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Professores e alunos: racismo na escola

      
(Crédito: Shutterstock.com)
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A Universia Brasil publicou hoje mesmo uma notícia reproduzindo uma pesquisa americana cuja conclusão revelou que alunos latinos e negros recebem menos feedbacks nas escolas públicas. O assunto é atual porque recheia vestibulares de todo o País e, portanto, merece uma atenção especial. Por isso, procuramos analisar a situação educacional brasileira quando o assunto é preconceito vindo de professores para com alunos.

 

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Será que o mesmo acontece aqui? Os alunos de grupos étnicos desfavorecidos no Brasil recebem menos atenção, críticas e conselhos? Se sim, o que fazer para evitar e consertar este problema? Para responder a essas perguntas, conversamos com o diretor nacional de ensino superior do Sistema Educacional Brasileiro (SEB), Luiz Roberto Liza Curi, e com o professor-mestre em História pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Carlos Francisco da Silva Júnior.

 

Antes de mais nada, é necessário trazer o contexto social brasileiro à reportagem. Ou seja, somos latinos; portanto, não teríamos preconceito contra nós mesmos. No nosso caso, os desfavorecidos seriam os índios e negros. Segundo: é difícil generalizar um Brasil. Uma nação de dimensão continental e com uma estrutura social complexa. No entanto, em dois aspectos os especialistas entrevistados concordam: isso é perfeitamente passível de acontecer no País. Mas por quê?

 

“Devido a processos históricos, resumidos na escravidão”, revelam as duas autoridades. “O peso da exploração negra é inegável na nossa cultura. Além disso, após a sanção da Lei Áurea, os escravos ficaram à margem da sociedade, não houve políticas de inserção desse grupo. Por isso, os negros sofrem duplo preconceito: o social e o econômico”, analisa Carlos Francisco da Silva Júnior.

 

Esse fardo carregado na História brasileira obviamente reflete na nossa educação. Por isso, as duas fontes não duvidaram da existência de preconceito no nosso sistema educacional. Por outro lado, há diferenças entre Brasil e Estados Unidos.

 

“Neste caso, estamos à frente dos americanos. Lá, existem grupos, ordens, instituições que legitimam o racismo. Aqui, em geral, ele é mais individual; restrito ao imaginário psicólogo”, sentencia Luiz Roberto Liza Curi. A questão histórica também explica esta diferença: “A História norte-americana mostra uma segregação maior entre negros e brancos. Havia lugares em que africanos não podiam nem entrar em estabelecimentos em que se encontravam caucasianos”, de acordo com o mestre da UFBA.

 

Isso, no entanto, não nos coloca numa situação melhor, apenas diferente. Como o racismo no Brasil é mais escondido, a luta contra ele é igualmente mais difícil. Segundo Silva Júnior, “o fato de ele ser velado torna-o mais duro de ser combatido. Já no caso americano, o inimigo é mais concreto e a luta acaba fazendo mais sentido. Não se pode lutar contra o que não se vê”.

 

Mesmo sendo difícil de ser enxergado, o tema veio à tona recentemente na imprensa brasileira através de dois casos: a discussão na câmara sobre a constitucionalidade das cotas para negros e o psicanalista que xingou uma mulher em um shopping de “orangotango africano”. “A importância da escola no meio disso tudo é que ela é um espaço de reprodução de comportamento; se a criança aprende a ser racista na aula, ele reproduz tal conduta fora dela”, complementa o diretor nacional de Ensino Superior do SEB.

 

Por isso, a escola tem que ser um espaço exemplar, um lugar onde a intolerância não só deva ser proibida, porém entendida como algo sem sentido e prejudicial ao funcionamento da sociedade. O racismo deve ser cada vez mais restringido, principalmente em um local essencial como as salas de aula. Até que ele fique cada vez mais restrito à mente dos preconceituosos, chegando ao estágio em que ele não faça mais sentido.

 

Como bem finalizou a entrevista Luiz Curi, “não importa se ele (racismo) existe. O que interessa é que ele tem que ser vigiado.”

 

 



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