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Resumo: Modernismo para Enem e vestibulares

      
Resumo: Modernismo para Enem e vestibulares
Resumo: Modernismo para Enem e vestibulares  |  Fonte: Shutterstock

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O modernismo é o conteúdo de literatura mais cobrado no Enem, e aparece com frequência também em grandes vestibulares. Ele é o movimento seguinte ao pré-modernismo, parnasianismo e ao simbolismo que ocorrem no fim do século XIX, e é o momento em que os artistas brasileiros começam a desenvolver uma identidade própria, ao invés de só seguir os acontecimentos europeus. Por isso, os vestibulares cobram mais o modernismo no Brasil do que fora do país.

A Universia Brasil, em parceria com o professor de literatura do Anglo Vestibulares  André Koloszuk, preparou um resumo sobre os movimentos literários reunindo tudo o que você precisa saber sobre cada um deles para o Enem e vestibulares. Entenda o modernismo a seguir:

Contexto histórico

O modernismo acontece entre 1922 e 1980, durante o fim da República Velha e o início da República Nova.

Com o fim do Império e a Proclamação da República em 1889, o Brasil escapou das mãos do Imperador e caiu nas mãos das elites. A República Velha (de 1889 até 1930) foi a época da política do café-com-leite, em que as elites cafeeiras de São Paulo e Minas Gerais usavam o seu poder para manipular as votações para presidência para se revezarem nos cargos políticos. O país começou a se industrializar, e a mão-de-obra escrava foi trocada pela mão-de-obra barata de imigrantes. Era um momento de quebra, de mudança, e isso se reflete principalmente nas duas primeiras gerações do modernismo.

Em 1930, começa a Era Vargas. Foi um período de centralização do poder, em que o mesmo homem governou o país durante 15 anos. Foi um período de vários avanços trabalhistas, quando as mulheres ganharam o direito ao voto e o fim da política do café-com-leite. Mas foi também uma época de repressão política, já que Vargas foi um ditador populista, como eram as lideranças de vários outros países na época. O modernismo compreende a Era Vargas do início ao fim, em 1945.

Enquanto isso na Europa...

Em 1922, o mundo ainda sofria os impactos da Primeira Guerra Mundial, e até 1980, o mundo sofreria o impacto de duas grandes guerras e da guerra fria. Toda essa levou as populações a questionarem o otimismo de décadas anteriores. Na arte, isso se refletia na popularização de movimentos abstratos e inovadores como o dadaísmo, o cubismo e o surrealismo. Vários movimentos ocorriam ao mesmo tempo.

Principais características

O modernismo é dividido em três gerações, que são diferenciadas pelo foco dos artistas. A primeira delas se inicia em 1922 com a Semana de Arte Moderna, e tem como foco a oposição ao parnasianismo. A segunda geração é mais politizada, e foca mais no retrato da miséria do que qualquer movimento anterior. Já a última geração é mais melancólica e deixa um pouco de lado o caráter social.

É importante lembrar que essas características não anulam umas às outras, as gerações funcionam como blocos de construção: cada nova fase se apoia nas que vieram antes. Elas são divididas assim por razões didáticas, mas isso não impede que Drummond, por exemplo, tenha transitado pelas três fases.

Entenda cada uma das fases:

Primeira Geração

1922-1930
A primeira geração do modernismo vem em oposição ao parnasianismo, o movimento poético da “arte pela arte” em que a forma do poema é o principal e o conteúdo é um mero detalhe. Isso resultou em poemas perfeitamente rimados e ilustrados falando sobre vasos. O modernismo vai rejeitar isso diretamente, produzindo poemas como “Os Sapos”, do Manuel Bandeira, em que os parnasianos são chamados de sapos por “só coaxarem”, produzirem sons que não fazem nenhum sentido.

Segunda Geração

1930-1945
A segunda geração é a mais politizada, onde aparece finalmente o retrato da pobreza no Brasil. Em movimentos anteriores, a miséria era mostrada, mas agora ela é o foco da narrativa. Obras como Capitães da Areia dão um enfoque político a problemas como a criminalidade infantil. Como não poderia ser diferente durante a Era Vargas, o nacionalismo e a consciência da pátria também se tornam temas importantes.

Terceira Geração

1945-1980
A terceira geração é a mais introspectiva e melancólica. Começando em 1945, com o fim da Era Vargas e da Segunda Guerra Mundial, ela absorve todas as características das fases anteriores e inaugura a prosa urbana, intimista e regionalista. Essa é a geração mais abrangente, manifestando e desenvolvendo as características das gerações anteriores.

