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Noticia : Manifestações

Relembre os principais movimentos estudantis do passado

Com a recente onda de manifestações pelo país, relembre alguns dos principais movimentos estudantis do passado e entenda como eles se relacionam com a atualidade


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Relembre os principais movimentos estudantis do passado

Crédito: Shutterstock.com

Pode-se notar que os jovens brasileiros não estão mais dispostos a ficarem quietos diante daquilo que consideram errado no seu país

 

Não é a primeira vez que os jovens brasileiros tomam as ruas da cidade para lutar pelo que acreditam. O Brasil não presenciava uma manifestação tão grande desde os Caras-pintadas, movimento estudantil ocorrido em 1992 que tinha como objetivo lutar pelo Impeachment do então presidente Fernando Collor de Melo. Para descobrir o que pensam os jovens que saem às ruas desde a ditadura militar, iniciada em1964, para lutar pelos seus direitos, a Universia Brasil relembra os principais movimentos estudantis do passado e conversa com o professor de História Daniel Simões sobre a relação entre as manifestações passadas e as atuais lideradas pelo Movimento Passe Livre.

 




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Conheça os três grandes movimentos estudantis e entenda a relação entre o passado e o presente das manifestações brasileiras:

 

 

Regime Ditatorial (1964 – 1985)

 

O Golpe Militar de 1964 deu início ao período ditatorial no Brasil. Em 19 de março, foi organizada uma manifestação contra as intenções de João Goulart, presidente do país na época. Essa manifestação foi a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que reuniu milhares de pessoas pelas ruas do centro da cidade de São Paulo.

 

Durante o governo de Goulart, o clima de crise e as tensões sociais apenas aumentavam a cada dia. Em 31 de março de 1964, tropas de Minas Gerais e São Paulo saíram às ruas e, para evitar uma guerra civil, João Goulart deixou o país. Os militares tomaram o poder e, em 9 de abril, foi decretado o Ato Institucional N°1 (AI-1). Este ato cassou mandatos políticos de opositores ao regime militar e tirou a estabilidade de funcionários públicos.

 

Jovens estudantes e intelectuais começaram a se manifestar contra o regime ditatorial. Essas manifestações, porém, eram violentamente reprimidas. Em março de 1968, estudantes reclamavam em um restaurante sobre os preços elevados das refeições. Para conter o conflito, o comandante Aloísio Raposo atirou no jovem de 17 anos Edson Luís de Lima Souto.

 

Em 26 de junho de 1968, os militares permitiram uma passeata popular no bairro central do Rio de Janeiro. No decorrer da manifestação, 100.000 pessoas lutavam contra a repressão ditatorial do regime militar. Após esse acontecimento, o então presidente Arthur Costa e Silva reuniu-se com os líderes estudantis Franklin Martins e Marcos Medeiros. Esses estudantes pediram o fim da ditadura e a anistia aos jovens presos nas manifestações. Costa e Silva ignorou os pedidos e, para conter esses atos, aprovou o Ato Institucional N° 5 (AI-5), que proibia movimentos sociais e o direito a habeas corpus.

 

 

Diretas Já (1983-1984)

 

Em 1979, o regime militar tomou medidas que permitiram o retorno das liberdades democráticas no país. A reforma política abriu espaço para a formação de novos partidos e, chegado o ano de 1982, esses partidos disputaram eleições para os governos estaduais e demais cargos legislativos. Mediante esse novo quadro, membros da oposição da Câmara dos Deputados tentaram articular uma lei que instituísse o voto direto na escolha do sucessor do presidente.

 

Em pouco tempo, membros do PMDB, PT e PDT passaram a organizar grandes comícios onde o povo brasileiro se colava em favor da escolha direta para o cargo de presidente. Essas manifestações se transformaram no movimento das “Diretas Já!”, reconhecida como uma das maiores manifestações populares ocorridas no país e marcadas por grandes comícios onde pessoas perseguidas pela ditadura militar, artistas, intelectuais e estudantes militavam pela aprovação do projeto de lei.

