Notícias

Entenda como funciona o sistema digital da ENAP

      
 Fonte: Shutterstock
Fonte: Shutterstock

A Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) lançou em abril um ambiente virtual que tem como objetivo armazenar, gerenciar, preservar, organizar e disseminar os documentos da instituição. A Universia Brasil conversou com a coordenadora geral de Gestão da Informação e do Conhecimento da ENAP, Claudia Cristina Muller, para entender como o sistema funciona, quais são os seus objetivos e quais são os seus desafios. Veja como foi a entrevista:

 

Do que trata o projeto "Repositório Institucional"? Qual é o objetivo?

O Repositório Institucional da ENAP é um sistema para organizar, armazenar, gerenciar, preservar, recuperar e disseminar documentos em formato digital produzidos no âmbito das atividades da ENAP. É um acervo do conhecimento, onde toda a produção intelectual da Escola Nacional de Administração Pública está preservada e pode ser livremente acessada, por todos, sem necessidade de qualquer cadastro. Documentos que contam a história da instituição, estudos de caso utilizados para a aprendizagem organizacional, práticas inovadoras da administração pública federal, publicações da ENAP e de suas parcerias, produção científica dos cursos de pós-graduação, enfim, a produção do conhecimento da ENAP disponível para pesquisadores, acadêmicos, agentes públicos, para escolas de governo de todo o País e para a sociedade em geral. São conteúdos abertos, recursos educacionais abertos que contribuirão, temos certeza, para a formação e o desenvolvimento dos servidores públicos. Importante dizer que o Brasil conta com mais de 10 milhões de servidores públicos e, destes, mais de 600 mil servidores federais. Com o Repositório, escolas de governo terão fonte de pesquisa na área temática de “administração pública” para capacitar agentes públicos nos estados e municípios brasileiros. E poderão fazer uso destes materiais nas suas capacitações. Também, as universidades podem se beneficiar do Repositório como fonte de pesquisa aos alunos de graduação e pós-graduação em gestão pública e áreas afins.

 

Como foi o desenvolvimento do Repositório da ENAP?

Utilizamos a inteligência coletiva da ENAP, o Repositório Institucional da ENAP foi concebido em um processo de cocriação. Profissionais de todas as áreas: Desenvolvimento Gerencial, Formação e Aperfeiçoamento de Carreiras, Especialização, Escola Virtual, Biblioteca, Pesquisa, Gestão de Pessoas, Cooperação Internacional, Presidência e Conselho Diretor da ENAP, Tecnologia da Informação e outras participaram de onze oficinas, durante o ano 2013, para “desenhar” juntos o Repositório: desde a concepção e o modelo do Repositório, tipologia de materiais, arquitetura da informação, domínio do Repositório, fluxo de submissão, conjunto de metadados e política de direitos autorais. O passo seguinte foi discutir, nas equipes, o modelo desejado, e as contribuições foram registradas e o projeto ajustado, a ferramenta parametrizada, até chegar a um modelo legitimado por todas as Coordenações e Assessorias. O Conselho Diretor da ENAP teve papel importante nesse processo, pois analisou e validou cada uma das etapas a serem desenvolvidas. Foi um movimento bottom-up, ou seja, com a participação de todas as equipes da ENAP, e validada pelo Conselho Diretor. Isso deu legitimidade ao processo...Também vale ressaltar que hoje contamos com mais de 80 servidores da ENAP em condições de conduzir o repositório, em todas as suas etapas. Acreditamos que esse foi o “caminho feliz” para dar sustentabilidade ao Repositório.

 

Qual é o modelo do repositório? Quais as principais inovações? Qual ferramenta é utilizada?

