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As redes sociais no escândalo do BBB

      

 

O suposto estupro da participante Monique Amin ganhou amplitude com as redes sociais. A hashtag #danielexpulso foi uma das mais utilizadas no Twitter esses dias. Há quem diga que as redes sociais fizeram com que Daniel Echaniz fosse expulso. É provável que se fosse em outra edição do programa, a emissora tivesse posto panos quentes e nada tivesse acontecido. No entanto, a audiência do programa foi às alturas. Portanto, de que lado estão as redes sociais? Elas podem estar criando um efeito reverso ao que se espera dela?

 

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É inegável que as redes sociais têm sido uma ferramenta importante da população. As reclamações mais valorizadas pelas empresas são aquelas feitas no Twitter ou Facebook, porque elas podem ser compartilhadas. Aproveitando o mesmo princípio, as revoluções nos países árabes também foram fomentadas pelas redes. Mas até que ponto elas trabalham para a sociedade e não para grandes empresários?

 

É preciso entender que as redes sociais são uma faca de dois gumes. Enquanto muitos se indignaram nas redes devido ao que aconteceu de sábado para domingo na casa, estes mesmos internautas provavelmente estavam inconscientes de que estavam dando mais audiência e, portanto, mais poder ao programa que não prestou ajuda a um possível caso de estupro.

 

"Esta imensa mobilização também parece ter diminuído a importância de outros assuntos relevantes ocorrendo no País, tais como enchentes, a possível troca de ministros no planalto, qual partido a prefeitura de São Paulo apoiará nas eleições de 2012, entre outros", ressalta o professor do mestrado em comunicação da Faculdade Cásper Líbero, José Eugênio Menezes. A pauta ficou concentrada quase que totalmente ao BBB e o único que ganha com isso é a Globo, não nós.

 

As redes sociais têm revolucionado nossa sociedade, mas é claro que as grandes empresas de comunicação (e as outras também) não querem perder sua força neste emaranhado. Por isso, procuram formas de fazer com que esta novidade lhes assegure mais poder ainda. Portanto, tentam fazer com as redes sociais trabalhem mais a seu favor do que para a sociedade.

 

Além disso, quem repercute o assunto, não o faz de uma forma prestativa. É como se ele só estivesse em pauta porque dá audiência e porque as pessoas estão curiosas. Quantas notícias você já leu sobre a polêmica que trouxessem alguma estatística sobre mulheres que sofrem violência no Brasil? Acabamos comprando só a imagem da televisão da participante que, supostamente, foi estuprada e não colocamos em dicussão esta questão sensível sobre nossa sociedade.

 

Ao mesmo tempo, vimos uma indignação de parte da população que há tempo não víamos. "É como se a sociedade estivesse tomando conta dela mesmo e isso é algo positivo", opina José Eugênio Menezes. "Passamos de uma sociedade de cultura de massa para uma cultura de rede, que propõe participação, vinculação."

 

O professor de teoria da comunicação associa muito as redes com participação social, cidadania. No entanto, estamos no meio de uma tensão contra os gigantes de comunicação e grandes empresas, que estão interessadas em usar estas mesmas redes para afirmar sua antiga hegemonia. Estamos em uma situação transitória, na qual a discussão sobre seus rumos se faz pertinente.

 

De que lado penderão as redes sociais? Do nosso ou do deles? É importante tomarmos frente das redes sociais, para que possamos usá-las a nosso favor. "É um bom momento para discutir políticas públicas da comunicação. Tomarmos frente, portanto, na habilidade de nos organizarmos. Por exemplo, ter à disposição uma internet com conteúdo de qualidade sem censura", conclui José Eugênio Menezes.



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