 

Em 1984, 300.000 pessoas se reuniram na Praça da Sé, em São Paulo. Três meses depois, um milhão de cidadãos tomou o Rio de Janeiro e, pouco tempo depois, perto de 1,7 milhões de pessoas pararam as ruas de São Paulo.

 

Para reprimir essas manifestações, o então presidente João Figueiredo censurou a imprensa e ordenou prisões. O processo de redemocratização do Brasil terminou com a volta do poder civil em 1985, com a aprovação da nova Constituição Federal em 1988 e com a realização das eleições diretas para Presidente da República em 1989.

 

 

Movimento dos Caras-pintadas (1992)

 

O movimentos dos Caras-pintadas consistiu em milhares de jovens que saíram às ruas de todo o país com os rostos pintados, forma de protesto contra os acontecimentos que abalaram o governo do presidente Fernando Collor de Mello.

 

O Brasil realizara eleições diretas para presidente. Nessa eleição, Collor assumiu a presidência do Brasil. A partir de então, o governo do presidente começou a apresentar falhas. O Plano Collor de contenção da inflação fora um desastre completo, e denúncias de corrupção foram surgindo.

 

O presidente pediu para os estudantes saírem às ruas para manifestar seu apoio ao governo, utilizando peças de roupas nas cores do país. Foi então que surgiram os caras-pintadas, que apareceram com os rostos pintados de preto em repúdio às palavras de Collor.

 

O movimento assumiu um tom de humor, ironia e anarquia. Mesmo assim, os caras-pintadas tornaram-se ícones de um novo modo que a população descobriu de se fazer a democracia, protestando contra os seus dirigentes incompetentes ou corruptos.

 

 

E 2013 com isso?

 

No início deste mês, uma onda de manifestações tomou a cidade de São Paulo, seguindo para outros lugares do estado e logo de todo o país. Devido ao aumento da tarifa do transporte público (de R$3,00 para R$3,20), o Movimento Passe Livre organizou protestos com o intuito de fazer com que a passagem voltasse a seu preço normal. “Se a tarifa não baixar, São Paulo vai parar” era uma das frases escritas nos cartazes levados à rua. E foi o que aconteceu: a quantidade de pessoas que aderiram ao movimento foi maior do que o esperado e o trânsito de grandes avenidas da cidade foi bloqueado pelo enorme fluxo de manifestantes.

 

No Quarto Ato Contra o Aumento da Passagem, houve uma repressão violenta da polícia, e até pessoas que não estavam no protesto foram feridas. A repercussão causada por isso provocou comoção em uma parte ainda maior da população que resolveu sair às ruas para apoiar o movimento. Com isso, as manifestações também despertaram nessas pessoas um desejo de lutar por seus direitos, fazendo com que os rumos dos protestos abordassem diversas outras causas políticas, como corrupção e votação de projetos de leis.

 

Segundo o professor Daniel Simões, as principais semelhanças entre as manifestações recentes com as que ocorreram nos último 30 anos consistem no fato de serem protagonizadas pelos jovens. “Todas elas se dirigiam a alguma forma de autoritarismo facilmente identificado na sociedade, então há um ponto em comum nas passeatas. Se antes eram dirigidas ao Estado ditatorial, agora, mesmo em um Estado democrático, ganharam muita força a partir do momento em que a polícia agiu de forma violenta”, explica.

 

O MPL alcançou seu objetivo da redução da tarifa que voltou aos R$3,00, porém, segundo seus organizadores, a luta não acaba aí. O intuito agora é fazer com que o uso do transporte público seja gratuito a toda a população (que é a causa que originou o movimento).

 

“Não sabemos se nesse momento haverá resultados concretos para além da questão da tarifa, mas a primeira coisa importante é notar que a partir daqui inicia-se um processo de amadurecimento da democracia”, diz o professor entrevistado. Portanto, é difícil concluir qual rumo será tomado a partir de agora, mas pode-se notar que os jovens brasileiros não estão mais dispostos a ficarem quietos diante daquilo que consideram errado no seu país.

 

 






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