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Resumo: Barroco para Enem e vestibulares

      
Resumo: Barroco para Enem e vestibulares
Resumo: Barroco para Enem e vestibulares  |  Fonte: Universia Brasil

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O barroco é o movimento literário seguinte ao classicismo dos séculos XIV e XVI, em que a precisão deu lugar à pompa, e a mitologia grega perde espaço para o catolicismo. Em 2017, ele deve ser mais cobrado em vestibulares que incluíram a leitura de sermões do Padre Antônio Vieira na sua lista, já que não é incomum relacionar as obras obrigatórias às suas escolas literárias.

A Universia Brasil, falou com o professor de literatura do Anglo Vestibulares André Koloszuk sobre os movimentos literários e reuniu tudo o que você precisa saber sobre cada um deles para o Enem e vestibulares. Entenda o barroco a seguir:

Contexto histórico

O movimento barroco abrange o final do século XVI até os meados do século XVII. Nessa época, a Europa enfrentava um grande conflito: a Igreja, antes o centro de todo o poder, havia sido questionada pelas reformas protestantes. Enquanto renascentismo era a arte que apoiava a racionalidade dos protestantes, o barroco foi a defesa da Igreja Católica, um movimento intimamente ligado à contrarreforma.

Durante o renascimento, a Igreja havia perdido muito do seu poder. É a partir do Concílio de Trento, em 1945, que ela começa a se recuperar. Esse conselho convocado pelo Papa Paulo III reformou e reafirmou a importância da Igreja católica. Foi restaurado o Tribunal da Santa Inquisição (que tinha desaparecido ou diminuído a sua importância no período do renascimento), criada a Ordem dos Jesuítas e impostos padrões para a arte. Livros e quadros eram sujeitos à inspeção da Igreja, tudo para reforçar que não apenas a fé é importante, como os costumes católicos, e a doutrina católica ainda são válidos.

O resultado foi um movimento que enaltecia a religião e a sacralidade, ao mesmo tempo que se opunha ao estilo do classicismo das reformas protestantes.

Enquanto isso no Brasil...

Nessa época o Brasil era uma colônia cheia de analfabetos e jesuítas trazidos para o lugar com o objetivo de catequizar índios e negros escravizados. Não é surpresa, portanto, que o barroco teve um cunho extremamente religioso e pragmático por aqui. Além das suas qualidades tradicionais, a arte e literatura tiveram um caráter muito prático: elas eram um instrumento para a absorção da doutrina católica. Os discursos eram retóricos, a religião tinha uma presença ostensiva e a mitologia era extremamente rara, já que o Brasil não teve um classicismo forte.

Principais Características

A estética barroca é uma de conflitos. As obras têm muito contraste, e focam na diferença simbólica e visual entre a sombra e a luz. Ela destaca o desequilíbrio entre a alma e o corpo, e abordar temas como a moralidade, os prazeres carnais, a busca pelo céu e a salvação da alma.

Os temas são tratados com muita dramaticidade e opulência, o que também servia para reforçar como a Igreja era poderosa. A arquitetura barroca, presente nas rebuscadas, altas e imponentes catedrais da época, era uma forma de reafirmar que a Igreja ainda mandava.

O grande objetivo do movimento é reafirmar os dogmas da Igreja Católica, mas o renascimento ainda é muito recente, então existe muita arte barroca retratando a mitologia grega típica do classicismo, a vida dos nobres e o cotidiano. Isso é feito de forma diferente, mais dramática e menos acadêmica, aplicando o estilo rebuscado às figuras clássicas. Ou seja, é preciso prestar atenção não só ao tema, mas também à forma.

Principais artistas

Padre Antônio Vieira

Padre Antônio Vieira

Jesuíta Português
1608-1697

O Padre Antônio Vieira foi o autor de mais de 200 sermões, e até hoje os principais deles são examinados para melhorar o entendimento do barroco no Brasil e em Portugal.

O seu estilo de escrita era limpo e direto, conciso. Assim como era característico do barroco brasileiro, o Padre tinha um objetivo muito claro, e fazia o possível para garantir que o seu recado fosse entregue de forma eficiente. Seus discursos eram recheados de retórica

Ele foi um grande defensor da catequização dos índios (e não da escravização). Mas cuidado para não o retratar como um “herói”: defender a catequização só significava que ele defendia os interesses da Igreja, não que tinha qualquer amor pelas populações indígenas.

Gregório de Matos

Gregório de Matos

Poeta Luso-Brasileiro
1636-1696

Gregório de Matos foi um poeta luso-brasileiro, que não tinha envolvimento na catequização indígena, por isso seus poemas mostram um lado diferente do barroco. Ele fazia poemas satíricos, e criticava a todos, inclusive os nobres e a Igreja. Sua crítica ia tão longe que ele recebeu o apelido de "Boca do Inferno" ou "Boca de Brasa". É apenas nos seus últimos poemas que ele parece se arrepender dessas ofensas e escreve poemas como “Buscando a Cristo”.

Barroco na arte:

Judite Decapitando Holofernes de Artemisia Gentileschi

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Moça com o Brinco de Pérola de Johannes Vermeer

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As Meninas de Diego Velázquez

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Como cai?

Por isto são maus ouvintes os de entendimentos agudos. Mas os de vontades endurecidas ainda são piores, porque um entendimento agudo pode-se ferir pelos mesmos fios e vencer-se uma agudeza com outra maior; mas contra vontades endurecidas nenhuma coisa aproveita a agudeza, antes dana mais, porque quando as setas são mais agudas, tanto mais facilmente se despontam na pedra. Oh! Deus nos livre de vontades endurecidas, que ainda são piores que as pedras.
(Sermão da Sexagésima, de Pe. Antônio Vieira.)

(UFSM 2007)
Pelo trecho reproduzido, pode-se concluir que o Sermão da Sexagésima trata da:

a) problemática da pregação religiosa, considerando as figuras dos pregadores e dos fiéis.
b) necessidade do engajamento dos fiéis nas batalhas contra os holandeses.
c) perseguição sofrida pelo pregador em função do apoio que emprestava a índios e negros.
d) exortação que o pregador fazia em favor de seu projeto de criar a Campanha das Índias Ocidentais.
e) condenação aos governantes locais que desobedeciam aos princípios do mercantilismo seiscentista.

Resposta: A



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