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122 anos de nascimento de Oswald de Andrade

      

 

José Oswald de Sousa Andrade Pereira Pinto de Oliveira Siqueira Neto. Tão grande quanto seu nome foram sua criatividade e vontade de modernizar o Brasil. Nascido em 1890, foi escritor, poeta, ensaísta, dramaturgo e, acima de tudo, polêmico. Promotor da Semana de Arte Moderna, Oswald de Andrade era o mais rebelde e inovador de todos os outros modernistas da primeira fase no País.

 



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Oswald de Andrade revolucionou muito mais do que apenas a literatura. As artes, a música, o teatro também ganharam um novo fôlego com suas ideias. Oswald escreveu dois dos três manifestos modernistas mais importantes, o Pau-Brasil e o Antropofágico.

 

O Manifesto da Poesia Pau-Brasil defende que a cultura brasileira deveria ser exportada ao mundo, da mesma forma que o pau-brasil. No entanto, para o poeta, nossa produção cultural não pode dever nada à cultura europeia. Aliás, o Brasil deveria influenciar a Europa.

 

Desta forma, Oswald propunha uma descolonização brasileira. Ele estava cansado de ver a literatura - assim como todas as outras formas de produção cultural no País - andando de muletas na Europa. Ele desejava criar uma poesia própria brasileira; uma vanguarda brasileira.

 

O Manifesto Antropofágico também tinha características similares com o explicado acima, ao passo que valoriza a cultura local. No entanto, Oswald de Andrade queria concretizar isso deglutinando outras culturas. Assim como os índios, que comiam humanos para adquirir as forças e virtudes deles, para o poeta, nossa literatura deveria ser canibal.

 

O escritor acreditava que deveríamos beber da cultura europeia, principalmente, para criar uma cultura própria; valorizando a mistura de raças. Desta forma, reuniríamos o que há de bom na Europa com as virtudes brasileiras e, aí sim, exportaríamos nossa cultura aos outros.

 

Oswald de Andrade era um paulistano de família rica. Por isso, usou muito da sua influência para divulgar seus projetos e manifestos. E, sim, ele conseguiu. O nosso neorrealismo (oura fase modernista) foi intensamente lido nos Estados Unidos e Europa. Até a Bossa Nova é um pouco antropofágica: incorpora ritmos estadunidenses e os traz para nossa realidade. O resultado: americanos e europeus cantando Garota de Ipanema.

 

Oswald de Andrade ajudou a modernizar não só a produção cultural, mas toda a sociedade da época. Assíduo frequentador do Jockey Club paulistano, o escritor sempre teve um ar cosmopolita. A poesia no Brasil havia estagnado no Parnasianismo há muito tempo. Só um evento da com o porte e grau de ruptura da Semana de Arte Moderna para instituir um novo movimento em um país, naquela época, tão conservador.

 

Embora tenha morrido cedo, com apenas 64 anos, Oswald de Andrade abriu portas para um país moderno, complexo e inovador. Além disso, contribuiu para o teatro. Uma peça famosa dele é O Rei da Vela, uma espécie de recriação d'O Burguês Fidalgo, de Molière.

 

A peça foi escrita no embalo da crise financeira de 1929 e retrata burgueses ridículos e decadentes, tudo em uma linguagem pra lá de moderna. Oswald modernizou nossa língua, incorporando novas palavras e valorizando o português brasileiro.

 

Ele e seus manifestos, no entanto, não eram xenófobos. Na verdade, eram "xenofágicos"; seguindo a linha do Movimento Antropofágico. Ou seja, a cultura de fora existe para ser consultada, não para ser ignorada ou odiada. Afinal, convenhamos, não se pode negar um Pablo Picasso ou um Victor Hugo.

 

"Tupy or not tupy. That is the question." Embora pareça simples, este pensamento uma vez proposto por Oswald de Andrade revela quão genial em sua simplicidade o poeta poderia ser. Fica claro que ele fez um trocadilho com o verbo to be (ser) e a língua principal dos índios do País, o tupi; além da célebre frase de Shakeaspere em Hamlet. Ser ou não ser? Ser moderno, ser diferente, ser inovador, ser pra frente; essas são as prováveis perguntas que Oswald fez ao Brasil.

 

Oswald de Andrade fez sua parte e sua memória está aqui sendo relembrada pela Universia Brasil. Esperemos, portanto, que, nós brasileiros, sejamos presenteados muitas outras vezes por uma pessoa tão espetacular quanto Oswald. Para que, assim, sejamos tupi!

 

 



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