Notícias

“Não quero mais ser uma exceção”, diz jovem brasileiro que conquistou bolsa em Notre Dame

      
“Não quero mais ser uma exceção”, diz jovem brasileiro que conquistou bolsa em Notre Dame
“Não quero mais ser uma exceção”, diz jovem brasileiro que conquistou bolsa em Notre Dame  |  Fonte: Marcelo Brandt/Divulgação Ismart

Quando era mais novo, Pedro Navarro, 19 anos, nem sonhava em estudar fora do Brasil. Determinado, o jovem, que vem de uma família de baixa renda e nasceu e cresceu em Sorocaba, no interior de São Paulo, sempre foi incentivado pela família, principalmente pela mãe, a se dedicar aos estudos.

O empenho deu resultado: em 2016 Pedro ganhou uma bolsa de estudos na Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos. Agora, o seu principal objetivo é se preparar para, quando voltar ao Brasil, poder dar a outros jovens a chance de realizar o mesmo sonho. “O que eu mais quero é garantir que eu consiga retornar de onde eu vim e dar as oportunidades que eu tive, para não ser mais uma exceção”, conta.

O desejo de incentivar outros alunos, no entanto, vem de muito antes de Notre Dame, quando conquistou uma bolsa pelo Ismart – programa que dá a chance de alunos de baixa renda e bom desempenho estudarem em colégios particulares – para um dos melhores de Sorocaba. “Do nada, eu estava em uma escola em que faltava um monte de coisas e, de repente, eu estava no melhor colégio de Sorocaba, com milhões de possibilidades”, diz.

Pedro começou a perceber que havia um leque de opções que ele desconhecia. “Foi um choque. Embora eu estudasse muito, era muito diferente. Teve um choque em relação às oportunidades. Estudar com gente que passava nas melhores universidades de país, projetos incríveis. Na escola pública eu nem sonhava com essas coisas”.

"
Mesmo que eu não tivesse passado, teria valido a pena.
"

Inspirado, Pedro começou a participar do maior número de atividades que podia, o que o ajudou a ser chamado, dois meses após entrar no colégio, para dar uma palestra em Notre Dame. “Foi o meu primeiro contato com uma universidade do exterior. E é estranho. Três meses antes eu não sabia o que era estudar no Brasil, agora estava vendo uma das melhores universidades dos EUA”. Ele decidiu se inscrever para o programa de verão da instituição e, em julho de 2013, embarcou para viver a primeira etapa de seu sonho. “Voltei apaixonado por aquele ambiente. Você tem que sonhar grande. Eu me inspirava em pessoas que tinham passado”, diz.

As novas ideias motivaram Pedro a querer levar a outros estudantes o que ele tinha vivenciado. “Eu fui visitar a minha antiga escola e conversando com eles vi que vários alunos pararam de estudar, não iam prestar vestibular. Isso me incomodou muito. Então, a gente [ele e um amigo] fundou um projeto social em 2014 chamado ‘Motivando o Futuro’. A gente queria levar oportunidades para alunos de escola pública, como programas de verão, olimpíadas. A gente daria uma mentoria, ajudar com orientações. Queria levar inspiração, fazer eles gostarem mais de educação”, conta.

Nesse meio tempo, Pedro encontrou outras oportunidades para si mesmo. Estudando para o vestibular brasileiro, ele buscou programas de mentoria para alunos que queriam estudar no EUA. Por fim, os custos do processo para se inscrever em universidades de lá foram pagos pela Education USA, uma instituição dos Estados Unidos que dá oportunidades acadêmicas a alunos brasileiro.

O jovem conquistou mais duas bolsas em programas de verão: um em cosmologia, na universidade de Stanford e outro da Organização das Nações Unidas, na Universidade da Califórnia em Berkeley. Conseguiu cursar os dois ao mesmo tempo e voltou ainda mais motivado. “Eu percebi como foi pela educação que eu conquistei muitas coisas e eu voltei muito motivado. Virei noites estudando, tomando café, o dia amanhecendo, eu tinha que ia para aula, foi bem puxado”.

A primeira conquista veio ao passar no curso de Engenharia de Petróleo, na Escola Politécnica da USP, a Poli. Mas o melhor ainda estava por vir. Depois de muito esforço, Notre Dame o havia aceitado e a vontade de retribuir aumentado. “Eu queria sair gritando no meio da noite pela rua, era o meu sonho máximo e eu fiquei feliz pra caramba. Saí da Poli e fiquei trabalhando no Motivando o Futuro, trabalhando em uma escola publica organizando workshop. Tentava aplicar tudo que eu tinha aprendido nos cursos da vida no projeto”.

Apesar da distância, Pedro quer manter o projeto e, assim que possível, ampliá-lo. “O que eu mais quero é garantir que eu consiga retornar de onde eu vim e levar as oportunidades que eu tive, para não ser mais uma exceção. Estou fazendo Engenharia Química. Quero muito começar alguma iniciativa, uma startup, quero poder ajudar tanto com engenharia quanto com educação”, conta.

Ao longo do trajeto, o estudante aprendeu algumas lições que gostaria de passar adiante. Não se assuste com o quão grande e distante esse sonho parece ser. Por mais que você pense que não é como essas pessoas ou é muito distante, se você querer, vai atrás de ajuda, é possível. Corre atrás. Para mim, era algo totalmente surreal e agora está acontecendo. Eu só acreditei, eu tinha esse sonho e pensei ‘por que não?’ e dei o meu melhor. Mesmo que eu não tivesse passado, teria valido a pena”.

Aos jovens que desejam alcançar o sonho de estudar fora, apesar de qualquer adversidade, Pedro tem um recado:

Veja as outras histórias da série Brasileiros de Destaque


Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.