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Empreendedorismo na educação já é uma realidade

      
Fonte: Colégio Bandeirantes
Fonte: Colégio Bandeirantes

O empreendedorismo está em alta entre os jovens. Uma pesquisa feita com jovens no final de 2013 pela Fundação Getúlio Vargas levantou que 80% dos entrevistados deseja abrir o seu próprio negócio nos próximos 10 anos. Mas, como preparar os estudantes para esse futuro? Pensando nisso, o Colégio Bandeirantes, em São Paulo, adotou o projeto Movement Maker, que estimula a criatividade empreendedora dos seus alunos.

 

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O Movement Maker é um projeto que começou por volta de 2010 no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) , nos Estados Unidos, como explica a professora Cristiana Assumpção, responsável pela sua execução no Colégio Bandeirantes: “trata-se de um projeto que busca produzir conhecimento por meio do aprendizado teórico, das ideias e do próprio corpo. É aprender com movimento, como sugere o nome”, contou.

 

No caso do Colégio Bandeirantes, pode-se dizer que o cerne no projeto fica no laboratório HUB, uma sala com equipamentos como impressoras 3D, drones e mobiliário móvel, que facilita a interação entre diferentes projetos e estimula o processo criativo chamado de polinização cruzada. “Esse processo permite que o aluno crie um projeto no qual ele é o protagonista e colabore com outros grupos”, disse a professora.

 

Diversos projetos já foram criados no Movement Maker: réplicas da nave Apollo 13, um coração artificial, miniaturas do MASP. Porém, a professora Cristiana faz questão de deixar claro que “interesse do colégio não é expor projetos em feiras de ciências e afins, mas sim que os estudantes aproveitem o processo de aprendizado.”

 

E não é só pela polinização cruzada que os estudantes podem interferir nos trabalhos uns dos outros: existem comitês liderados por alunos mais velhos que se dispõem a ajudar os demais, como é o caso da Luiza, do 9º ano. Ela faz parte de um comitê que ensina outras salas a lidar com as impressoras 3D e, assim, torna-se uma professora para outros alunos. “Agora eu percebo o quão difícil é ser professor”, diz, rindo. “Mas, é muito gratificante quando você pergunta se os alunos têm alguma dúvida e todos dizem ter entendido”, completa a jovem.

 

Além disso, Luiza contou que atuar no Movement Maker a fez desenvolver habilidades pessoais, como a criatividade e o trabalho em equipe. “Antes eu não me achava nada criativa, mas depois que comecei a frequentar o laboratório HUB eu comecei a ter mais ideias e percebi como é bom colaborar com os projetos das outras pessoas”, afirmou.

 

Segundo a professora Cristiana, o desenvolvimento dessas habilidades não é uma exclusividade de Luiza, mas algo que acomete a maioria dos estudantes que participam do projeto. “Percebemos melhorias no trabalho em equipe, planejamento, criatividade e lógica.”

 

Empreendedorismo e cidadania

 

Mais do que uma característica profissional que será cada vez mais cobrada, o empreendedorismo é um forte fator de transformação social, afinal é graças a ele que novos projetos e ideias de melhorias surgem. É por esses e outros fatores que o empreendedorismo é sim um assunto que deve ser tratado nas escolas.

 

Para a professora Cristiana, ao criar projetos os estudantes aprendem regras importantes de convivência social. “Para conceber um projeto, o aluno tem que criar regras de boa convivência, respeitar as ideias dos demais, ouvir opiniões. Tudo isso tem forte valor social”, explicou. “Além disso, com o estímulo a criatividade o jovem tem a possibilidade de desenvolver na prática as suas habilidades de organização, planejamento e lógica”, completou.

 

Empreendedorismo x escolas: por que essa união ainda não ocorreu?

 

Já que o empreendedorismo se destaca como uma forte tendência, por que a maioria das instituições de ensino ainda não o adotou nas suas grades curriculares? Segundo a professora Cristiana, isso exige mudanças profundas e enérgicas. “Seria necessário mexer em estruturas básicas que já estão vigentes desde 1810, e isso exige muito esforço”, explicou a docente. Mexer nessas estruturas significa, para ela, alterar grades curriculares, estratégias, incentivar propostas de projetos e criar outras formas de avaliação.

 

Por fim, ela ressaltou a importância de se ter pessoas formadas adequadamente para esse objetivo. “É necessário ter pessoas capacitadas, que façam cursos e entendam essa nova visão de educação”, concluiu.

 



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