Principais artistas

Mário de Andrade

Mário de Andrade

Poeta da Primeira Geração do Modernismo
1893-1945

Mário de Andrade foi uma figura central na Semana de Arte Moderna. O seu livro Pauliceia Desvairada é tido como a base do modernismo brasileiro. Já no prefácio, ele demonstra o seu ardente nacionalismo ao escolher escrever algumas palavras como elas são ditas, rejeitando os ideais do passado, e se opondo completamente ao orgulho parnasiano.

Veja um trecho do seu poema “Ode ao Burguês”:

Ode ao Burguês
Eu insulto o burguês! O burguês-níquel
o burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!
O homem-curva! O homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!

Eu insulto as aristocracias cautelosas!
Os barões lampiões! Os condes Joões! Os duques zurros!
Que vivem dentro de muros sem pulos,
e gemem sangue de alguns mil-réis fracos
para dizerem que as filhas da senhora falam o francês
e tocam os “Printemps” com as unhas!

Eu insulto o burguês-funesto!
O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!
Fora os que algarismam os amanhãs!
Olha a vida dos nossos setembros!
Fará Sol? Choverá? Arlequinal!
Mas à chuva dos rosais
o êxtase fará sempre Sol!

Graciliano Ramos

Graciliano Ramos

Escritor da Segunda Fase do Modernismo
1892-1953

Graciliano Ramos foi o autor de Vidas Secas, que é um dos mais ricos retratos da pobreza no Brasil. A narrativa acompanha a história de uma família de retirantes sertanejos que luta contra a miséria, as dificuldades comunicativas e o próprio sertão. A linguagem do livro é seca assim como o ambiente e os pensamentos dos personagens, mostrando a busca do modernismo de mudar como as coisas eram feitas, e a maestria do autor em incorporar o tema à forma.

Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade

Poeta Modernista
1902-1987

Considerado um dos maiores autores da língua portuguesa, Drummond atuou nas três gerações do modernismo. Veja a seguir poesias suas de cada geração:

Primeira Geração

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra

Tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Segunda Geração

A Flor e a Náusea
Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?

Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.

Vomitar este tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

Terceira Geração

A Ingaia Ciência
A madureza, essa terrível prenda
que alguém nos dá, raptando-nos, com ela,
todo sabor gratuito de oferenda
sob a glacialidade de uma estela,

a madureza vê, posto que a venda
interrompa a surpresa da janela,
o círculo vazio, onde se estenda,
e que o mundo converte numa cela.

A madureza sabe o preço exato
dos amores, dos ócios, dos quebrantos,
e nada pode contra sua ciência

e nem contra si mesma. O agudo olfato,
o agudo olhar, a mão, livre de encantos,
se destroem no sonho da existência.

Modernismo na arte:

Operários de Tarsila do Amaral

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A Ventania de Anita Malfatti

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Mulata, Pombos e Paisagem de Di Cavalcanti

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Como cai?

O trovador
Sentimentos em mim do asperamente
dos homens das primeiras eras...
As primaveras do sarcasmo
intermitentemente no meu coração arlequinal...
Intermitentemente...
Outras vezes é um doente, um frio
na minha alma doente como um longo som redondo...
Cantabona! Cantabona!
Dlorom...
Sou um tupi tangendo um alaúde!


ANDRADE, M. In: MANFIO, D. Z. (Org.) Poesias completas de Mário de Andrade. Belo Horizonte: Itatiaia, 2005.

(Enem)
Cara ao Modernismo, a questão da identidade nacional é recorrente na prosa e na poesia de Mário de Andrade. Em O trovador, esse aspecto é

a) Abordado subliminarmente, por meio de expressões como “coração arlequinal” que, evocando o carnaval, remete à brasilidade.
b) Verificado já no título, que remete aos repentistas nordestinos, estudados por Mário de Andrade em suas viagens e pesquisas folclóricas.
c) Lamentado pelo eu lírico, tanto no uso de expressões como “Sentimentos em mim do asperamente” (v. 1), “frio” (v. 6), “alma doente” (v. 7), como pelo som triste do alaúde “Dlorom” (v. 9).
d) Problematizado na oposição tupi (selvagem) x alaúde (civilizado), apontando a síntese nacional que seria proposta no Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade.
e) Exaltado pelo eu lírico, que evoca os “sentimentos dos homens das primeiras eras” para mostrar o orgulho brasileiro por suas raízes indígenas.

Alternativa: D



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