticamente estagnada, com representatividade de 8% a 9% no total de candidatos. Na edição de 2011, foram calculadas 10.816 inscrições nessa modalidade, contra 12.551, em 2005. Mesmo que tenha registrado uma queda de cerca de 13%, o índice acompanhou a queda registrada no total de inscritos: 122.177 e 141.963, respectivamente. A mesma estagnação se repete no vestibular da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e da Unesp (Universidade Estadual Paulista). Em ambas instituições, os treineiros representam 3% do total de concorrentes.

Matheus Uller, 18 anos, é um dos estudantes que integra essa estatística. Por dois anos consecutivos, prestou o processo seletivo de treineiro da Fuvest. Na primeira tentativa teve melhor rendimento e passou inclusive para a segunda fase. Mas a reprovação na segunda experiência também foi essencial para que, no momento certo, ele conquistasse a vaga no curso de Relações Internacionais - que integra a lista das graduações mais concorridas da USP (Universidade de São Paulo) . "Como treineiro pude me familiarizar com o estilo da prova e com as regras do processo seletivo. Quando a disputa foi para valer não tive que enfrentar o medo do ineditismo e do desconhecido", conta Uller.

Não são todas as instituições de Ensino Superior, no entanto, que oferecem um processo seletivo exclusivo para treineiros. A UFBA (Universidade Federal da Bahia), por exemplo, decidiu extinguir, em 2003, a opção. "Isso porque o custo de uma seleção especial não se justificava ao número de inscritos", explica Evandro Ubiratan de Sousa, assessor acadêmico do Serviço de Seleção da UFBA. A solução encontrada foi unificar os dois processos seletivos. "Até porque a participação dos treineiros não afeta substancialmente a forma de calcular a nota dos outros candidatos", garante ele, que aponta ainda a liberdade de estudantes dos mais variados níveis escolares de inscreverem nos vestibulares. De acordo com ele, a restrição está apenas no registro das matrículas.

A opção é a simulação mais próxima da realidade que será vivenciada no futuro. ? o que explica Roberto Celso Fabrício Costa, gerente do vestibular da Fuvest. Segundo ele, ainda que a aprovação ou reprovação não tenha nenhum significado prático, todas as condições ambientais do vestibular são reproduzidas. "Os treineiros são obrigados a respeitar as mesmas regras impostas aos demais candidatos", ressalta ele, que relacionada essas características às principais diferenças entre as seleções de treineiros e os simulados.

Mesmo que essas normas não costumem mudar com tanta frequência e que estejam descritas nos respectivos editais e manuais de candidato, Costa relaciona o treino ao processo de adaptação e conscientização de que os vestibulares são muito mais do que uma prova. ? preciso respeitar horários e a partir daí tomar alguns cuidados básicos, tais como verificar com antecedência o local de prova, calcular o tempo de transporte, separar o material que deve ser levado e principalmente ter sabedoria para controlar o tempo para a resolução das questões e o nervosismo. "Quando for prestar o vestibular para valer, verá que a experiência fará muita diferença", diz o gerente da Fuvest.

Outra funcionalidade dos treineiros destacada por Renato Pedrosa, coordenador executivo da Comvest/Unicamp (Comissão Permanente para os Vestibulares), é a possibilidade de avaliação dos conhecimentos. De acordo com ele, todos os candidatos, inclusive os treineiros, recebem um relatório de desempenho. A partir deste documento, portanto, é possível identificar e dimensionar os pontos fracos e fortes. Costa acrescenta ainda a possibilidade de comparação do seu rendimento em relação aos futuros candidatos. "Veja qual foram as notas dos candidatos aprovados no curso desejado e faça um comparativo em relação ao seu desempenho. A partir daí, conseguirá quantificar o quanto terá que avançar para, no ano seguinte, conquistar a vaga de ingresso", orienta o gerente da Fuvest.

Ainda que o potencial de aprendizado desses simulados seja real, ele não se limita exclusivamente à participação na prova. "De nada adianta participar de milhares de vestibulares e passar o resto do ano sem pegar nos livros", enfatiza Sousa. Apesar de não ter que se preocupar com a aprovação, é preciso saber usar o resultado desta participação a seu favor. O assessor da UFBA, portanto, recomenda que os candidatos aproveitem o ano para dedicar-se aos conteúdos de maior dificuldade, mas que não esqueçam de reciclar os conhecimentos das demais disciplinas. "Estude as provas das edições passadas para identificar os padrões das questões. Isso não significa apenas responder os testes", orienta ele.

Por outro lado, há também a questão custo. Em geral, os treineiros pagam as mesmas taxas de inscrições que os demais candidatos. Algumas instituições, no entanto, oferecem descontos de até 50% para aqueles que vão prestar o vestibular apenas como complemento ao processo de estudo. "Mais um motivo pela qual o candidato deverá levar a seleção de treineiro tão a sério quanto o vestibular", ressalta Sousa, que reconhece a restrição da simulação aos estudantes de baixa renda.







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