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O que é negócio social e como empreender com esse propósito? – Parte 2

      
O que é negócio social e como empreender com esse propósito? – Parte 2
O que é negócio social e como empreender com esse propósito? – Parte 2  |  Fonte: Shutterstock

Marília Ferreira

Consultora na Ideia Sustentável, estratégia e inteligência em sustentabilidade. Ela assina a coluna semanal Aprendizagem Empreendedora na Universia Brasil

Na semana passada começamos a falar de negócio social: o que é e o que o constitui. Dando sequência a esta série, hoje vamos conhecer algumas ações de sucesso no Brasil e no mundo.

São várias as iniciativas de negócios sociais que já estão fazendo a diferença e superando os desafios que, diga-se de passagem, são muitos. O mais comum deles é como oferecer um preço acessível às populações de baixa renda, ofertando produtos e serviços a um custo baixo. Outro é conseguir captar mais para atender à demanda crescente que alguns desses negócios podem gerar, i.e., ter receita o suficiente para investir na expansão do negócio. E há, ainda, a dificuldade ou desinformação em mensurar os impactos reais gerados pelas ações. No caso dos empreendedores brasileiros, outro desafio é a ausência de uma regulamentação legal para as empresas desse segmento.

O cenário é, de fato, desafiador, mas aqui mesmo no Brasil e também em outros países, há muita gente empenhada em fazer dar certo o seu sonho. Veja a seguir três iniciativas que estão colhendo os frutos do sucesso.

Banco Pérola

“Pai” do microcrédito, Muhammad Yunus serviu de inspiração a outros negócios que se basearam no Grameen Bank. Aqui no Brasil, o Banco Pérola, uma ONG de microcrédito sediada em Sorocaba (SP), é um exemplo de sucesso desse modelo. Já são mais de cinco prêmios conquistados, que reconhecem o trabalho desenvolvido junto a jovens empreendedores da base da pirâmide. O banco já foi estudo de caso de diversos artigos brasileiros e ganhou visibilidade midiática. O valor do empréstimo chega a R$ 5 mil reais e é destinado a jovens de baixa renda. Os créditos são oferecidos com juros de 4% ao mês e TAC (Taxa de Abertura de Crédito) de 3%. Dessa forma, a organização contribui para a inclusão social de microempreendedores que, com base na estrutura tradicional de empréstimos dos grandes bancos, não teriam acesso a esse dinheiro para potencializar e expandir seus negócios e aumentar sua renda.

Fundadora: Alessandra França

Ano de criação: 2010

A quem se destina: empreendedores das classes C, D e E.

Impactos: beneficiou mais de 350 micros e pequenos negócios, com um total de R$ 1,3 milhão em empréstimos (dados de 2013).

Gastromotiva

Usar a gastronomia para reduzir a desigualdade social, essa é a razão de ser da Gastromotiva, um negócio social que gera transformação a partir da comida. Fornecem o curso de Capacitação em Cozinha e disseminam o Movimento da Gastronomia Social, chegando a extrapolar as fronteiras brasileiras por meio de palestras e eventos (eles já participaram do TED Global, do Fórum Econômico Mundial e do Fórum do BID). Desenvolvem, ainda, projetos com grandes empresas.

David Hertz e sua equipe já acumulam mais de dez prêmios, consolidando a Gastromotiva como um negócio de sucesso e uma ferramenta extraordinária para promover educação, empregabilidade e geração de renda. Hoje eles atuam em seis projetos. O curso de capacitação em gastronomia ainda conta com o diferencial de aulas como Cidadania, Higiene e Segurança Alimentar. Além deste, há um curso voltado a empreendedores – o Curso Faça e Venda Gastromotiva – que tem o objetivo de promover a inclusão social por meio da gastronomia. Mistura aulas práticas (que ensina técnicas de confeitaria e panificação) com teóricas (como elaboração de custos e empreendedorismo). Junto ao chef consagrado Alex Atala, David Hertz formulou o projeto Gastronomia nos Presídios. Outros projetos legais – Refettorio Gastromotiva, Super Liga e TAC (Trabalho de Ação nas Comunidades) – podem ser acessados no site da organização.

Fundador: David Hertz

Ano de criação: 2006

A quem se destina: jovens de baixa renda de até 35 anos.

Impactos: apenas o TAC impactou mais de 85.000 pessoas em diferentes comunidades em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Curitiba e Cidade do México. Não há dados sobre os demais projetos.

Empower Generation

Desenvolvido no Nepal, esse negócio social tem metas um tanto audaciosas, mas que vêm provando serem realistas. Através de uma rede de empreendedoras – curiosamente, o projeto é voltado exclusivamente para o público feminino – a Empower Generation oferece acesso a mercados remotos e de baixa renda para os fornecedores de energia l impa, onde os produtos são altamente demandados.

O negócio funciona da seguinte forma: as mulheres nepalesas que já trabalham com gestão energética de moradias são convidadas a se tornar empreendedoras. Elas são capacitadas a utilizar uma abordagem mais voltada para o mercado de energias limpas, com o objetivo de estimular a adoção de tecnologias de energia limpa em áreas remotas. Dessa forma, essas mulheres contribuem para a melhoria da saúde de centenas de pessoas pobres que se expõem à combustão da querosene e do carvão, ajudam a poupar dinheiro e a evitar a emissão de CO2, sendo, elas próprias, agentes de um desenvolvimento econômico mais sustentável. Para que possam operar seu negócio de distribuição energética, as mulheres também recebem mentoria e até investimentos para ajuda-las a fortalecer seu empreendimento. Os treinamentos incluem noções básicas de marketing e vendas, gestão de fornecedores, tecnologia solar portátil de qualidade, dentre outros. Ao final, elas devem estar preparadas para atender a demanda por energia, dando apoio aos clientes, oferecendo reparos e substituições dos aparelhos.

Os consumidores, por outro lado, são conectados pela Empower Generation a grupos de microcrédito que fornecem empréstimos para que possam comprar a tecnologia solar portátil ou até instalar o sistema de geração de energia solar mais amplamente em suas residências. No site da organização você vai encontrar muita informação e até mesmo o relatório anual.

Fundadores: Anya Cherneff e Bennett Cohen

Ano de criação: 2011

A quem se destina: mulheres empreendedoras nepalesas

Impactos: 20 negócios liderados por mulheres; 275.341 pessoas foram atendidas com energia limpa e segura; mais de 54 mil produtos de energia limpa foram distribuídos aos consumidores; mais de dois milhões de dólares foram poupados em custos de energia para moradias.

Existe uma diversidade impressionante de negócios sociais pelo mundo todo que, sem dúvidas, enriquece toda discussão sobre o assunto. Se você tem interesse em conhecer mais algumas delas, pode também pesquisar as iniciativas da Ashoka e da Artemísia, duas organizações de quem vamos falar no próximo post!



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