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Como Cai no Enem 2016: liberdade de expressão e tolerância

      
Universia Brasil
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A liberdade de expressão e a tolerância são assuntos cada vez mais debatidos dentro da esfera social e, por isso, podem ter espaço em avaliações importantes como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Como costuma abordar temas relacionados à filosofia, uma das disciplinas cobradas na prova, o assunto ganha ainda mais enfoque. O professor de História, Sociologia e Filosofia Rodolfo Neves do Cursinho Poliedro, de São Paulo, conversou com a Universia Brasil para comentar sobre como isso pode aparecer no Enem 2016.

 

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“Posso discordar das suas palavras, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las” é uma das frases mais famosas de Voltaire, filósofo iluminista francês, e que serve como premissa para o entendimento do que é a liberdade de expressão. Neves explicou que o Enem trabalha com base nessa ideia: “ela é um direito que todo o cidadão tem de se expressar. Pensando de forma um pouco histórica, é muito recente”.

 

Para que se tenha liberdade de expressão, é preciso entender que não há censura prévia sobre qualquer assunto que a pessoa deseja falar. No entanto, o docente explica que muitas pessoas confundem essa condição com a ideia de poderem falar o que quiserem. “A partir do momento que você veicula um conteúdo, ele não pode violar os direitos das outras pessoas. Se ele violar o direito do outro, eu sou responsável por isso. Uma série de punições podem recair sobre mim, mas não é uma censura prévia, porque vem depois do ato de comunicar”, argumentou.

 

Durante a prova

Ideia criada a partir do Iluminismo, a liberdade de expressão não existia plenamente em momentos históricos anteriores. A prova do Enem, que acontecerá nos dias 5 e 6 de novembro, provavelmente, considerar uma nuance específica do conceito, segundo o professor. Para ele, “você é livre para falar o que quer, mas é responsável pelo conteúdo que veicula”. Ao abordar o tema, há uma escolha de temas mais específico para discutir a ideia por trás do conceito iluminista.

 

Para contextualizar, Neves comentou sobre alguns períodos históricos quando esse direito não era plenamente cumprido. “Se voltarmos em uma Grécia antiga, existia uma liberdade de expressão, mas voltada somente aos homens livres. Se voltarmos ao feudalismo europeu, ela era dada praticamente àqueles ligados de forma direta ou indireta ao clero. No absolutismo não existia, sendo que o rei é uma opinião praticamente inequívoca”, contou.

 

Entre os temas que acredita que podem ser mais explorados nas questões do Enem estão momentos históricos. Ao considerar a História do Brasil, um assunto que tem potencial para ser abordado é o regime civil militar de 64. “Existia uma censura prévia. Durante o período muitas pessoas eram presas por serem suspeitas de terem opiniões. Estavam violando completamente a liberdade de expressão de uma pessoa”, falou.

 

Levando em conta a História Geral, alguns dos momentos que podem aparecer durante as provas do Enem 2016 são o feudalismo e a atuação da Santa Inquisição, que violava completamente a liberdade de cada um. Além disso, Neves comentou outros temas que podem estar presentes: “Podemos trabalhar uma perspectiva mais século XX, com os regimes totalitários, tais quais o nazismo, o fascismo e o estalinismo na ex-União Soviética. Como violam esses direitos aparecem como ilustração do conceito exigido pela questão”, explicou.

 

Segundo o professor, o maior cuidado que o candidato deve ter no momento de realizar a prova do Enem é defender a liberdade de expressão sem ferir os direitos dos outros indivíduos. “Se ele usar esse conceito de forma equivocada, que viola aquilo que está previsto na Constituição, ele vai perder pontos”, concluiu.

 



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