O Repositório Institucional da ENAP é temático na área de administração pública e traz ampla tipologia de materiais, que pode ser verificada por meio de suas Comunidades e Coleções: Casoteca em Gestão Pública, Cursos ENAP, Memória ENAP, Práticas Inovadoras em Gestão Pública, Produção Científica e Recursos Educacionais. A principal inovação do Repositório foi o depósito dos objetos digitais descentralizado, ou seja, não ficou sob responsabilidade de uma única Coordenação ou da Biblioteca. Quem decide quais materiais serão disponibilizados em acesso aberto é quem detém os materiais, ou seja, as Coordenações que contrataram e negociaram a questão de direitos autorais. As equipes, nas Coordenações, conhecem os termos dos contratos com os autores e definem quais materiais podem ser disseminados amplamente, com licenças abertas. A partir das definições do modelo, tipologia de documentos e fluxo de submissão, capacitamos mais de oitenta profissionais da ENAP, de todas as áreas, para fazer a submissão e a avaliação dos materiais. Temos, então, a garantia da sustentabilidade do projeto com a submissão e avaliação descentralizada, um Comitê Gestor para definir a Política de Acesso, as questões de direitos autorais, avaliar os resultados efetivos do Repositório e necessidades de aperfeiçoamentos; e a Coordenação de Gestão da Informação e do Conhecimento atuando de forma transversal na análise de situações vulneráveis, testagens e propostas de melhorias no Repositório (funcionalidades, interações intra e interinstitucionais e interoperabilidades), revisão de metadados e correções no sistema. Com relação à ferramenta, optamos pelo DSpace, o software livre mais utilizado no mundo para a criação de repositórios, pela sua robustez e porque não há limite de número de objetos e de tamanho de arquivos a serem inseridos no Repositório), além disso, a comunidade de desenvolvedores do DSpace é muito grande e não ficamos desassistidos ou na mão de uma ou outra empresa para nos dar suporte quanto à parametrização e atualização da ferramenta. E, para a instalação da ferramenta, contamos com a parceria doInstituto Brasileiro de Ciência e Tecnologia (IBICT), que disponibiliza o downloading na versão em português, além de assessoria para a capacitação das equipes.

 

Há quantos materiais de cursos disponíveis? Do que tratam os cursos?

A ENAP parte do princípio de que todos os produtos desenvolvidos com financiamento públicos devem ter licenças abertas e devem ser dadas ao público. O Repositório inicia disponibilizando mais de 700 objetos digitais, nos mais diversos formatos, que podem ser utilizados em cursos com temas relacionados à administração pública: planejamento e gestão pública, políticas sociais, Plano PluriAnual, gestão da informação e do conhecimento, gestão de pessoas, gestão de logística pública, gestão orçamentária e financeira, gestão de processos, gestão de projetos urbanos, ética, direitos humanos, entre outros. Portanto, o Repositório Institucional da ENAP traz ampla tipologia de materiais, incluindo materiais de cursos, que podem ser utilizados pela Administração Pública, para fins educacionais, na formação e desenvolvimento de servidores públicos. O único cuidado que as organizações públicas e agentes públicos devem ter, antes de utilizar os materiais, é a questão de direitos autorais e os termos de uso. É importante frisar que está proibido o uso dos materiais para fins comerciais.

 

O acesso aos materiais de cursos é livre e gratuito? Quem pode acessar? Onde?

No repositório os materiais são de acesso aberto, sem necessidade de cadastro. Todos os interessados podem utilizar os materiais como fonte de pesquisa e estudo, fazer download das publicações, imprimir os estudos de caso, utilizar os materiais para fins educacionais e não comerciais. Os mais de 700 materiais já disponíveis podem ser acessados no site do repositório. Já os cursos oferecidos pela ENAP, na sua maioria, são gratuitos, e podem ser feitos a distância, por meio da Escola Virtual da ENAP, ou presencialmente. Os catálogos de cursos podem ser consultados no sítio da ENAP pelo endereço www.enap.gov.br.

 

Quais são os desafios relacionados ao "Repositório Institucional"?

Os maiores desafios referem-se à mudança de cultura na organização e ampliação das práticas de gestão do conhecimento para sistematizar e disseminar o conhecimento tácito de seus colaboradores da ENAP. Além disso, amplificar o discurso e a prática (essa, principalmente!) de “compartilhar” materiais produzidos com financiamento público; encorajar pessoas e instituições a usarem licenças abertas, potencializar o uso e o reuso de recursos educacionais; criar repositórios de dados, de materiais, de produtores do conhecimento, todos com acesso livre; criar redes de conhecimento e sistemas federados para compartilhar projetos, infraestruturas, cursos e recursos educacionais.

 

Leia também:
» Confira a série Open Source na Educação
» Acompanhe a série sobre e-learning

 



Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.