Notícias

Onde estão as histórias de mulheres empreendedoras?

      
Onde estão as histórias de mulheres empreendedoras?
Onde estão as histórias de mulheres empreendedoras?  |  Fonte: Shutterstock
Sttela Vasco - Universia Brasil

Sttela Vasco

Sou jornalista e repórter na Universia Brasil. Apaixonada por livros, cinema, café e chocolate assino a coluna Sobre Elas, na qual falo sobre a mulher e a presença feminina nas mais diferentes áreas da sociedade

Como meninas irão querer ser algo – seja empreendedora, piloto de avião ou cineasta – se não existem exemplos de mulheres que façam isso aparecendo no seu dia-a-dia? Eu havia visto a animação Moana há pouco tempo, presenciado pessoalmente o que a representatividade faz em uma criança e estava com essa questão na cabeça quando me deparei com o projeto que deu origem esse texto. Como se inspirar em algo que não nos é mostrado? Posso dizer que, ao longo da minha infância e adolescência, eu não fazia ideia de que mulheres podiam empreender. Na verdade, eu nem sabia que isso existia.

Quando você pensa em empreendedorismo, qual é a primeira imagem que vem a sua cabeça? Dificilmente será a de uma mulher, não é mesmo? Apesar da crescente presença feminina no meio empreendedor - em 2014, segundo dados revelados pelo Sebrae a partir da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), 52% dos novos empreendedores, ou seja, aqueles com menos de três anos e meio de atividade, eram mulheres – ainda é difícil “enxergar” essas mulheres, saber onde elas estão. Quem são elas? Alguém precisava contar suas histórias. E alguém já está contando.

O projeto The Girls On the Road, criado por Taciana Mello e Fernanda Moura, nasceu, principalmente, desse questionamento. Trabalhando com business e consultoria, a dupla começou a pensar sobre empreendedorismo após uma viagem aos Estados Unidos. Com uma cultura empreendedora forte, foi difícil não se interessar pelo assunto. “A medida que a gente começou a frequentar e conversar com empreendedores, percebemos que a presença feminina como fundadora de empresas era muito pequena e isso foi choque, assumimos que naquela região a situação seria diferente.”

Com isso, um novo interesse e também uma paixão nasceu: alguém precisava buscar essas mulheres e mostrar por que elas não estão presentes desse meio. Ao longo de sua jornada – que começou nos Estados Unidos em julho de 2016 e já percorreu mais de dez países – a dupla notou que as dificuldades das mulheres não são as mesmas encaradas pelos homens na hora de abrir um empreendimento. “Conseguir dinheiro, para a mulher, sempre tem um desafio adicional, há um contexto de ‘será que elas são capazes? E se elas casarem e tiverem filhos será que vão continuar no negócio? ’. Tem um peso adicional além de ser empreendedora, ser mulher”, afirma Taciana.

Elas levantam uma questão interessante ao tratar os obstáculos que as mulheres enfrentam na hora de criar o próprio negócio: a autoestima. “A gente tende a se duvidar mais do que os homens. Os homens já se enxergam como presidentes, as mulheres pensam ‘não, não é bem assim”. Curiosamente, esse mesmo ponto já havia sido questionado pela vice-presidente de recursos humanos da Coca-Cola no Brasil, Raissa Lumack, durante palestra na Plataforma Liderança Sustentável 2016 – Ética & Diversidade. “A mulher sempre está em débito com ela mesma e esse sentimento de culpa atrapalha muito esse crescimento, ela se sabota”, afirmou na época.

Taciana e Fernanda retratam o universo empreendedor de mulheres para mulheres mostrando que é possível e já existem mulheres fazendo isso. A gama de entrevistas, que deve crescer até o final do ano, não possui o perfil único. São mulheres das mais diferentes etnias, de 19 a 70 anos e com histórias de vida completamente diferentes. O que as conecta? O desejo de ter algo próprio e os desafios. Seja em um país mais desenvolvido ou em outro com menos base para áreas como tecnologia e inovação, para elas é sempre mais complexo alcançar o objetivo de construir e/ou liderar uma empresa.

Posso dizer que conversar com as meninas do The Girls On the Road foi uma síntese para tudo que eu vinha pensando desde o dia em que assisti a história de Moana e presenciei uma garotinha levantar e imitar a personagem, dizendo que também era uma heroína: não falta apenas oportunidades para as mulheres – tanto no empreendedorismo quanto em outras áreas – falta quem conte as histórias de quem, mesmo com todas as dificuldades, já fez, alguém que mostre que elas existem e, assim, inspire mais mulheres.

Em janeiro, uma pesquisa realizada pela New York University relevou que meninas de seis anos interpretam inteligência como uma característica masculina. O que isso nos mostra? Que mesmo com todo o debate sobre igualdade de gêneros, os exemplos de pessoas bem-sucedidas ou inteligentes que passamos para as meninas ainda são de homens. Há uma triste e perigosa mistura de falta de oportunidade com falta de visibilidade.

Daí a importância de projetos como o The Girls On the Road e a necessidade de eles serem amplamente difundidos, algo que suas criadoras querem muito: a ideia é que o projeto se transforme em um documentário no final de setembro e, posteriormente, em um livro com as histórias mais inspiradoras. Quem sabe assim, com todo esse material e tantos exemplos, seja mais fácil responder à pergunta que faço lá no título desse artigo: onde estão as histórias de mulheres empreendedoras?

Você pode conhecer mais sobre o The Girls On the Road e acompanhar o roteiro da dupla por meio de seus perfis no Facebook, Twitter ou Instagram.



Tags:

Aviso de cookies: Nós usamos cookies próprios e de terceiros para melhorar os nossos serviços , para análise estatística e para mostrar publicidade. Se você continuar a navegar considerar a aceitação de seu uso nos termos estabelecidos nos Política de Cookies.