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Livros Fuvest 2017: confira análise de dois poemas de Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade

      
Fonte: Shutterstock

O livro Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade, é uma das obras que compõe a lista de leituras obrigatórias da Fuvest 2017. Para entender cada um dos poemas presentes, é imprescindível que os estudantes tenham alguns conhecimentos sobre o contexto em que eles foram produzidos. Para facilitar o período de estudos, a Universia Brasil conversou com o professor de Língua Portuguesa do Curso Poliedro Cesar Augusto Ceneme, que analisou dois poemas da obra, considerados por ele como de maior relevância. Entenda as análises:

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O poema “A ingaia ciência”, presente no livro Claro Enigma, é um dos mais importantes para todo o entendimento da lógica da obra. O professor explicou que, ao longo deste texto, aparece a noção de um conceito do filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Segundo ele, "a ideia apresentada chama-se eterno retorno”.

Ceneme explicou que “esse conceito prevê que a vida sempre vai se repetir em ciclos que precisam ser vividos". Para ele, "é um pensamento otimista, segundo a lógica de Nietzsche. Já Drummond, inicia o poema contrapondo o conceito do eterno retorno. Para ele, a vida é finita, que sempre tende a desrealização, à tristeza”.

No poema, o autor faz menção à madureza e o docente acredita que esse amadurecimento condiga com a situação do próprio Drummond, que atingia sua maturidade poética. “Ele vê na maturidade a passagem para uma vida onde nada mais é novo, nada mais traz prazer e as coisas na verdade acontecem de forma triste. Você já viveu isso, a realização no amor, a perda da esperança, que faz com que ele considere a madureza, nesse jogo interessante de paradoxos, uma terrível prenda”, disse.

Além disso, Ceneme complementou que, por Drummond falar sobre os ciclos presentes no conceito do eterno retorno, nada mais tem significação para o autor, ficando clara a contraposição com Nietzsche nos últimos versos do poema. Segundo ele, o final “ilustra uma introspecção subjetiva do autor, uma coisa inédita na obra. Vemos um Drummond muito mais em si, no amor, na morte”.



Ceneme considera o poema “Oficina Irritada” como essencial para entender a ideia do “Claro Enigma” proposto por Drummond no título da obra. O docente começou explicando o significado da palavra “Arcturo”, presente no penúltimo verso do texto. Segundo ele, "é a estrela mais brilhante no céu noturno e tal qual o brilho de uma estrela precisa da escuridão para ser visto, os enigmas que o Drummond menciona também precisam dela para serem contemplados”.

Além disso, explicou que, em um primeiro momento o título da obra parece paradoxal, mas pode ser entendido se considerarmos o final do poema “Oficina Irritada”. Drummond cria, por meio do nome da obra, uma imagem metafórica. “Um enigma só pode ser entendido quando ele está no escuro, quando não conseguimos enxergar. É o brilho do enigma, do desafio, que o significa. O enigma é claro, porque ele brilha”, disse.



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